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Veja por que seus filhos se comportam mal e o que você pode fazer

O BuzzFeed News falou com três especialistas em comportamento infantil para descobrir o que provoca o mal comportamento e quais as atitudes mais eficazes que os pais podem tomar.

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1. Há uma explicação científica para as crianças serem travessas – e tem a ver com evolução.

"Basicamente, muitas vezes existe um conflito entre a quantidade de tempo e atenção que os pais querem investir numa criança e a quantidade de tempo e atenção que a criança quer receber" diz a Dra. Emily Emmott, antropóloga biológica da Universidade College London, ao BuzzFeed News. "Do ponto de vista da criança, ela quer tudo o que puder obter, para maximizar o seu desenvolvimento."

"No entanto, os pais têm outros investimentos para fazer -- por exemplo, se eles querem ter mais filhos, não podem investir tudo em uma criança. Além disso, os pais precisam investir em si mesmos também – na manutenção de seus corpos, contatos sociais e assim por diante."

E as crianças não estão equipadas com as habilidades que servem para pedir com delicadeza por tempo e atenção extra.

"Então, se a criança quer algo, muitas vezes a única opção pode ser fazer um escândalo. E leva muito tempo para que as crianças desenvolvam a teoria da mente – assim, a partir da perspectiva delas, elas só conseguem entender que querem uma coisa e não podem tê-la. Elas não compreendem com clareza o contexto social circundante que explica por que elas não podem ter uma determinada coisa."

2. Um padrão de sono regular é a chave para tudo.

Um estudo de 2013 que usou dados de mais de 10.000 crianças sugeriu uma clara ligação clínica e estatisticamente significativa entre horários de dormir irregulares e problemas de comportamento.

Yvonne Kelly, professora de epidemiologia e saúde pública da UCL, diz: "Não ter horários fixos para dormir, acompanhados por uma sensação de fluxo constante, induz a um estado de corpo e mente semelhante ao jet lag que pode influir no desenvolvimento saudável e no funcionamento diário."

3. O incentivo é mais eficaz do que a punição para ensinar as crianças o certo e o errado.

Por muitos anos, o comum era que os pais dissessem "é para o seu próprio bem" quando davam um castigo severo. Mas isso é verdade?

Rachel Calam, professora de psicologia infantil e familiar da Universidade de Manchester, diz que estabelecer bons comportamentos tem a ver com destacar os momentos em que as crianças agem corretamente, mais do que os momentos em que elas fazem algo errado.

"Muitas vezes os pais estão focados nas coisas que estão achando difíceis, mas a base para a criação do bom comportamento é que os pais notem quando os filhos estão fazendo algo que eles querem que seja feito aproveitem para elogiar e incentivar", diz ela.

"Pode ser que os comportamentos difíceis da criança chamem mais a atenção dos pais do que os comportamentos desejáveis. Portanto, se os pais invertem as coisas, de forma que o comportamento desejável seja notado, então a criança sabe que a atenção está garantida."

4. Para reforçar o bom comportamento, você deve explicar por que uma criança fez algo correto.

"Assim, se uma criança guarda um brinquedo", diz Kalam, "em vez de apenas dizer, 'Muito bem', digamos 'obrigado por guardar esse brinquedo – você ajuda muito quando arruma', ou 'não ficou bom agora que você arrumou?'"

5. Seus filhos espelham o seu comportamento, inclusive quando você está dando uma bronca neles.

Todos os pais ficam frustrados. Mas ensinar os filhos sobre os erros e acertos não significa gritar, diz David Spellman, psicoterapeuta clínico consultor que trabalha com crianças em Lancashire.

"Eu acho que muitas vezes subestimamos o impacto do tom de voz", diz ele ao BuzzFeed News. "Embora seja necessária muita disciplina, temos que ser firmes ou claros, mas não temos que gritar. Não temos que apontar o dedo na cara das pessoas."

"Ser firme e cuidadoso ao mesmo tempo é importante – não adianta ser firme se estiver sendo hostil e cruel, porque as crianças não ouvirão a mensagem. O conteúdo do que você está dizendo será completamente obscurecido se for dito com um tom irritado e hostil."

6. Reconhecer quando as crianças quase acertam é eficaz.

Ninguém é perfeito, especialmente as crianças, cujos cérebros e habilidades de tomada de decisão ainda estão em desenvolvimento até a adolescência (e durante essa fase também). Além disso, pode levar um longo tempo para as crianças aprenderem bons comportamentos e desaprenderem os ruins. Portanto, seja paciente, diz Spellman:

"Você pode recompensar e elogiar crianças por acertar parcialmente ou por agir quase corretamente. Não é possível dar saltos de desenvolvimento de uma só vez, então quando eles chegarem perto disso, ou se aproximarem, ou parecerem estar tentando, você deve encorajá-las".

7. Nunca é cedo demais para aprender um bom comportamento.

Quando se trata de estabelecer limites claros e incentivar um comportamento calmo e paciente, nunca é cedo demais para começar, diz Calam – os bebês e as crianças pequenas já têm capacidade de perceber isso:

"As crianças não conhecem as regras, elas precisam descobrir – e elas quase sempre descobrem as regras quando acabam quebrando uma delas."

