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Temer tenta fugir da crise política e quer começar 2017 com novas medidas na economia

Presidente considera que anúncios semanais sobre reformas econômicas foram bem-sucedidos para tirar a crise política do noticiário.

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Passada a primeira leva de delações da Odebrecht (e tendo o governo sobrevivido), Michel Temer está feliz.

Ueslei Marcelino / Reuters

O presidente tem dito a interlocutores que suas reclamações sobre vazamentos da Lava Jato e especialmente a estratégia de anunciar periodicamente medidas sobre macro e microeconomia funcionaram bem no final deste ano e conseguiram alterar o noticiário, que tratava majoritariamente de delações premiadas e da crise política em seu governo.

Nos últimos dias, Temer tem recebido ligações de empresários que, mesmo não completamente satisfeitos com os anúncios, elogiaram os esforços do governo.

Na semana passada, por exemplo, quem lhe telefonou para dizer que as coisas começavam a caminhar corretamente foi o empresário Abílio Diniz.

Divulgação / Via abiliodiniz.com.br

Vendo a estratégia dar certo, Temer quer seguir na toada.

A ideia do governo é encerrar o ano com o Banco Central editando normativas para a redução dos juros dos cartões de crédito e entrar 2017 com novos anúncios já em janeiro.

O desejo de Temer, no entanto, dará bastante trabalho para a equipe econômica.

Dentro do governo, ninguém sabe dizer ainda ao certo que novas medidas (após as já apresentadas) podem ser propostas para aquecer, especialmente, a microeconomia, permitindo que o dinheiro volte a circular de maneira rápida no comércio.

Temer e Meirelles
Ueslei Marcelino / Reuters

Temer e Meirelles

Mas, a ordem de Temer é que Henrique Meirelles (Fazenda) e a dupla do ministério do Planejamento Dyogo Oliveira e Romero Jucá apareçam com soluções e programas que possam ser anunciados para evitar que brigas na base aliada no Congresso, a Lava Jato e a crise política voltem a ser destaque nos jornais.

No melhor dos mundos, o presidente quer em junho, ou no mais tardar em julho, dizer que a economia voltou a crescer.

O governo sabe que, no Brasil das delações premiadas e de processos de cassação na Justiça Eleitoral, não é fácil se prever o dia de amanhã. Mas, este é o plano que o governo tem para o momento.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at severino.motta@BuzzFeed.com.

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