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Em depoimento com olhos marejados, Lula misturou defesa com palanque

"Fui quase o presidente mais importante do mundo nos primeiros 10 anos do século 21", disse o ex-presidente prestou depoimento à Justiça Federal no processo em que é réu por obstrução à Lava Jato.

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Um grande esquema de segurança foi montado nesta manhã numa das ruas da Asa Norte, no Plano Piloto — área central de Brasília.

Quem passava pelo local se deparava com policiais e barreiras de veículos. Os mais curiosos perguntavam aos guardas o que estava acontecendo por ali. Ouviam que tinha alguma coisa a ver com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na verdade, na rua se encontra um dos prédios da Justiça Federal. Nele, Lula chegou por volta das 9h50 para prestar um depoimento em processo que responde como réu junto a Delcídio do Amaral e ao pecuarista José Carlos Bumlai, entre outros.

Eles são acusados de tentaram obstruir a Lava Jato subornando o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele inocentasse algumas pessoas em sua delação premiada.

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A presença de Lula na audiência, que era pública e pôde ser acompanhada por cerca de 50 pessoas na sala e outras 50 num anexo com televisão, serviu para que o ex-presidente fizesse não somente sua defesa processual.

Ele aproveitou a ocasião para defender seu governo e repetir o que vem dizendo em alguns eventos públicos: que é inocente das acusações da Lava Jato e mais que ninguém quer que a verdade venha à tona.

Sobre o processo, Lula disse que a única pessoa com interesse de evitar uma delação de Cerveró era o próprio Delcídio, uma vez que a relação do ex-diretor da Petrobras se dava com o ex-senador.

Falou ainda que nunca combinou com Delcídio nenhum tipo de pagamento ou outro mecanismo para evitar a delação, por isso deveria ser inocentado.

Fora a questão processual, Lula aproveitou o microfone da Justiça para fazer seus tradicionais discursos.

Disse que foi um dos presidentes mais importantes dos primeiros 10 anos do século 21 e que as pessoas não entendem como funciona um governo de coalização, quando pessoas assumem postos chaves na nação a pedidos de partidos.

Da metade para o fim da audiência, embargou a voz e marejou os olhos quando disse que estava cansado de tantas acusações e queria provas que o incriminassem.

Falou que a imprensa o massacra, que o Jornal Nacional fez diversas matérias negativas a seu respeito, que a cada delator os jornais dizem que em breve ele será preso e que não aguenta mais acordar ou imaginar a imprensa na porta de sua casa aguardando uma iminente detenção.

Lula ainda reclamou ainda dos procuradores do Ministério Público Federal e tentou repetir a frase — que virou meme e depois foi desmentida — de que contra ele os procuradores não possuíam provas, mas convicção.

O depoimento de Lula foi o último desta fase do processo. Nos próximos dias acusação e defesa entregarão suas alegações finais e o juiz poderá dizer quem é culpado e quem é inocente neste caso da Lava Jato.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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