back to top

Citações a Aécio devem ser excluídas de processo contra Dilma-Temer no TSE

Relator Herman Benjamin tende a excluir trechos que não digam respeito ao objeto da ação. Alegações de que aliados do tucano foram beneficiados com R$ 9 milhões de caixa 2 da Odebrecht podem dar origem a nova apuração.

publicado

Quem esteve na audiência da ação que corre contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral nesta segunda (6) viu sinais de que o relator, ministro Herman Benjamin, vai excluir dos autos perguntas e respostas que não dizem respeito à chapa Dilma-Temer.

Um dos trechos que deve ser cortado e vai sumir das páginas do processo diz respeito às respostas dadas na semana passada pelo ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, o BJ, sobre o senador Aécio Neves (PSDB).

Em seu depoimento, o ex-executivo disse que Aécio havia pedido dinheiro para a Odebrecht e que, após uma negativa, solicitou pelo menos recursos para candidaturas por ele apoiadas. Após o pedido, a Odebrecht teria doado R$ 9 milhões, via caixa 2, para tais candidaturas de aliados do tucano.

Ainda na semana passada, Aécio disse que, como líder partidário, solicitou recursos para campanhas, mas nunca pediu nada fora da lei e nem caixa 2.

Benjamin considera como alheias ao caso da chapa Dilma-Temer as menções à chapa de Aécio. Derrotado em 2014, Aécio não poderia ter suas relações com a Odebrecht dissecadas num processo aberto para tratar de outra acusação.

No âmbito criminal, o tucano entrou na alça de mira da Lava Jato. Na semana passada, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu para ouvir Aécio em um inquérito sobre corrupção envolvendo Furnas, estatal do sistema elétrico.

A delação dos ex-dirigentes da Odebrecht também implica o tucano com alegações de propina na obra da Cidade Administrativa de Minas Gerais – projeto que foi a vitrine dos 8 anos de Aécio como governador (2003-2010). A obra custou R$ 1,7 bilhão, segundo o governo mineiro.

Principal algoz de Aécio, Benedicto Júnior afirmou que se reuniu com o então governador para tratar de um esquema de pagamentos, ainda na fase de licitação do conjunto administrativo, para favorecer grandes empreiteiras.

Pelo depoimento de BJ, do qual alguns trechos foram publicados pelo jornal Folha de S.Paulo, Aécio teria orientado as empreiteiras a procurarem Oswaldo Borges da Costa Filho, o Oswaldinho, uma espécie de tesoureiro informal do tucano.

A propina na obra mineira teria abrangido entre 2,5% e 3% sobre o total dos contratos. Quando a suspeita veio à tona, Aécio repudiou o teor do relato de Benedicto Júnior e defendeu o fim do sigilo sobre as delações.

Veja mais:

Após pedido de Aécio, delator diz que R$ 9 milhões saíram do caixa 2 da Odebrecht para aliados do tucano

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Severino Motta at .

Got a confidential tip? Submit it here.