"Com uma criança de 3 anos de idade, você pode muito facilmente dizer: 'Se você continuar fazendo isso, você vai ter que sentar na cadeira por alguns minutos até se acalmar.' Quando você tiver um adolescente mais alto do que você, será muito mais difícil fazer algo a respeito. Então deixar tudo claro desde o início é importante."

8. Não entre na briga. Se for para se render, se renda de uma vez.

Quando se trata de acessos de raiva, de acordo com Calam, ou você mantém a sua posição ou dá o que eles querem antes do acesso de raiva começar -- o que coíbe o poder dos seus filhos de te atazanar.

"Todos nós já estivemos em situações nas quais uma criança reclamou sem parar para conseguir algo e o pai acabou cedendo e dando a ela o que ela queria", diz ela. "Assim a criança aprende que se ela fizer escândalo o suficiente e continuar insistindo, eventualmente o pai vai ceder."

"Os pais têm que ser muito claros: se você vai ceder, faça isso de imediato, sem a criança fazer barulho. E se eles querem dizer não para algo, é necessário manter a palavra e não mudar de ideia no meio do caminho só porque a criança está fazendo um escândalo."

9. As crianças se desenvolvem em ritmos diferentes – a idade nem sempre é um guia confiável para o comportamento.

"Você já é grande!" é outro clichê muito usado pelos pais, refletindo a crença de que quando as crianças crescem, deixam para trás comportamentos infantis inadequados.

Spellman aponta, no entanto, que como todas as crianças são diferentes e muitos fatores afetam o seu desenvolvimento, procurar por comportamentos "adequados à idade" nem sempre funciona.

"A idade cronológica não é tão confiável porque as crianças são todas diferentes – você precisa pensar na idade delas em termos de desenvolvimento", diz ele. "Uma criança pode ter se desenvolvido mais em uma área do que em outra."

"Isto é particularmente difícil com os adolescentes, que podem ter 11 anos e agir como adultos em um momento, mas no minuto seguinte querem ser cobertos e tomar sopa na cama, e coisas desse tipo."

10. Se você usa uma tabela de comportamento, não fique tentado a TIRAR estrelas de ouro por quebra de regras.

Listas na parede da cozinha que incentivam as crianças a fazer o que for pedido em troca de recompensas se tornaram uma ferramenta muito popular entre os pais do Reino Unido. Mas Calam diz que muitas pessoas cometem o erro de tirar uma estrela dourada quando as crianças se comportam mal:

"As listas de comportamento são muito efetivas. A chave é que é uma lista de bom comportamento e a criança recebe algum tipo de sinal que ela entende e há uma recompensa associada a esse sinal. O principal erro dos pais é remover sinais que já foram colocados na lista. Se os pais se zangam e retiram uma estrela, não ajuda muito."

"O importante é que se a criança mereceu a estrela, as coisas devem permanecer assim."

11. Talvez seja melhor não usar o termo "cantinho da disciplina".

Calam também diz que retirar a criança de uma situação como consequência de ela ter quebrado uma regra pode ser algo muito efetivo, mas ela reforça que isso precisa ser feito rapidamente, sem confusão e, se possível, sem palavras negativas:

"Não gosto do termo 'canto da disciplina' porque ele gera um rótulo para a criança. O que você quer é que a criança pare de fazer algo problemático -- mas não é que você a esteja rotulando de criança-problema ou pessoa difícil."

"No entanto, ter um lugar onde ela possa ficar, seja uma cadeira, um canto ou o que for, é uma ótima forma de dizer 'Agora você foi um pouco longe demais -- sente aí em silêncio e quando estiver mais calmo você pode voltar'".

12. Manter um diário é uma boa maneira de acompanhar e entender o que desencadeia um comportamento difícil.

Se estiver procurando por uma forma de vencer um comportamento desafiador, pode valer a pena pensar sobre como o ambiente é quando a criança o está desrespeitando e o que poderiam ser os gatilhos. Calam sugere usar um diário: "Os pais podem registrar o nível de atenção relativa facilmente com um diário, anotando quando a criança está se comportando muito bem e quando ela faz algo que eles não gostam."

"Então você pensa, o que a criança estava fazendo antes e o qual foi a consequência? Ao analisar essa pequena sequência eles podem descobrir o que está acontecendo de errado".

13. Não tenha vergonha de procurar ajuda se você precisar.

Se você estiver preocupado com comportamentos que vão muito além do normal, não há nada a perder ao pedir a opinião do seu médico. Não se trata de obter um diagnóstico ou remédios – eles podem oferecer uma gama de serviços para te ajuda. Além disso, existem cursos para pais e grupos de aconselhamento.

Mas não são só profissionais que podem ajudar. Spellman indica que amigos, família e outros pais podem ser a chave para lidar com situações difíceis.

"O papel dos pais é realmente complicado de desempenhar, é bem difícil e isso é perfeitamente normal", ele diz. "Se tiver um amigo ou um membro da família com quem possa conversar, isso pode ser muito importante. Claro que sempre vão aparecer aquelas pessoas chatas que dizem 'O que você precisa fazer é x', mas se você conversar com outros pais, particularmente os que têm crianças da mesma idade – isso pode ajudar muito."

"A ideia é fazer com que o trabalho em equipe funcione, mantendo a comunicação e não tendo medo de conversar com profissionais caso ocorra algo que justifique a ajuda deles".

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