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Distritão, modelo que beneficia os atuais deputados, ganha força na reforma política

Além disso, há briga se fundo para financiar campanhas deve ter R$ 3,5 ou 4 bilhões. Recurso público em campanha virou prioridade dos políticos desde que financiamento empresarial foi banido. Votação deve ser nesta quarta.

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Ao mesmo tempo em que o chamado distritão ganha força nos bastidores do Congresso, líderes partidários resolveram deixar para amanhã a votação do texto que altera regras para as próximas eleições.

De hoje para amanhã partidos vão se reunir para encontrar pontos de consenso. Nesta noite ainda haverá um jantar na casa do presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), onde integrantes da Casa e da Câmara vão tentar entrar em sintonia para evitar que a reforma seja alterada e tenha sua tramitação prejudicada.

Apesar do atraso de um dia, o presidente da comissão na Câmara, Lúcio Viera Lima (PMDB-BA), diz que não haverá prejuízos à reforma. Segundo ele, fazer a votação na quarta, mas com o jogo previamente combinado, irá dar agilidade ao projeto.

E velocidade é justamente o que os parlamentares precisam se quiserem alterar as regras eleitorais.

Para valer já no pleito do ano que vem, as propostas devem ser aprovadas até o final de setembro.

Nos bastidores, ganha força o chamado distritão, que elege para a Câmara os deputados mais votados de cada Estado.

O sistema é hoje visto pela maioria da Câmara como o que tem maior chance de ser aprovado justamente por favorecer os atuais parlamentares.

Já conhecidos e com a máquina partidária nas mãos, a tendência é que boa parte dos deputados consiga ser reeleito, por isso a preferência pelo sistema.

Além disso, a reforma converge para outros pontos.

Um deles é a criação de um fundo para o financiamento das campanhas. Parte dos parlamentares defende R$ 3,5 bilhões para tal finalidade. Outra parte quer R$ 4 bilhões.

Também deve ser aprovado o fim das coligações e a instituição de uma cláusula de barreira.

Para que os partidos possam seguir existindo, teriam que ter em 2018 pelo menos 1,5% dos votos para a Câmara. Esse número subiria para 2% em 2022, 2,5% em 2026 e 3% a partir de 2030.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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