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Há 100 anos o Brasil declarava guerra à Alemanha

País entrou na Primeira Guerra Mundial após ter navios mercantes torpedeados por submarinos alemães.

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Há 100 anos, em 26 de outubro de 1917, o presidente Venceslau Brás assinou decreto aprovado pelo Congresso Nacional e fez com que o Brasil entrasse na Primeira Guerra Mundial.

No centro, Venceslau Brás. À sua direita, Nilo Peçanha.
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No centro, Venceslau Brás. À sua direita, Nilo Peçanha.

O país, que nos três primeiros anos do conflito havia adotado a posição de neutralidade, resolveu ir para a guerra após submarinos alemães torpedearem navios mercantes brasileiros. Houve pressão popular e o Brasil se aliou à Inglaterra, ao Império Russo, à França e aos EUA contra os impérios Alemão e Austro-Húngaro.

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A participação do Brasil na guerra foi mais simbólica e política do que necessariamente relevante do ponto de vista militar. Entre os esforços, o país enviou uma Divisão Naval de Operações de Guerra (DNOG), formada por oito navios e destinada a operar com a marinha britânica.

O problema é que, entre dificuldades mecânicas e um surto de gripe espanhola, que resultou na morte de 156 tripulantes, a divisão naval acabou não tendo participação no combate.

Poucos dias antes do cessar-fogo, o cruzador Bahia, acreditando ter identificado submarinos alemães, abriu fogo e acabou por matar dezenas de golfinhos.

Em vez de inimigos, o cruzador Bahia acabou matando golfinhos.
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Em vez de inimigos, o cruzador Bahia acabou matando golfinhos.

Além da divisão naval, também foram enviados oficialmente 13 aviadores para a Inglaterra e mais um grupo de 24 oficiais para atuarem ao lado do Exército francês em missões de observação e treinamento. Alguns se destacaram e chegaram a receber uma alta condecoração, a medalha da Legião da Honra, como foi o caso de Gustave Gelas. Em especial sobre a guerra, o jornal "O Estado de S. Paulo" revelou o combatente.

"Em 20 de agosto de 1917, combateu com coragem admirável e tomou sozinho uma trincheira, obrigando dez inimigos a entregar as armas. Ferido por três estilhaços de obus, recusou-se formalmente a ser evacuado", registram documentos da Legião Estrangeira da França a respeito do tenente Gustave Gelas. Os relatórios continuam: "Suboficial de elite, voluntário alistado para a Grande Guerra. De uma bravura à beira da temeridade, distinguiu-se em cada caso no qual participou por sua coragem e suas realizações."

Brasileiros rumo à guerra.
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Brasileiros rumo à guerra.

Outra contribuição do Brasil foi o envio de uma equipe de saúde com cerca de cem médicos e dezenas de enfermeiras e auxiliares para a França, onde foi montado um hospital para atender não só os combatentes, mas também as populações atingidas pela guerra em diversas áreas no entorno de Paris.

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Quando acabou a guerra, o hospital foi doado pelo Brasil à França e até hoje pode ser visto em Paris, onde funciona com o nome de “Hospital Vaugirard”. O local, apesar disso, ainda exibe a antiga placa de bronze com o nome “Hôpital Brésilien”.

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Ao final, conflito durou quatro anos, três meses e 14 dias, mobilizou mais de 60 milhões de combatentes e deixou quase 9 milhões de civis e militares mortos, além de 20 milhões de feridos, em um dos piores momentos da história da humanidade.

A data do ingresso do Brasil no conflito foi lembrada hoje no plenário da Câmara dos Deputados pelo líder do DEM na Casa, Efraim Filho (PB).

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Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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