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Testamos um experimento clássico que faria duas pessoas se apaixonarem

Será que fazer 36 perguntas para outra pessoa e olhar em seus olhos por quatro minutos pode fazer duas pessoas se apaixonarem?

publicado

Alguns anos atrás, Mandy Len Catron, colunista do jornal "The New York Times", publicou um artigo intitulado "To Fall in Love With Anyone, Do This" [Para Se Apaixonar Por Qualquer Pessoa, Faça Isto, em tradução livre] que acabou viralizando e até inspirou algumas paródias.

No artigo, Catron fala que foi a um bar com o homem que se tornaria o seu namorado, onde os dois fizeram 36 perguntas um para o outro, seguidas de quatro minutos de contato visual ininterrupto.

Eles replicaram um estudo – coordenado por Arthur Aron, da Universidade de Stony Brook – desenvolvido originariamente para medir a intimidade em estranhos, mas que depois passou a ser utilizado para tentar formar laços amorosos entre as pessoas.

"Estávamos tentando encontrar um método para gerar intimidade", afirmou Aron ao BuzzFeed. "Já há um bom número de pesquisas sobre como as pessoas costumam fazer amizades. Essas pesquisas mostraram que isso geralmente acontece quando as pessoas se abrem, revelam coisas pessoais sobre si em um ritmo cada vez maior e isso acontece de maneira recíproca. Então queríamos ver se podíamos fazer isso acontecer em um espaço curto de tempo em um laboratório."

Ainda mais importante do que se abrir, disse Aron, é como a outra pessoa reage. "Se eu estou sentado lá, me abrindo, e a outra pessoa não demonstra reação nenhuma, não terá o mesmo efeito que uma situação em que a outra pessoa está assentindo e valorizando o modo como você se sente."

"Achar que alguém está realmente interessado em conhecê-lo a fundo e enxergar o seu verdadeiro eu é um ingrediente importantíssimo para o desenvolvimento da intimidade", disse Jill P. Weber ao BuzzFeed. "Porém, ainda mais importante é vivenciar a experiência de alguém perguntando e demonstrando interesse nos seus aspectos mais íntimos."

Quanto ao efeito do contato visual, Kelly Campbell, da Universidade do Estado da Califórnia, afirmou ao BuzzFeed que "pesquisadores já descobriram que o hormônio da 'união' ou do 'amor', a ocitocina, é liberado durante o contato visual prolongado. Esse é o mesmo hormônio que é liberado quando as mães amamentam e olham nos olhos de seus bebês."

De posse dessas informações, decidimos testar nós mesmos esse experimento.

Alguns de nós encontraríamos estranhos pela primeira vez, em um encontro às cegas. Outros fariam o teste com alguém que tinham começado a sair ou iniciado um novo relacionamento. E o restante faria o teste com alguém com quem já se relacionava há mais ou menos uma década.

A pesquisa oficial possuía 36 perguntas divididas em três blocos, com cada bloco possuindo 15 minutos de duração. Dessa forma, o experimento durava 45 minutos no total. Porém, decidimos responder a todas as 36 perguntas da mesma maneira que Catron fez em seu artigo, então nossas experiências duraram de três e meia a sete horas, respectivamente.

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Brett Vergara e Anônima - primeiro encontro às cegas:

A: O mais difícil foi, provavelmente, a ansiedade para o experimento. Eu estava muito nervosa com a ideia de me abrir para um completo estranho. Quando cheguei lá, não foi tão ruim quanto achei que seria. Na verdade, me diverti!

BV: O que logo ficou claro, ao fazermos o exercício, é que éramos muito mais parecidos do que eu achava a princípio. Superficialmente parecia que tínhamos histórias muito diferentes, com uma criação completamente diferente e por isso experiências de vida opostas. Definitivamente não foi o caso. Bastaram algumas perguntas para que as semelhanças fossem reveladas.

A: Espero que, após essa experiência, eu possa encarar futuros encontros sem ter medo de me abrir sobre quem sou.

BV: Eu diria que esse processo funciona mais como um intensificador para qualquer tipo de relação, romântica ou platônica. Quero dizer, antes de passar por essa experiência, não havia uma única pessoa que sabia as respostas para todas as perguntas do exercício. Nem meus pais, nem ninguém com quem eu já tenha me envolvido, nem meus amigos mais íntimos. Quando alguém sabe tanto sobre você, principalmente nesse nível de intimidade, isso só pode te aproximar mais dela.

