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Senadores de oposição querem dissecar a relação entre Alexandre de Moraes e Eduardo Cunha

Indicado para o STF, ministro da Justiça manteve escritório de advocacia por 4 anos. Entre seus clientes, teve ex-presidente da Câmara preso pela Lava Jato e uma cooperativa ligada ao PCC.

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Responsáveis por aprovar a indicação de Alexandre de Moraes para o STF, alguns senadores da oposição querem entender melhor parte da vida do ministro da Justiça, mais precisamente os quatro anos que manteve funcionando seu escritório de advocacia.

O foco é um dos clientes famosos do ministro, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que foi preso pela Lava Jato no ano passado.

Em processo no STF, Moraes conseguiu absolver o então parlamentar que era acusado de ter usado um documento falso para paralisar uma investigação no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Senado, a oposição vai questionar o contrato de Moraes com Cunha para saber valores, serviços efetivamente prestados e como o pagamento foi feito.

Os senadores ainda avaliam se farão um pedido de informação logo após a indicação formal de Moraes ou se vão aguardar a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça para fazer os questionamentos.

Além da relação com Cunha, também há dúvidas sobre a construção do patrimônio do ministro.

O BuzzFeed Brasil mostrou nesta segunda-feira que Moraes acumulou patrimônio milionário enquanto estava no serviço público, tendo adquirido oito imóveis por R$ 4,5 milhões, incluindo dois apartamentos de luxo.

Para o senador Roberto Requião (PMDB-PR), a indicação de Moraes mostra o nível “de esculhambação no país”. Segundo ele, o ministro deveria ser impedido de ir ao STF por sua relação com Eduardo Cunha.

Questionado sobre o fato de Moraes também ter advogado para uma cooperativa ligada ao PCC, como muitos internautas tem lembrado nesta segunda, o senador disse que neste caso não há irregularidades, uma vez que o escritório do ministro atuou para a empresa e não para as pessoas ligadas ao crime.

Quem também criticou a indicação de Moraes foi o senador Cristovam Buarque (PPS-DF).

Segundo ele, Temer perdeu a chance de indicar um ministro para o STF que “fosse aplaudido por todos”.

O parlamentar ainda destacou que Moraes, caso tenha seu nome aprovado pelo Senado, será o revisor da Lava Jato no plenário do STF. Por isso, a indicação não deveria ter sido feita.

Veja mais:

Alexandre de Moraes acumulou patrimônio milionário no serviço público

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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