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Como quatro mulheres transformaram um caso de racismo em um movimento na internet

A partir de um vídeo que viralizou, elas criaram o canal “Estaremos Lá” para falar de inclusão e diálogo.

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Depois de passar por um episódio de racismo em um shopping de São Paulo, quatro mulheres fizeram um vídeo que já está com mais de um milhão de visualizações. Agora elas querem aproveitar a visibilidade para tentar mudar a cabeça das pessoas.

Facebook: video.php

Na praça de alimentação do shopping, uma senhora branca derrubou sua bandeja e, quando elas se ofereceram para ajudar a recolher, ouviram de volta um "não preciso de ajuda, só preciso que você limpe aqui". Aí elas correram para o banheiro, não para chorar mas para gravar este vídeo bem engraçado, com direito a imitação da tal senhora.

O vídeo termina com uma frase que virou hashtag e o nome da página das meninas: "estaremos lá".

Em entrevista ao BuzzFeed Brasil, Stella, Bia, Carol e Samantha contam que fizeram o vídeo apenas para desabafar sobre o fato com seu círculo de conhecidos. No dia em que o caso do shopping aconteceu, Stella havia recém ajudado o irmão de 15 a lidar com algo parecido, pois ele havia sido expulso sem razão de uma loja.

Elas contam que postaram o vídeo no sábado de manhã e que ao meio-dia ele já tinha mais de mil visualizações e logo começaram a ligar umas para a outras."Acredito que o crucial do vídeo, além de abordar o tema do racismo, é o jeito que falamos sobre isso, com leveza e humor", diz Carol. "Porque aquilo não foi um caso isolado, e nossa reação não foi ensaiada para o vídeo, mas é como a gente lida com as situações do nosso dia a dia, e foi isso que fez as pessoas se identificarem".
BuzzFeed Brasil

Elas contam que postaram o vídeo no sábado de manhã e que ao meio-dia ele já tinha mais de mil visualizações e logo começaram a ligar umas para a outras.

"Acredito que o crucial do vídeo, além de abordar o tema do racismo, é o jeito que falamos sobre isso, com leveza e humor", diz Carol. "Porque aquilo não foi um caso isolado, e nossa reação não foi ensaiada para o vídeo, mas é como a gente lida com as situações do nosso dia a dia, e foi isso que fez as pessoas se identificarem".

"Eu não tive vontade de destratar a pessoa, tive vontade de entender", conta Stella. "Queremos falar com quem reage assim e perguntar 'por que sua cabeça é assim? Você tem vontade de mudar? Vamos conversar!'", dizem Bia e Samantha.

As quatro meninas estão animadas com a repercussão e querem continuar abordando temas como inclusão social e diálogo entre pessoas que pensam diferente, tentando mudar formas de ver o mundo.“Não é vitimismo, não é mimimi. Se a gente for passar textão ou dar o troco para cada opressor que a gente encontrar, vamos passar a vida fazendo isso. A gente quer criar empatia, mostrar que as coisas podem não ser como você pensa”, diz Stella.
Facebook: Estaremos

As quatro meninas estão animadas com a repercussão e querem continuar abordando temas como inclusão social e diálogo entre pessoas que pensam diferente, tentando mudar formas de ver o mundo.

“Não é vitimismo, não é mimimi. Se a gente for passar textão ou dar o troco para cada opressor que a gente encontrar, vamos passar a vida fazendo isso. A gente quer criar empatia, mostrar que as coisas podem não ser como você pensa”, diz Stella.

Por causa do vídeo, foram convidadas para um encontro de influenciadores digitais negros na casa da consulesa da França no Brasil, Alexandra Loras, e já aproveitaram para fazer mais um vídeo no banheiro com participação especial da própria.

Veja este vídeo no YouTube

youtube.com

"A gente estava lá como influenciadoras digitais e nem tínhamos canal ainda!", dizem as meninas. Elas também fizeram uma transmissão no Canal das Bee, com quem vão continuar colaborando.

Foram tantas as mensagens e os comentários pedindo por mais vídeos que as quatro meninas, que se conhecem há cinco anos por frequentar a mesma igreja, decidiram criar um canal no YouTube e uma página no Facebook.

"Você não imagina quantas pessoas entraram em contato com a gente relatando casos parecidos, até de negros cujas próprias famílias não querem que eles usem tranças ou cabelo black. A internet chegou para que todos possam ter mais referências, porque para nós tem as negras globais, a Beyoncé, ou nada. A gente quer ser uma referência gente como a gente, igual às pessoas que nos seguem", explica Stella sobre o que o grupo quer fazer com os canais.
Facebook: Estaremos

"Você não imagina quantas pessoas entraram em contato com a gente relatando casos parecidos, até de negros cujas próprias famílias não querem que eles usem tranças ou cabelo black. A internet chegou para que todos possam ter mais referências, porque para nós tem as negras globais, a Beyoncé, ou nada. A gente quer ser uma referência gente como a gente, igual às pessoas que nos seguem", explica Stella sobre o que o grupo quer fazer com os canais.

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