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Funcionários do Facebook contestam versão da empresa sobre notícia falsa na eleição

Grupo pretende questionar o papel da rede social, por disseminar informações falsas, na vitória de Donald Trump. Na semana passada, Mark Zuckerberg disse que acreditar que notícias falsas no Facebook podem influenciar uma eleição é "uma ideia bem maluca".

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Funcionários do Facebook se reuniram em uma força-tarefa informal para questionar o papel que a rede social teve na vitória de Donald Trump, na semana passada, ao não combater a profusão de notícias falsas compartilhadas.

A movimentação ocorre no contexto de um debate nacional em relação à grande quantidade de informações falsas ou enganosas divulgadas nos Estados Unidos, país com 150 milhões de usuários no Facebook.

A força-tarefa, que segundo apurou o BuzzFeed News engloba funcionários de diversas áreas da empresa, já rebateu uma declaração feita pelo CEO e fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, em uma conferência na semana passada. Zuckerberg disse que argumentos de que notícias falsas no Facebook têm o poder de afetar uma eleição eram "uma ideia bem maluca".

"Não é uma ideia maluca. O que é maluco é ele [Zuckerberg] vir a público rejeitá-la dessa maneira, quando ele sabe, e todos na companhia sabem, que notícias falsas foram distribuídas aos montes durante toda a campanha eleitoral", disse um funcionário da empresa, que trabalha na área de engenharia.

Ele e outros quatro funcionários do Facebook que falaram ao BuzzFeed News pediram anonimato. Todos afirmam terem sido proibidos de falar com a mídia por seus superiores e têm medo de serem demitidos.

Os funcionários se recusaram a dar muitos detalhes sobre a força-tarefa. Um deles afirmou que "dezenas" de colegas estão envolvidos, e que o grupo se encontrou duas vezes nos últimos seis dias. Até agora, os encontros foram secretos, para permitir que os interessados pudessem falar livremente.

O grupo planeja formalizar suas reuniões internamente e, em algum momento, produzir uma lista de recomendações endereçada aos principais executivos do Facebook. Outro funcionário da empresa disse que, apesar de a força-tarefa ser pequena, "centenas" de outros funcionários expressaram descontentamento com a posição que o Facebook adotou em relação às notícias falsas e gostariam de contribuir com o grupo.

O BuzzFeed News entrou em contato com o Facebook para que a empresa comentasse, mas não obteve resposta.

Kevin Lamarque / Reuters

O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, cumprimenta o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante encontro de empreendedorismo na Universidade Stanford, em junho deste ano.

Em uma declaração à mídia, na semana passada, um porta-voz da companhia afirmou: "Apesar de o Facebook ter feito parte desta eleição, foi apenas um dos vários meios pelos quais as pessoas se informaram — e foi uma das muitas maneiras que as pessoas usaram para se conectar com seus líderes, engajar-se no processo político e compartilhar suas posições políticas".

Tendo a inesperada vitória de Trump como pano de fundo, os questionamentos sobre a responsabilidade do Facebook na disseminação de notícias falsas aumentaram. Quase metade dos adultos nos Estados Unidos confiam no Facebook como fonte de notícias, de acordo com um estudo do Pew Research Center.

Uma reportagem do BuzzFeed News revelou que as três maiores páginas de esquerda dos Estados Unidos no Facebook publicaram informações erradas em 20% dos posts, enquanto as páginas de direita o fizeram em 38% das vezes.

A reportagem conclui: "A melhor forma de atrair e aumentar sua audiência com conteúdo político na maior rede social do mundo é deixar os fatos de lado e jogar para a torcida ideológica usando informações falsas ou enganosas que vão simplesmente reforçar o que as pessoas já acreditam".

Os funcionários envolvidos na força-tarefa que falaram ao BuzzFeed News afirmaram que estão analisando se o Facebook dedicou todos os recursos disponíveis a combater notícias falsas, ou se a empresa usou apenas ferramentas que vasculham a rede social automaticamente em busca de conteúdo ofensivo.

"Há muito mais que poderíamos fazer usando as ferramentas que já temos à disposição para tirar do ar conteúdo ofensivo ou danoso", disse outro funcionário do Facebook, que trabalha na empresa como engenheiro há anos. "Nós nos dedicamos bastante a impedir que as pessoas postem nudez e violência, desde marcar automaticamente certos sites até avisar os usuários que determinado conteúdo fere os termos de uso."

Em uma atualização feita em janeiro de 2015, o Facebook prometeu que menos notícias falsas apareceriam nas timelines, com o lançamento de um botão para que os usuários pudessem reportar esse tipo de conteúdo. Desde então, a empresa se recusa a divulgar estatísticas que possam comprovar a eficácia da ferramenta.

Este post foi traduzido do inglês.

Sheera Frenkel is a cybersecurity correspondent for BuzzFeed News based in San Francisco. She has reported from Israel, Egypt, Jordan and across the Middle East. Her secure PGP fingerprint is 4A53 A35C 06BE 5339 E9B6 D54E 73A6 0F6A E252 A50F

Contact Sheera Frenkel at sheera.frenkel@buzzfeed.com.

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