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Geddel tem "boka de jacaré" pra receber e é "carneirinho pra trabalhar", reclamam operadores

Nas mensagens que levaram à operação Cui Bono, operadores tramam liberação de recursos de Caixa em esquema que a PF viu indícios de pagamento de propina a peemedebistas.

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Dois operadores do deputado cassado Eduardo Cunha que caíram na Lava Jato em 2016, Lúcio Funaro (preso desde julho) e o ex-vice-presidente de loterias da Caixa Fábio Cleto (hoje delator) reclamam da morosidade de Geddel Vieira Lima, então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, para liberar R$ 300 milhões de um empréstimo para empresas da família Constantino (fundadora da Gol).

O empréstimo era destinado à BR Vias, dos Constantino.

No ano passado, a revista Época havia publicado trechos dos diálogos entre Funaro e Cleto. Leia aqui.

As mensagens estão na origem da operação Cui Bono? ("a quem beneficia?", em latim), que apura um esquema de pagamento de propina na vice-presidência ocupada por Geddel entre 2011 e 2013 em troca de liberação de empréstimos milionários para grandes empresas.

O BuzzFeed Brasil também conseguiu acesso ao relatório da PF com trechos das mensagens.

Na conversa do dia 5 de abril de 2012, Funaro usa o codinome Lucky e Cleto se esconde sob o apelido de Gordon Gekko.

Funaro se refere a Geddel como "porco" e "folgado do caralho" e ameaça "fuder ele no Michel", se ele não resolver [o empréstimo para Henrique Constantino]. Michel, no caso, seria o então vice-presidente da República Michel Temer.

Poucos minutos depois, Funaro reclama do comportamento de Geddel, que tem "boka de jacaré" para receber e é um "carneirinho" para trabalhar.

Funaro, por sinal, usa a letra K no lugar do C em outro momento, como em "boka de jacaré". Veja outro trecho:

Dias depois, o empréstimo continua emperrado. Tanto Funaro como Cleto usam a expressão "minha arca" para delimitar sua alçada de operação. Reclamam que os departamentos da Caixa não conversam entre si. E que a situação vai resultar em uma "cagada grande".

Em troca de mensagens com Cunha, Geddel mostra empenho em resolver um pedido de empréstimo da Seara e outro da Marfrig, em 2012, quando a Seara ainda pertencia ao grupo Marfrig. Mas não encontra o pedido de dinheiro da empresa, que seria de R$1 bilhão. "Vou virar essa zorra de cabeça para baixo", diz Geddel.

OUTRO LADO

A defesa de Geddel Viera Lima enviou ao BuzzFeed Brasil uma nota sobre a operação desta sexta-feira 13. Veja abaixo:

"A defesa técnica de Geddel Viera Lima esclarece que a malfadada operação decorre de ilações e meras suposições não comprovadas. A apressada decisão não traz qualquer fundamento idôneo que justificasse a medida. Além disso, não há indicação pela Polícia ou MPF de qualquer fato/elemento concreto que pudesse representar corrupção ou lavagem de dinheiro, até porque tais atos jamais foram praticados por Geddel Viera Lima. Nem mesmo o ficcional relatório da autoridade policial, reconhecidamente repleto de suposições, aponta concretamente qualquer valor que tivesse sido recebido por Geddel Viera Lima. Geddel NADA recebeu. Informa que está, como sempre esteve, à disposição das autoridades para qualquer esclarecimento. Por fim, a defesa informa que autoriza a publicação/divulgação desta nota em sua integralidade.

Salvador, 13 de janeiro de 2017 - Gamil Föppel - Advogado"

Veja mais:

Estas são as empresas suspeitas de pagar propina a Geddel e Cunha

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

Tatiana Farah é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ela pelo email tatiana.farah@buzzfeed.com.

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