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12 histórias que só poderiam ter acontecido no Rio de Janeiro

O melhor do Rio é o carioca.

publicado

Fica ruim pra você?, por Magê Flores

"No balcão de informações do Santos Dumont:

-- Por favor, tem caixa do Bradesco aqui?

-- Tem uma agência lá em cima, tá vendo?

-- Sim, obrigada.

Caminho naquela direção.

-- Psiu!

Eu volto.

-- Você tem conta no Bradesco?

-- Tenho.

-- Pode pagar uma conta pra mim? Eu tenho dinheiro aqui. É que eu não sou cliente. Aí você paga no caixa-eletrônico mesmo. Fica ruim pra você?

Juro por Deus."

Marquei um churrasco, por Gabriel Trigueiro

"Nextel do taxista toca. Taxista pergunta quem é que tá falando. Uma voz de barítono do outro lado responde: 'TEU MARIDO PRETO!!!!!11 heuheuheuheu'

Daí o taxista fala: 'Calma aí que já te mando um zap.'

Desligou e me deu o celular pra digitar pra ele. Daí, a pedido dele, marquei um churrasco em Caxias e acertei quem levava o quê."

Marronzinho, por Flávio Gaspar

"Eu sou de São Paulo e me mudei para o Rio faz um ano.

Um dia estava dirigindo sem cinto de segurança, pois só estava dando uma volta no quarteirão para achar uma vaga.

Vi um marronzinho mexendo no 'Palm' igual aos de São Paulo, que são sanguinários. Parei e disse:

-- Meu amigo, me multa não! Vou perder a carta...

Aí ele me olha e fala:

-- Tô multando não, tô no zap, porra."

Engarrafamento, por Fernanda Candido

"Uma vez fiquei num engarrafamento pós praia lá na Barra. O trânsito não andava nem um centímetro.

De repente as pessoas começaram a sair dos carros, colocaram pagode bem alto, compartilharam cerveja com as pessoas dos carros do lado. Arrumaram uma bola e começou um futebol entre os carros.

Tornou-se um quase churrasco em família entre uns 20 carros. Lindo!

Quando o trânsito andou todo mundo ficou triste."

A máquina, por Livia Simões

"Um dia eu estava no ônibus e o trajeto passava na frente da casa do motorista.

Por coincidência, a máquina de lavar que ele tinha comprado estava chegando na hora em que ele passou.

Ele estacionou o ônibus e recebeu a máquina. Depois voltou ao ônibus pedindo desculpas e disse: 'Depois eles demoram pra voltar aqui...'"

O viking e o sueco vestido de índio, por Vinícius Augusto Pontes

"No Carnaval deste ano, indo do Méier ao Centro no ônibus 455. A CET-Rio tinha fechado a avenida Presidente Vargas e desviado o trânsito pela rodoviária Novo Rio.

O motorista era um pernambucano que morava no Rio há pouco tempo, havia sido recém contratado pela empresa e não conhecia nenhum caminho alternativo.

Eu, que moro em Florianópolis desde 2006, estava no busão fantasiado de viking e um amigo sueco, que foi passar férias no Rio, vestido de índio, tivemos que guiar o busão, orientando o piloto a pegar o caminho por trás do Morro da Providência.

Chegando à Central, descemos, dei mais algumas orientações ao motorista, e uma coroa vendedora ambulante que estava dentro do ônibus, para ir trabalhar em Copacabana, nos presenteou com dois latões de Itaipava."

Pão do quê?, por Guilherme Fani

"Um gringo já me perguntou uma vez se o 513 (Botafogo x Urca) passava no 'Pão de Chuca'. Quando eu consegui parar de rir, respondi que sim."

Plataforma lotada, por Carolina Silva da Silva

"Eram 7 horas da manhã. A plataforma do metrô estava lotada, impossível de entrar no vagão. Fiquei esperando algum passar mais vazio e pensando: 'Hoje não chego ao trabalho...'

Uma menina para do meu lado e fala: 'Tá vindo cheio, né?!'

Eu confirmo com a cabeça e continuo esperando.

Chega mais uma composição, e a menina começa a tomar distância, quase indo parar na outra ponta. Quando a porta do metrô abriu, a garota saiu correndo e se jogou por cima das pessoas.

Fiquei parada, olhando embasbacada, as pessoas segurando-a no alto, como se fosse um astro do rock.

Ouvi o 'piiiiiii' das portas se fechando, o pessoal acomodando a menina no espaço inexistente dentro do vagão e eu continuei na plataforma, vendo a composição partir e pensando: 'Isso realmente aconteceu?'"

A galera é foda, por João Luis Jr.

"Daí que eu tinha saído do futebol lá na Tijuca e entrei no metrô. No rosto aquele cansaço e aquele desespero que apenas o atleta de meio de semana e o jogador profissional Márcio Araújo conseguem demonstrar, o corpo como uma imensa Pokébola contendo dentro dela um Pokémon chamado 'dor' que falaria apenas 'dor, dor, dor dor... arrependimento!'.

