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Ministros falam em ataque ensaiado de Barroso e esperam revide de Gilmar

Os grupos do Supremo, hoje dividido entre “justiceiros" e "garantistas”, deverão acirrar os debates públicos.

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Ministros do STF acreditam que o bate boca entre Luís Roberto Barroso e Gilmar Mendes deve ampliar o racha na corte e, apesar da atuação da turma do "deixa disso", não deve ter um final célere nem feliz.

Num cenário de ainda mais desgaste, avalia-se que até mesmo processos de impeachment contra ministros do STF podem caminhar no Senado devido à divisão e ao empoderamento — com decisões sobre o afastamento de congressistas — do Supremo.

As percepções de integrantes do STF sobre a mais recente rusga são as seguintes:

- Barroso, que vinha sendo provocado por Gilmar praticamente desde que assumiu a cadeira no STF, estava com um discurso preparado contra o colega e só aguardava o momento para o ataque;

- Gilmar, mesmo dizendo a seus interlocutores que embates são normais no STF, entendeu os ataques como pessoais e vai retaliar;

- Os grupos do Supremo, hoje dividido entre – nas palavras de alguns ministros – “justiceiros e garantistas”, deverão acirrar os debates públicos.

No STF, à medida que a Lava Jato foi ganhando corpo, antigos inimigos se alinharam e novos ministros se uniram.

Na corte, inimigos da turma de Barroso dizem que ele lidera o grupo dos “justiceiros” ou dos “moralistas”. Seriam eles, na prática, ministros que querem punir criminosos do colarinho branco.

Além de Barroso, fazem parte da turma Edson Fachin e Rosa Weber. Dizem ainda que Fux também é um integrante do grupo, mas principalmente para se alinhar ao que entendem ser uma pressão vinda da linha editorial da rede Globo.

Outros dois próximos aos "justiceiros" seriam Celso de Mello e a presidente da corte, Cármen Lúcia. Ela, avaliam, também flutua em algumas posições (foi, por exemplo, favorável a Aécio Neves quando ele teve seu mandato suspenso).

Por outro lado, entre os "garantistas", ou, como dizem os adversários, os “lenientes" com crimes de colarinho branco, estão o novato Alexandre de Moraes, egresso do PSDB e do governo Michel Temer, Dias Toffoli e o antigo inimigo de Gilmar Mendes no mensalão, Ricardo Lewandowski.

A expectativa da maioria dos ministros é que Gilmar Mendes, dada a repercussão que o bate-boca gerou, siga provocando Barroso — e, dessa vez, sem improviso. Ele já estaria preparando discursos contra o desafeto.

Nos bastidores do STF ainda é dito que, devido ao trânsito de Gilmar Mendes, que mantém diálogos frequentes com Michel Temer e com diversos senadores e deputados, é grande a chance de o mundo político tomar as suas dores.

Ou seja: fazer com que algum processo de impeachment contra ministros do STF tramite.

Tal ação seria um recado direto ao Supremo para dizer que, da mesma forma que congressistas podem ser afastados por decisões do STF, o mesmo pode acontecer com os ministros a partir de decisões do Senado.

E, por uma ironia do destino, apesar de a briga mais recente ter como protagonistas Barroso e Gilmar, a carga pode sobrar para Luiz Fux.

Diferentemente de Gilmar, Fux tem se manifestado publicamente (e também em suas decisões) contra congressistas, e há no Senado um pedido de impeachment contra ele.

No dia da votação que definiu a manutenção do mandato de Aécio Neves (PSDB-MG), o senador Magno Malta (PR-ES) disse, com todas as letras, que havia chegado a hora de o Senado analisar o impeachment de algum ministro do STF.

Na avaliação de integrantes do STF, o último embate pode ter levado o Senado a entender que esse dia chegou.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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