Sarah Karlan e Becca Sherman - namoram há dois meses:

SK: Eu gosto de compartilhar as coisas que penso. Acho mais estranho ouvir sobre como a outra pessoa me vê. Creio que todos temos uma ideia de como as outras pessoas nos veem, mas ouvir alguém falar sobre o que 'gosta' em mim foi incrível e, ao mesmo tempo, constrangedor. Tanta honestidade geralmente não é encontrada no dia a dia. Foi revigorante.

BS: A parte mais estranha, para mim, foi falar tanto sobre minha infância e minha família. Eu não passo tanto tempo pensando sobre minha infância e nunca pensei em perguntar ou discutir a fundo sobre isso com alguém que estou namorando – pelo menos não de forma analítica. Dito isso, me surpreendi com algumas das minhas respostas, e pareceu ser importante e pertinente compartilhar aquilo com ela.

SK: Eu gosto da ideia de "ir ao que interessa", fazer perguntas verdadeiras. Em encontros geralmente acabamos conversando sobre coisas superficiais, mas dessa vez foi diferente. Mergulhamos fundo na vida uma da outra. Acho que mais pessoas deveria fazer isso, mesmo com quem não há nenhum um interesse amoroso. Faça com os amigos, com sua mãe, com todo mundo! Talvez só deixe de lado o contato visual... a coisa pode ficar estranha.

BS: Acho que o que mais me surpreendeu foi o quão tranquila foi a parte do contato visual no experimento para mim. Eu já tinha pensado sobre essa parte do experimento e achava que isso seria bem tenso e/ou estranho, mas após passar tanto tempo com as perguntas... sei lá, pareceu o certo a se fazer. Você passa um tempo sendo bem direta, focada, mergulhando fundo em quem vocês duas são com essas perguntas, aprendendo a "enxergar" quem a outra pessoa realmente é. E depois você passa um tempo sendo bem direta e focada enxergando fisicamente aquela pessoa. Eu achei que foi a maneira perfeita de concluir o experimento e fazer com que as duas pessoas se sintam ainda mais próximas.

Jenna Guillaume e Chris Guillaume - juntos há 13 anos e casados há 2:

JG: A parte mais difícil, para mim, foi olhar nos olhos dele por quatro minutos. Não parecia natural – eu queria me inclinar para dar um beijo, perguntar o que ele estava pensando, conversar ou fazer QUALQUER COISA. Parecia um pouco absurdo, e acho que isso tem mais a ver com o meu hábito de querer me manter constantemente ocupada. Ficar parada, sem distrações, foi difícil para mim. Mas também foi meio relaxante.

CG: Fiquei surpreso em como foi legal compartilhar essas coisas novamente. Isso despertou lembranças maravilhosas do que já fizemos e conquistamos juntos.

JG: O que mais chamou minha atenção foi que não teve nenhuma surpresa, o que provavelmente é bom já que estamos juntos há treze anos e meio. Conhecemos o outro melhor do que qualquer outra pessoa. A parte mais surpreendente para mim foi realmente pensar nas minhas PRÓPRIAS respostas e ponderar algumas coisas que eu nunca havia levado em consideração antes.

CG: A principal lição disso foi que conversar mais sempre é essencial para um relacionamento feliz. É fácil esquecermos de conversar com todas as distrações atuais. Então separar um tempinho, todos os dias, só para conversar vai acabar se tornando a minha nova parte favorita do dia.

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Julia Pugachevsky e Anônimo - segundo encontro:

JP: Gostei das perguntas em que tínhamos que dizer o que gostávamos na outra pessoa, porque foi algo que tivemos de fazer várias vezes e ir bem mais fundo do que apenas "você é inteligente" ou "você é atraente". Ele disse umas coisas bem legais sobre mim que acho que não costumam ser ditas em um segundo encontro, e foi maravilhoso ouvir as coisas boas que as pessoas notam em você quando a encontram pela primeira vez.

