Este vídeo do padre Fábio de Melo começou uma polêmica sobre violência doméstica

O compartilhamento de uma gravação de 2006 acendeu a discussão

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Este vídeo do padre Fábio de Melo, gravado em 2006, foi tuitado ontem (26) pelo Thiago Pasqualotto.

Já temos a polêmica da semana com o Padre Fábio de Melo. Este moço não tá batendo bem. https://t.co/8EUqFnAF5H

Ele compartilhou o vídeo tuitado originalmente por Marcos Oliveira.

O vídeo é sobre violência doméstica, e nele o padre diz que "o agressor só se torna agressor porque a vítima o autoriza".

Twitter: @MarkosOliveira

Outra fala do vídeo diz que "não é nenhuma palavra nem um grito que vai dizer 'não me bata', mas é o seu jeito de ser mulher".

E não demorou para as pessoas reagirem às declarações do vídeo.

@pefabiodemelo @alilianwho mto facil subir no palanque e ditar regra de comportamento pra vitima de violencia domestica!! Pior: culpa la!!!!

Algumas pessoas até enxergaram uma outra intenção na mensagem do padre, porém lamentaram o que poderia ter sido uma escolha infeliz de palavras.

@thiago_p eu até entendi o q ele quis dizer, mas que escolha péssima de palavras! =/ Tinha milhões de jeitos de falar... ele foi no pior!

Hoje de manhã, o próprio padre entrou na troca de tuítes, respondendo à pergunta sobre o vídeo ser atual ou não.

Prezado @thiago_p , o vídeo creio ser de 2006. Na época eu falava das mulheres que não denunciam os agressores. Eu motivava a denúncia.

A resposta fez com que mais gente entrasse na discussão.

@alilianwho ,denunciar a agressão, pedir proteção, já é alguma coisa. Ficar paralisados pela complexidade da questão não é inteligente.

O BuzzFeed Brasil procurou o padre Fábio de Melo, que disse compreender o mal-entendido e reafirmou sua posição.

"O vídeo é de 2006. Na época eu chamava a atenção sobre o silêncio das mulheres na manutenção dos agressores. Eu salientava que, quando não há a denúncia, estamos, ainda que inconscientemente, reforçando o papel do agressor. Nunca fui adepto do discurso 'a culpa é da vítima'. É odioso pensar assim", declarou ele. "(Mas) quando não nos posicionamos, damos ao outro a autoridade sobre nós. Este é o grande erro".

Ao ser questionado se entendia o porquê do equívoco, o padre disse que sim, mas admitiu que a reação das redes é assustadora.

"O que me assusta é a postura das pessoas descredenciando minha luta pelos direitos humanos, tachando-me de misógino. [...] Fazer uma leitura hoje com uma palestra que tem 10 anos é desconsiderar o avanço que todo ser humano pode fazer em relação aos assuntos".

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