back to top

Após Brexit e Trump, França surge como bola da vez para extrema-direita

Vitória do republicano é vista como um fenômeno que pode se repetir: Marine Le Pen, líder da Frente Nacional (direita radical), aposta que eleitor desiludido com establishment pode empurrá-la na eleição de 2017.

publicado

Na França, a reação à vitória de Donald Trump foi rápida.

Partidos de todo o espectro político da França, cujas divisões são semelhantes aos EUA, se viram refletidos na eleição americana.
BuzzFeed News

Partidos de todo o espectro político da França, cujas divisões são semelhantes aos EUA, se viram refletidos na eleição americana.

O partido Frente Nacional (FN), conhecido pela mesma retórica populista que levou Donald Trump à Presidência, celebrou a vitória como um bom prenúncio para 2017:

Leur monde s'effondre. Le nôtre se construit. #PlaceAuxPeuples

"O mundo deles desaba. O nosso é construído. #PlaceForThePeople" (#LugarParaAsPessoas), tuitou Florian Philipot, um dos principais estrategistas da da FN com uma foto da líder da extrema-direita Marine Le Pen.

A Frente Nacional também foi rápida em ressaltar as semelhanças entre as relações conflituosas de Trump e Le Pen com a imprensa.

95 % des médias USA faisaient campagne contre Trump. Tout le système s'est mobilisé contre lui (même Noah...lol). Ça vous rappelle pas qqn?

"95% da mídia dos EUA fez campanha contra Trump", escreveu Steeve Briois, um dos vice-presidentes da FN. "Todo o sistema se mobilizou contra ele [...] Isso te lembra alguém?"

Louis Aliot, outro vice-presidente da Frente Nacional, disse ao BuzzFeed News que recebeu com alegria a vitória de Trump. Segundo ele, não porque apoia as políticas do presidente eleito, mas porque ela provaria a vontade do povo de "recomeçar":

"A imprensa se comportou de uma forma que transformou Trump em um cara legal. (...) Os profissionais da imprensa deveriam, pelo menos, prestar atenção e mostrar um pouco de humildade. Isso reforça nossa convicção de que existe uma alternativa. Temos de começar tudo de novo. E só podemos fazer isso com novas pessoas."

A esquerda viu na derrota do Partido Democrata uma oportunidade para alertar sobre os perigos das divisões dentro do próprio partido.

Jean-Christophe Cambadélis, primeiro-secretário do Partido Socialista e ferrenho apoiador do presidente François Hollande, aproveitou a oportunidade para repreender os críticos do presidente como "infantis".

La Gauche est prévenue ! Continuons nos enfantillages irresponsables et ça sera Marine Le Pen. #Presidentielle2017 #Trump #USElection2016

"A esquerda foi prevenida! Continuemos com essa infantilidade irresponsável e será Marine Le Pen", escreveu ele.

O Partido Socialista apoiou Clinton, e Hollande já tinha até mesmo preparado uma carta à democrata para parabenizá-la por sua vitória.

Hollande enfrenta uma dura concorrência nas primárias do seu partido. Para Cambadélis, sem Hollande, a França verá uma repetição de 21 de abril de 2002, quando o pai de Marine Le Pen, Jean-Marie Le Pen, conseguiu uma vitória inesperada sobre o então primeiro-ministro, Lionel Jospin.
Yoan Valat / AFP / Getty Images

Hollande enfrenta uma dura concorrência nas primárias do seu partido.

Para Cambadélis, sem Hollande, a França verá uma repetição de 21 de abril de 2002, quando o pai de Marine Le Pen, Jean-Marie Le Pen, conseguiu uma vitória inesperada sobre o então primeiro-ministro, Lionel Jospin.

Essa ideia foi repetida por Laurence Rossignol, ministra dos Direitos da Mulher, que criticou a divisão na esquerda:

Je vois déjà ceux qui pérorent "2017: le barrage à l'extreme droite, c'est moi ". Seul le "nous" fera barrage. #politicbusinessasusual

"Já vejo aqueles que dirão: '2017: a barreira à extrema-direita sou eu.'" Apenas 'nós' poderemos barrá-la. #politicbusinessasusual"

Para Razzy Hammadi, parlamentar socialista, é necessário que a esquerda se una urgentemente para evitar o colapso e "a vitória de um populista em 2017":

"Precisamos acordar. Precisamos ter consciência de que qualquer candidato sem uma base forte sofrerá. Quer seja da esquerda ambientalista, da esquerda comunista ou das diferentes tonalidades de cinza que a esquerda socialista compreende, todos devem sentar na mesa e ver a gravidade da situação."

Para o ex-presidente Nicolas Sarkozy, do Partido Republicano (PR), de centro-direita, as eleições nos EUA trouxeram um alívio ao mostrar que as pesquisas de intenção de voto nem sempre estão corretas.

Sarkozy aparece muito atrás de Alain Juppé nas pesquisas sobre as primárias da direita.
Jeff Pachoud / AFP / Getty Images

Sarkozy aparece muito atrás de Alain Juppé nas pesquisas sobre as primárias da direita.

Eric Ciotti, deputado do PR e apoiador de Sarkozy, aproveitou a oportunidade para retuitar o comentário de um jornalista do jornal "Le Figaro":

"Pergunta rápida: se as pesquisas estavam erradas nos EUA, elas também estão erradas na primária entre Juppé e Sarkozy? #ElectionNight”
Twitter: @cjaigu

"Pergunta rápida: se as pesquisas estavam erradas nos EUA, elas também estão erradas na primária entre Juppé e Sarkozy? #ElectionNight”

Outros, como o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, viram na escolha de Clinton pelos democratas (em vez de Bernie Sanders) uma lição.

Sanders aurait gagné. Les primaires ont été une machine à museler l'énergie populaire. Maintenant vite descendre du train fou atlantiste.

"Sanders teria vencido. As primárias foram uma máquina para silenciar a energia popular. Agora, saia rapidamente do trem maluco do Atlantismo."

Assim Danielle Simonnet, coordenadora nacional do Partido de Esquerda (PE), explicou ao BuzzFeed News:

"Se há uma lição a ser aprendida na França, é que Bernie Sanders poderia ter vencido Donald Trump, assim como Jean-Luc Mélenchon [político de extrema esquerda do PE] poderia vencer Marine Le Pen. Ele é o único capaz, pois sua posição responde a uma crise total de confiança. O único capaz de dar esperança às classes mais baixas, de mostrar que podemos agir na raiz dos problemas."

Independente de quem serão os candidatos nas eleições francesas, Trump claramente estará em suas mentes.

Jeff Pachoud / AFP / Getty Images
Você já tem o app do BuzzFeed Brasil?

Baixe gratuitamente no Android e no iOS para ver todos os nossos testes, vídeos, notícias e muito buzz.