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Esta artista recria obras de arte conhecidas com mulheres negras

"Eu quis pegar uma pintura significativa, uma que fosse amplamente reconhecida e que subconscientemente ou conscientemente nos condicionasse a ver figuras masculinas brancas como poderosas e autoritárias. E eu quis inverter o roteiro, estabelecer uma contra-narrativa."

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"Fui criada em um ambiente criativo", disse. Sua mãe é artista e seu pai, uma pessoa inclinada para a música, tocava conga.

Courtesy of Harmonia Rosales

Rosales acredita que seus pais despertaram seu interesse pelas artes.

"Crianças imitam seus pais, e meus pais foram ótimos modelos. Lembro de minha mãe debruçada sobre sua mesa, produzindo uma ilustração atrás da outra. Eu costumava rastejar debaixo da mesa da minha mãe e seguir seus movimentos, suas pinceladas, suas ideias, suas ilustrações. Ela me deixava experimentar todas as suas tintas e pincéis, sem nunca me dizer o que ou como pintar, me deixando encontrar meu próprio estilo."

Uma das obras de Rosales, a qual ela deu o nome de "A Criação de Deus", recentemente se tornou viral nos EUA.

Instagram: @honeiee

A obra é baseada em "A Criação de Adão", de Michelangelo, que está na Capela Sistina.

"Eu quis pegar uma pintura significativa, uma que fosse amplamente reconhecida e que subconscientemente ou conscientemente nos condicionasse a ver figuras masculinas brancas como poderosas e autoritárias. E eu quis inverter o roteiro, estabelecer uma contra-narrativa", disse ao BuzzFeed News, explicando por que decidiu recriar a obra com mulheres negras.

Rosales diz: "Figuras brancas são um elemento básico na arte clássica apresentada nos museus. São os 'mestres' das obras-primas. Por que isso deveria continuar?".

Wikipedia Commons / Via en.wikipedia.org

"Substituir as figuras masculinas brancas — as mais representadas — por pessoas que, a meu ver, foram menos representadas pode começar a recondicionar nossas mentes a aceitar novos conceitos de valor humano. Se eu conseguir atingir até mesmo um grupo pequeno de pessoas e empoderá-las por meio da arte, terei ajudado a mudar a maneira como vemos o mundo", disse.

"E, quando você considera que toda vida humana veio da África, do Jardim do Éden e tudo mais, só faz sentido pintar Deus como uma mulher negra, criando a vida à sua própria imagem."

"Como diria Picasso, minha vida toda", disse Rosales quando perguntada sobre quanto tempo levou para criar sua última obra. "Cada habilidade adquirida, experiência de vida e emoção me guiou direto para esta obra específica e para todas as obras daqui para frente."

Segundo a artista, a maneira como suas ideias se formam, e como ela atua sobre elas, é um processo muito orgânico.

"Eu tenho uma ideia, pode não ser totalmente desenvolvida, mas é uma primeira ideia. Aí eu deixo amadurecer. Muitas vezes eu coloco uma tela em branco ao lado da minha cama para que eu possa acordar e dormir com ela. E, enquanto eu durmo, ela fala comigo", disse Rosales.

Ela também disse que não esboça suas criações, tudo acontece de uma só vez na tela em que são trazidas à vida. "Meus sujeitos se transformam e suas expressões mudam conforme eles falam comigo e se revelam para mim. Às vezes eu trabalho em uma área várias vezes até ela ganhar vida."

O trabalho de Rosales definitivamente tem um tema recorrente: mulheres negras. "Não quero que ninguém confunda quem estou representando. Eu pinto o que conheço, com quem me identifico", disse ao BuzzFeed News.

instagram.com

"Temos sido sub-representadas e deturpadas por tanto tempo que sinto que devo pintar para nos empoderar. Precisamos que nossa juventude veja imagens poderosas."

Sua filha é outra razão pela qual Rosales é apaixonada pelo trabalho que faz. "Quero que minha filha cresça orgulhosa de seus cachos, de sua pele morena, e que ela se identifique como uma mulher negra, uma mulher de valor."

"O que faço com minha arte contribui para a maneira como ela e todas as outras meninas como ela se reconhecerão."

instagram.com

"A Criação de Deus", de Rosales, faz parte de uma série que será exibida em breve.

Ela também planeja trabalhar com o artista Aldis Hodge em uma série sobre perseguição, que será exposta no final do ano.

Este post foi traduzido do inglês.

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