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Del Nero tentou passar a perna em Marin, diz delator do caso Fifa

"Eu não vou dividir com o Marin, vou ficar com tudo", disse Del Nero, segundo o delator Alejandro Burzaco. O cartola nega.

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O empresário argentino Alejandro Burzaco, delator no caso Fifa, disse em depoimento à Justiça dos Estados Unidos na quarta (15) que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, quis parar de dividir propina com o antecessor, José Maria Marin.

O argentino disse que em outubro de 2014, durante uma reunião da Conmebol em Assunção, no Paraguai, ele se encontrou com Del Nero e com o paraguaio Juan Ángel Napout, que havia sido eleito presidente da Conmebol no mês anterior.

Em nota, Del Nero afirmou que "nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade" — leia a íntegra ao final deste post.

À época, segundo Burzaco narrou na terça (14), Del Nero e Napout controlavam o esquema de pagamentos de propina pela transmissão da Libertadores e da Sulamericana.

Eles teriam assumido o controle do esquema em julho de 2014, após a morte de Julio Grondona, ex-presidente da Federação Argentina de Futebol (AFA), de acordo com o delator.

Durante a reunião, que teria acontecido no hotel Bourbon, Del Nero comunicou a Burzaco que a propina paga a Napout deveria subir de US$ 500 mil por ano para US$ 1,2 milhão, já que agora ele presidia a Conmebol.

Foi aí que Burzaco sugeriu que Del Nero e Marin também deveriam receber US$ 1,2 milhão por ano, em vez dos US$ 900 mil anuais combinados até então.

Nesse momento da reunião, segundo o delator, o cartola concordou mas pediu que ele não pagasse o valor completo até junho de 2015, quando Marin deixaria a presidência da CBF — ele acabou fora do cargo um mês antes, afastado pela Fifa, que o acusou de corrupção.

Durante a reunião em Assunção, Del Nero disse a Burzaco que a propina deveria ser paga apenas após Marin deixar o cargo. "Eu não vou dividir com o Marin, vou ficar com tudo", disse o cartola, segundo o delator.

Leia a íntegra da nota de Del Nero.

Com referência à citação feita à sua pessoa pelo delator premiado Alejandro Buzarco na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, vem a público esclarecer que nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu.

As investigações levadas a efeito naquele país não apontaram qualquer indício de recebimento de vantagens econômicas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF.

Igualmente, o que ali ficou apurado foi que os contratos sob suspeita não foram por ele assinados nem correspondem ao período de sua gestão na presidência da CBF.

Esclarece, ainda, que jamais foi membro do Comitê Executivo da Conmebol, mostrando-se também falsa essa informação.

Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido.

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Ken Bensinger is an investigative reporter for BuzzFeed News and is based in Los Angeles. His secure PGP fingerprint is 97CC 6E32 10A2 23FE 4E84 98B4 9CFF 4214 9D26 8AA7

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Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

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