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Joesley e Saud gravaram Cardozo e arquivo está fora do Brasil

Antes de serem presos, delatores também disseram que um contrato fictício de R$ 80 mil ao mês foi firmado com escritório de sócio do ex-ministro.

publicado

Nos depoimentos que prestaram à PGR antes de serem presos, os executivos da J&F Joesley Batista e Ricardo Saud disseram que o ex-ministro José Eduardo Cardozo foi gravado.

Além disso, também contaram que um contrato fictício de R$ 80 mil mensais foi firmado com um escritório de advocacia de Marco Aurélio Carvalho, atual sócio de Cardozo.

De acordo com a dupla, a conversa, apesar de tratar da Lava Jato, não continha nenhum crime, por isso não teria sido entregue ao Ministério Público e acabou sendo levada por Joesley para fora do Brasil.

O empresário ainda disse que o escritório de Carvalho emitia mensalmente notas de R$ 70 mil ou R$ 80 mil para contratos fictícios e que parte do dinheiro iria, segundo o próprio Carvalho, para Cardozo, algo que Joesley nunca confirmou pessoalmente.

Joesley sobre contrato fictício com escritório e pagamentos de R$ 80 mil para, segundo acredita, agradar o ex-minis… https://t.co/dExzX8FDUY

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Nos depoimentos, Joesley e Saud dizem diversas vezes que fizeram elucubrações ou mentiram sobre ministros do STF por estarem bêbados.

Eles também negaram que o ex-procurador da República Marcello Miller os orientou a gravar o presidente Michel Temer ou obter algum tipo de prova específica para o acordo de delação que negociaram com a PGR.

No procedimento que investiga a participação de Miller e possíveis crimes e provas que teriam sido ocultadas por Joesley em seu acordo de colaboração também foram juntados e-mails do escritório de advocacia que trabalhou na leniência da JBS.

Neles é possível se ver o relacionamento de Miller com a banca desde fevereiro. Ao sair formalmente do Ministério Público, em abril, ele foi contratado pelo escritório, chamado Trench, Rossi e Watanabe.

Miller só deixou oficialmente o Ministério Público Federal no dia 5 de abril, quando passou a trabalhar no Trench R… https://t.co/WclEk38TUQ

Para além da prisão, o áudio de mais de quatro horas gravado sem querer por Joesley de sua conversa com Saud rendeu outros problemas.

Como a trechos que falam sobre sexo, Saud, segundo ele, acabou sendo colocado para fora de casa por sua mulher.

OUTRO LADO

José Eduardo Cardozo divulgou uma nota sobre o episódio.

Relativamente às declarações do Sr. Joesley Batista e Ricardo Saud divulgadas no dia de hoje, tenho a esclarecer que:

1. Em março desse ano (oito meses após ter deixado o governo federal), meu escritório de advocacia foi procurado pela empresa JB&S com o objetivo de contratar serviços profissionais. Por esta razão, compareci em um jantar, acompanhado do meu atual sócio Marco Aurélio Carvalho (que já havia advogado no passado para a empresa), na casa de Joesley Batista, na condição de advogados, para conversarmos sobre uma eventual contratação. Nesse jantar também estava presente o Sr. Ricardo Saud.

2. Embora eu esteja submetido a sigilo profissional em relação às conversas mantidas ao longo daquele jantar, posso afirmar que não envolveram, em absoluto, qualquer ato ilícito. Afirmo também, peremptoriamente, que jamais disse, nessa oportunidade, ou em qualquer outra, que como advogado teria facilidade de obter sentenças favoráveis a quaisquer dos meus clientes no STF.

3. Com indignação soube, pela imprensa, que áudios atribuídos a delatores relatavam o fato de que a tentativa da minha contratação não passaria de uma possível “armadilha”, com o objetivo de me trazer constrangimentos, e de se buscar atingir a honorabilidade de Ministros da nossa Suprema Corte.

4. No que diz respeito a anterior contrato de prestação de serviços mantido, no passado, pelo meu atual sócio, Dr. Marco Aurélio Carvalho, observo que este se referia a outro escritório de advocacia, distinto do atual que integro hoje, com composição societária completamente diversa.

5. É com surpresa e indignação, ainda, que tomo conhecimento, pela imprensa, de que o Sr. Joesley afirmou que teria celebrado um contrato “fictício” com o advogado Marco Aurélio Carvalho, do qual nunca fui sócio até o presente ano, e que este advogado teria ainda dito que uma parte do dinheiro me seria enviada. A respeito esclareço que:

a) esta afirmação contraria claramente o depoimento gravado que o Sr. Ricardo Saud prestou à PGR (termo 32 e anexo 38 do acordo de delação), onde ele não só não afirma isso, mas como também deixa claro a total ausência de meu envolvimento com esse contrato ou com qualquer situação dele decorrente;

b) nunca, na condição de Ministro da Justiça tomei qualquer decisão, pratiquei ou deixei de fazer qualquer ato em atendimento a pleitos da JB&S, nem recebi qualquer pleito da empresa pelo advogado Marco Aurélio Carvalho (alias, o próprio depoente afirma isso no acordo de delação – termo 32 -anexo 38)

c) segundo me foi demonstrado após o acordo de delação, o referido contrato nunca foi fictício, tendo como contraprestação serviços de advocacia regularmente prestados, não existindo qualquer razão, portanto, para que se dê a menor credibilidade às palavras do Sr. Joesley, nesse caso, em relação à referência indevida que faz ao Dr. Marco Aurelio Carvalho, pessoa em quem deposito plena confiança pessoal.


Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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