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Manifestantes tomam sede da Cultura e pedem demissão de secretário, que ameaçou "quebrar cara" de ativista

Grupos de cultura e de movimentos da periferia ameaçam acampar no andar do secretário André Sturm. Em negociação com a PM, pediram liberação de alimentos e água.

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O BuzzFeed errou: na primeira versão desta reportagem, as duas fotos estavam com o crédito "Divulgação / Arquivo pessoal" por terem sido cedidas pelo Movimento de Cultura das Periferias. Na verdade, as fotos foram captadas por Marcelo Rocha, que entrou em contato com a Redação para a correção do erro e a troca dos créditos da reportagem. O BuzzFeed se desculpa com o autor das imagens pelo erro e agradece pela gentileza de cedê-las para publicação. (Atualização em 14 de junho de 2017, 11h43)

Grupos de cultura da periferia de São Paulo ocuparam nesta quarta-feira o 11º da Secretaria de Cultura, onde fica o gabinete do secretário da pasta, André Sturm. Ontem, foi divulgada uma gravação de áudio de uma reunião em que, irritado, o secretário diz que poderia "quebrar a cara" de um ativista do Movimento Cultural Ermelino Matarazzo. Sturm disse à "Folha de S. Paulo" que havia errado na discussão.

Segundo a Frente Única de Cultura, que organiza o movimento na Secretaria, o ato é um protesto contra o que ela considerou "um processo de desrespeito cumulativo". Os manifestantes também reivindicam o cumprimento da Lei de Fomento das Periferias e pelo descongelamento das verbas da pasta.

O BuzzFeed acompanhou por telefone a negociação dos manifestantes, no final do dia, com um representante da Polícia Militar. Eles pediram que fosse autorizada a entrada de alimentos e água no prédio. O policial se comprometeu a garantir a integridade física dos ativistas, cerca de 50 pessoas.

Os manifestantes pediram ainda que fossem atendidos pelo prefeito João Doria (PSDB) ou pelo secretário de governo, Julio Semeghini, o que não ocorreu até as 19h.

Em nota à imprensa, o secretário André Sturm lamentou o episódio e afirmou que "precisou fazer uma barricada para garantir que a porta do gabinete não fosse derrubada". Segundo a Secretaria, a Guarda Civil "foi chamada para para garantir a segurança dos servidores e tentar negociar uma desocupação pacífica".

"Servidores da sala da assessoria técnica, que fica ao lado do gabinete, foram expulsos do seu local de trabalho e tiveram que se refugiar em outro andar da secretaria, sendo que suas salas ficaram ocupadas por faixas e cartazes com mensagens ofensivas", afirma a nota.

Sturm considerou a ocupação agressiva. "Esta postura agressiva e desrespeitosa, ao contrário do que afirmam os manifestantes, não demonstra interesse em dialogar ou construir políticas para a cultura da cidade, sem propostas ou pauta concretas. A SMC reafirma o compromisso com estes princípios e em defesa da cultura da cidade de São Paulo", encerra a nota oficial.

Veja também:

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Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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