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Propaganda eleitoral de Dilma usa imagem falsa criada contra ela e espalhada pela internet

Em 2009, a própria presidente, então ministra, havia reclamado sobre a fraude.

publicado

Um comercial de TV da campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) à reeleição reproduz por engano uma ficha falsa que começou a circular em 2008 atribuindo a ela participação em ações armadas contra o regime militar.

Veja este vídeo no YouTube

youtube.com

A propaganda foi publicada nesta sexta-feira (22) nos canais oficiais de Dilma no Facebook, no YouTube e no Google+.

Este é o documento forjado, que circulava em blogs de oposição e ganhou notoriedade depois de ser reproduzido em uma entrevista com Dilma na Folha de S.Paulo publicada em 5 de abril de 2009:

A ficha falsa aparece aos 7 segundos do vídeo de 15 segundos da campanha de Dilma.

Via youtube.com

A falha foi descoberta pelo jornalista Gustavo Villas Boas.

Na propaganda, o documento forjado é um dos elementos da narrativa para exaltar a atuação de Dilma contra o regime militar.

Via youtube.com

Este é o texto do comercial: "Quando muitos recuaram, ela avançou. Quando muitos se calaram, ela deu voz à liberdade. Entregou os melhores anos da sua juventude para que o Brasil fosse outra vez uma democracia. Dilma, mulher de coração valente."

A imagem também aparece, com menos destaque, no final dos programas de Dilma no horário eleitoral:

Veja de perto:

A ficha é uma falsificação grosseira feita em um computador com Windows, que não existia na época da ditadura.

Solicitei formalmente os documentos sob a guarda do Arquivo Público de São Paulo que dizem respeito a minha pessoa e, em especial, cópia da referida ficha. Na pesquisa, não foi encontrada qualquer ficha com o rol de ações como a publicada na edição de 5.abr.2009. Cabe destacar que os assaltos e ações armadas que constam da ficha veiculada pela Folha de S. Paulo foram de responsabilidade de organizações revolucionárias nas quais não militei. Além disso, elas ocorreram em São Paulo em datas em que eu morava em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Ressalte-se que todas essas ações foram objeto de processos judiciais nos quais não fui indiciada e, portanto, não sofri qualquer condenação. Repito, sequer fui interrogada, sob tortura ou não, sobre aqueles fatos. O mais grave é que o jornal Folha de S.Paulo estampou na página A10, acompanhando o texto da reportagem, uma ficha policial falsa sobre mim. Essa falsificação circula pelo menos desde 30 de novembro do ano passado na internet, postada no site www.ternuma.com.br ("terrorismo nunca mais"), atribuindo-me diversas ações que não cometi e pelas quais nunca respondi, nem nos constantes interrogatórios, nem nas sessões de tortura a que fui submetida quando fui presa pela ditadura. Registre-se também que nunca fui denunciada ou processada pelos atos mencionados na ficha falsa.

Este é um fragmento da ficha real de Dilma nos arquivos militares, publicado pela Veja em 2003:

A assessoria de imprensa da campanha de Dilma afirmou em e-mail ao BuzzFeed Brasil que o uso da imagem é "meramente ilustrativo".

"A campanha utiliza a imagem como recurso meramente ilustrativo e metafórico, sem qualquer referência a seu conteúdo e sem tratá-lo como documento."
Via youtube.com

"A campanha utiliza a imagem como recurso meramente ilustrativo e metafórico, sem qualquer referência a seu conteúdo e sem tratá-lo como documento."

Atualizado com resposta da assessoria de imprensa da campanha de Dilma.