Por ser a primeira estação as cadeiras tão vazias, sem aquele dilema moral de sentar ou não, então pego uma cadeira perto do final do vagão, me sento, coloco minha mochila do lado, vou dar aquela respirada funda que apenas pessoas cansadas e psicopatas de filme dão, e o metrô vai chegando na segunda estação. Logo após ele chegar, eu, já respirando normalmente, decido pegar um livro na mochila e começo um elaborado processo de busca arqueológica porque apenas vou jogando as coisas lá dentro, sem muito critério.

É aí então que ouço a porta do fundo do vagão se abrindo -- não era daqueles vagões novos, vazados, era dos vagões antigos, com portinha de maçaneta -- mas sigo na busca pelo livro, que aparentemente se colocou entre uma cueca e meu tênis de ir pro trabalho. E aí eu, olhando na direção contrária, ouço o cara que acabou de entrar no vagão gritar bem alto:

'QUEM TIVER DINHEIRO NA CARTEIRA AÍ JÁ PODE IR SEPARANDO PRA ME PASSAR, NADA DE GRACINHA, PODE SEPARAR...'

E aí o tempo, num fenômeno que eu, que tranquei a faculdade de Ciência no terceiro período, só posso classificar como 'muito doido', se dilata mas também se comprime. Se dilata porque eu tive tempo de pensar cerca de mil vezes o mantra 'perdi tudo, vou morrer, perdi tudo, vou morrer, perdi tudo, vou morrer' e comprime porque eu nem tive tempo de conseguir achar a caceta do livro. Tava muito escondido o livro. eu preciso organizar melhor essa bolsa, tá complicado achar qualquer coisa.

Mas era aquilo. Perdeu perdeu, e quando tu perde tu apenas perde, respira fundo, aceita que é a vida, aguenta o parabéns, com vela e tudo, com é big é big é big, porque se reagir é pior, vamos viver pra lutar outro dia. Mas aí o cara, que tinha invadido o vagão gritando, completa a frase dele, é claro.

'QUEM TIVER DINHEIRO NA CARTEIRA AÍ JÁ PODE IR SEPARANDO PRA ME PASSAR, NADA DE GRACINHA, PODE SEPARAR...'

'...PORQUE EU TÔ VENDENDO O CHOCOLATE MAIS GOSTOSO DO RIO DE JANEIRO!'

E aí ele dá uma risada. Aquela risada gostosa, aquela risada cheia, aquela risada do olho brilhar.

O filho da puta.

O filho da puta tava vendendo chocolate.

O filho da puta tava vendendo Suflair.

Peguei meu livro, xingando baixinho só pra mim. As pessoas ainda compraram uns R$ 10 de Suflair dele. A galera é foda, sério. A galera é foda."

Estão querendo me pegar, por Frannye Motta

"Um dia eu estava no ônibus, e entra um cara pela porta traseira correndo, abaixando e gritando para o motorista: 'VAI, VAI, VAI! VAI, MOTÔ! ELES ESTÃO ATRÁS DE MIM, TÃO QUERENDO ME PEGAR!!!'.

Pensei: é agora que eu vou morrer! Aí o cara continuou: 'A concorrência tá atrás de mim, porque o chocolate na minha mão é mais barato!'

E era mais barato mesmo. Até comprei pra me acalmar..."

Explode coração, por Ana Paula de Miranda

"No Réveillon deste ano em Copacabana presenciei uma cena muito bizarra.

Já no meio da madrugada, após os fogos, fui naqueles banheiros que ficam na praia (que têm uma escadinha, meio subterrânea) e lógico, estava uma puta fila.

Enfim, entrei na fila e fiquei lá de boas aguardando e comecei a reparar que tinha gente furando fila lá na entrada da escada, na qual tinha um tiozinho regulando a quantidade de pessoas que descia pra usar o banheiro.

Um casal carioca na nossa frente reparou também e o cara ficou louco de raiva e foi lá tirar satisfação com o tiozinho na entrada do banheiro. Daí eles começaram a discutir, quase saíram na mão, aquele clima tenso pra caramba...

E quando achei que a coisa ia ficar feia mesmo, em um palco da praia, ali perto de onde estávamos, começou a tocar aquela música famosa da Salgueiro ('Explode coração/na maior felicidade...') e o cara que foi brigar com o tio COMEÇA A DANÇAR E CANTAR LOUCAMENTE, tipo pulando mesmo, deixou o tiozinho do banheiro falando sozinho e voltou pra fila (dançando) como se nada tivesse acontecido. E ainda tomou bronca da namorada."

Descontração tem limite, por Carlos Alberto Teixeira

"Voltando do almoço a pé pela Riachuelo, vi mais à frente o carro da funerária entrar de ré na calçada, diante de uma garagem. Da viatura, todo serelepe, sai o motorista. Engravatado e simpático, estende a mão ao senhor na porta da garagem, que tinha os olhos vermelhos marejados e fungava. Cheguei em cima do lance e presenciei o seguinte diálogo:

— Boa tarde, meu querido, como vai? Tudo bem? — pergunta o motorista, sem noção, mas com largo e sincero sorriso. Melhor astral, impossível.

— Não — responde em voz baixa, soluçando e quase chorando o provável parente próximo do falecido.

— Olha, fica frio, irmãozinho. Agora você só precisa pegar esse papelzinho aqui e levar no cartório, tá combinado?

— Tá bom.

— Agora, me diz aí, queridíssimo. Me fala. Onde é que tá o corpinho?"

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