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Por que o autor de “13 Reasons Why” defende as cenas explícitas de estupro na série

“É desconfortável”, disse Jay Asher ao BuzzFeed News. "Mas precisa ser." AVISO: este post contém spoilers.

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Já faz 10 anos que o primeiro romance de Jay Asher, "13 Reasons Why", foi lançado. O livro, que se tornou um best-seller nos Estados Unidos, conta a história de uma estudante do ensino médio, Hannah Baker, que se mata e deixa uma caixa com 13 fitas cassetes detalhando as razões de seu suicídio e desafiando as pessoas que ela considera responsáveis por seu ato. E, assim como o romance no qual é baseada, a série de TV, que estreou na Netflix na semana passada, não deixa de descrever o suicídio e o estupro de forma crua e explícita.

“É desconfortável”, disse Jay Asher ao BuzzFeed News. "Mas precisa ser."

Meninas sendo ridicularizadas por serem "fáceis", o assédio, assim como agressões sexuais são partes centrais da história de Asher, principalmente para Hannah (Katherine Langford) e sua ex-amiga Jessica (Alisha Boe).

Em uma cena, o namorado de Jessica, Justin (Brandon Flynn), a deixa em sua cama durante uma festa porque ela está muito bêbada para transar. Então Bryce (Justin Prentice), um atleta popular da escola, entra no cômodo antes que Hannah, que sem querer acabou no quarto, possa sair. Hannah entra em um armário e assiste em choque através das fendas na porta Bryce desafivelar o cinto dele, colocar o corpo quase inconsciente de Jessica mais perto da beirada da cama, tirar a calcinha dela e a estuprar. Ao longo de "13 Reasons Why", versões desta cena são mostradas repetidamente a partir das perspectivas de diversos personagens.

No episódio 12, Hannah acaba em uma festa na casa de Bryce e se encontra sozinha com ele em uma banheira de hidromassagem. Em uma cena explícita, as pessoas assistem Hannah resistir fisicamente a Bryce conforme ele se aproxima dela. Ele a segura contra a borda da banheira, tira sua calcinha e empurra sua cabeça contra o chão. A câmera se aproxima do rosto e das mãos dela conforme seu corpo fica completamente mole e seus olhos vidrados enquanto Bryce a estupra.

"Eu sei que alguns de vocês podem pensar que eu poderia ou deveria ter feito mais", diz Hannah em uma das fitas. "Mas eu tinha perdido o controle. E, naquele momento, parecia... parecia que eu já estava morta."

Asher acredita que foi "a melhor decisão" retratar com autenticidade as cenas de estupro em "13 Reasons Why".

"Algumas pessoas disseram que era muito explícito, mas é uma coisa explícita", disse Asher. "É como se estivessem dizendo que não é apropriado mostrar isso. E, se você está dizendo que não é apropriado mostrar isso, está dizendo que é algo que deve ser escondido. Se estamos fazendo isso, não pode ser algo para o qual você pode virar a cara ou simplesmente esconder em sua mente", continuou. "Você tem que se sentir desconfortável quando estiver assistindo; senão você não entenderá. De certa forma, é desrespeitoso se dissermos: 'Sabemos que isso está acontecendo, mas não queremos ficar desconfortáveis com isso.'"

Quando Asher escreveu a cena em que Bryce estupra Hannah, ele tinha em mente garotos do ensino médio. "Eu queria que os rapazes ficassem desconfortáveis quando lessem a cena, e tanto o livro quanto a série de TV fizeram questão de observar que Hannah nunca diz não", disse. "Porque é isso que sempre ouvimos, certo? 'Quando uma garota diz não, ela quer dizer não.' Mas, muitas vezes, uma garota tem medo de dizer não por várias razões, e isso não quer dizer: 'Ah, desde que ela não diga não, vale tudo.' Você precisa ser uma pessoa melhor do que isso."

Asher disse que, antes de lançar o livro, conversou com seus editores sobre os riscos de incluir cenas de estupro na narrativa. Afinal, isso poderia fazer com que a obra não fosse distribuída em escolas e bibliotecas. "Acho que o que meu editor disse na ocasião foi: 'Se você não se sente desconfortável quando está lendo essa cena, não está entendendo o que está acontecendo e não será forçado a lidar com o problema'", lembrou ele. E, quando se trata de como essas cenas foram filmadas para a série da Netflix, Asher pensa o mesmo: a vivacidade desses momentos e o foco na vítima permitem que as pessoas que se identificam com Hannah se sintam vistas.

"Eu conversei com muitas pessoas que se identificavam com a personagem de Hannah, e elas falaram: 'Eu me senti assim, isso aconteceu comigo'", disse Asher. "Há uma tensão que é aliviada quando você percebe que alguém entende, e isso só vai acontecer se você sentir que a pessoa que está escrevendo o livro ou as pessoas na série de TV não estão escondendo nada."

Este post foi traduzido do inglês.


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