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Os candidatos-celebridades fazem mal para a política brasileira?

Um cientista político acredita que isto é "legítimo" e aponta os lados bons e os ruins dos famosos nas eleições.

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Os famosos às vezes quebram a monotonia do horário eleitoral, é verdade, mas também são caras-de-pau. A sensação que fica é que algo errado está acontecendo.

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O BuzzFeed Brasil conversou com o cientista político Leonardo Barreto sobre a questão. Ele classifica a relação entre celebridades e política como "algo completamente legítimo".

OSCAR CABRAL/VEJA

"O que está envolvido nisso é a possibilidade de transferir a popularidade obtida em algum campo da vida (artes, esportes, entretenimento, etc) para o campo da política", diz Leonardo.

Ele lembra que a candidatura de celebridades não é algo novo, nem um fenômeno exclusivamente brasileiro. "Lembre-se, por exemplo, do ex-presidente americano Ronald Reagan..."

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"No campo do futebol, isso é ainda mais antigo, com presidentes e ídolos de clubes também se tornando deputados federais, como Márcio Braga (Flamengo), Eurico Miranda (Vasco), Roberto Dinamite (Vasco), Romário, entre outros", diz Leonardo.

Porém, ele reconhece que nos últimos tempos isso se tornou uma estratégia forte de alguns partidos políticos.

http://Reprodução/eleicoes2014.com.br

"Especialmente em um momento em que os políticos estão em descrédito, eles buscam usar a popularidade e a credibilidade que algumas personalidades têm junto aos seus fãs a seu favor", diz Leonardo. E ele acredita que o número de celebridades entrando para a política deve aumentar com o passar dos anos.

"Por um lado, as celebridades vêm nas eleições uma oportunidade de agregar um outro tipo de ganho com a popularidade que ele tem ou vislumbram ganhos financeiros."

Segundo o cientista, os partidos enxergam nos famosos uma escada para reunir votos e bombar o quociente eleitoral que permitirá a entrada os seus quadros tradicionais.

plus.google.com

"O caso mais famoso foi a votação recorde do Tiririca que acabou 'puxando' Valdemar Costa Neto, que atualmente se encontra preso por causa do envolvimento com o Mensalão", diz.

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"Então, não acho que isso seja necessariamente bom ou ruim para a democracia. E mesmo a eleição do Tiririca suscitou um debate muito importante."

Twitter: @direitoshumanos

Tiririca foi eleito em 2011 um dos melhores deputados do ano, reconhecido pela sua assiduidade nas sessões. Mas, de acordo com o analista político Antônio Augusto de Queiroz, o mérito de Tiririca apenas foi "não ser o escândalo que imaginavam que seria".

Na opinião de Leonardo, talvez o equívoco esteja na regra do quociente eleitoral ou no voto proporcional, que faz com que alguns partidos usem essas celebridades como "laranjas" para promoverem candidatos tradicionais.

"De resto, acho que isso faz parte da democracia e sempre fará, pois o político, no final das contas, também é um celebridade da sua cidade, do seu estado ou do seu país", diz o Leonardo.

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