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PMDB ameaça expulsar quem votar contra Temer, mas não pune seus presos

Sigla fechou questão para punir quem for favorável ao andamento da denúncia contra Michel Temer, mas seus filiados presos – como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Henrique Eduardo Alves – seguem sem punição.

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Após o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) ter feito um parecer favorável ao prosseguimento da denúncia contra Michel Temer, seu partido decidiu fechar questão sobre e tema.

Na prática, quer punir parlamentares que, em agosto no plenário, resolverem votar para tirar Temer da presidência.

A punição vai desde uma suspensão das atividades parlamentares à expulsão da sigla.

Aparentemente, para o PMDB, votar contra Michel Temer é algo muito mais grave que ter sido apanhado e preso pela Lava Jato ou por outras operações policiais.

Enquanto ameaça seus deputados na votação sobre a denúncia, a sigla até hoje nada fez contra seus presos mais famosos.

O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, por exemplo, está preso desde outubro passado e já foi condenado a 15 anos de prisão pelo juiz Sergio Moro.

Ele não foi expulso do PMDB.

Há também nos quadros da sigla o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral, preso desde novembro passado e já condenado a 14 anos de prisão em um dos diversos processos a que responde.

O PMDB não o expulsou.

Outro filiado é o ex-ministro Henrique Eduardo Alves. Ele está preso preventivamente desde o início de junho por supostos desvios na construção de um dos estádios da Copa e em recursos da Caixa.

O partido não promoveu sua exclusão.

Outro caso é do ex-ministro Geddel Viera Lima, que passou no início do mês uma curta temporada na Papuda e hoje está em prisão domiciliar acusado de obstruir a Justiça ao tentar impedir que o doleiro Lúcio Funaro fechasse um acordo de delação premiada.

Como seus correligionários acima, não foi punido pelo PMDB com sua exclusão da sigla.

Há ainda o caso do ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa. Ele ficou no presídio por 21 meses e hoje está em prisão domiciliar por ter desviado recursos públicos para pagar dívidas de campanha.

Também não foi expulso do PMDB.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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