A: Quanto mais nos abríamos para o outro, para a minha surpresa, mais me senti atraído fisicamente por ela. Eu costumo pensar em atração física como uma pontuação imutável, como a que você dá para um personagem do jogo The Sims ou algo do gênero. Definitivamente, algo que só muda com o passar do tempo. Mas acho que é raro olhar com atenção para alguém, examinando a fundo, sem a intenção de criticar ou julgar negativamente, e encontrar coisas boas.

JP: De certa maneira, isso foi mais agradável para mim do que o segundo encontro padrão, porque permitiu que nos abríssemos. Revelar informações demais e cedo demais geralmente é considerado um tabu em encontros. Acabei contando a ele algumas histórias engraçadas e embaraçosas do meu passado e rimos. Eu achei que essa foi uma experiência positiva – não ter medo de tirar sarro de mim mesma e confiar que a outra pessoa vá entender.

A: A lição que eu tiro desse exercício é lembrar de elogiar as pessoas. Foi ótimo quando ela disse coisas legais sobre mim. É algo tão básico, mas todos nós estamos tão preocupados em não parecer vulneráveis demais ou interessados demais que esquecemos de elogiar os outros.

Arianna Rebolini e Brendan N. - namoram há um ano e meio:

AR: As perguntas que presumiam ou exigiam que fôssemos estranhos foram engraçadas, tivemos de alterar o modo como as respondíamos, assim como as coisas que aparentemente tínhamos em comum. Essas provavelmente são melhores quando você está arriscando um chute em vez de simplesmente dizer: "Ambos gostamos de sushi, isso é fato." A mesma coisa vale para as mais voltadas para solteiros (como a "eu gostaria de ter alguém com quem compartilhar ___").

BN: Eu tive dificuldade com as perguntas mais abstratas, como as sobre amor e afeto.

AR: Eu fiquei surpresa com o quão visivelmente desconfortável ele ficou falando sobre si mesmo. Eu sabia que ele não gostava de ser o centro das atenções, mas parecia que ele não queria ficar falando sobre sua intimidade. Também fiquei surpresa com o quanto JÁ sabíamos. Achava que aprenderíamos um monte de coisas novas sobre o outro, mas acho que já fizemos isso.

BN: É muito difícil para mim falar sobre a minha vida. Então talvez eu tenha sido mais impessoal nas minhas respostas.

Erin Chack e Sean C. - namoram há nove anos:

EC: Achei engraçado quando fiz a primeira pergunta – "Com quem você gostaria de jantar?" –, e ele olhou para mim com uma expressão vazia e disse: "Devo responder 'você'?" Após encher sua taça de vinho e explicar que o experimento não era para provar que nos amávamos, mas para acelerar a intimidade de novos casais, ele relaxou. O nervosismo inicial dele foi encantador.

SC: Erin e eu estamos juntos há nove anos, então foi legal examinar muitas das opiniões sobre as quais conversamos em nossa relação e ver o que mudou, o que não foi muita coisa.

EC: O mais surpreendente foi que praticamente não há nada que não saibamos sobre o outro. Achei que haveria algum "território inexplorado", mas eu já sabia todas as suas respostas antes de ele abrir a boca. A única coisa nova que aprendi foi que Sean acha que vai morrer bem velhinho e eu acho que vou morrer mais nova, algo sobre o qual nunca conversamos. Mas, mesmo assim, era algo que eu desconfiava pelo modo como falamos sobre o nosso futuro.

SC: Só de pensar novamente sobre a base do nosso relacionamento foi muito legal. E sempre tentar lembrar o que nos uniu, como crescemos juntos e também como crescemos fora do nosso relacionamento.

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Isaac Fitzgerald e Alice Kim - namoram há dois anos:

IF: Descobri coisas que não sabia sobre a Alice, o que sempre é muito empolgante. Também achei muito interessante ver qual foi o foco dela ao contar a história da sua vida em quatro minutos. E também fiquei realmente surpreso com o meu foco na minha resposta a essa pergunta.

AK: Você se empolga com as coisas do dia a dia, mas uma conversa um pouco pretensiosa e abstrata não faz mal a ninguém.

IF: Acho que posso trabalhar para ajudar mais a Alice, de acordo com algumas das respostas dela. Sinto que estou mais familiarizado com as coisas que ela espera e com as coisas que a preocupam (ela realmente não gostou de ficar me olhando nos olhos durante quatro minutos, então provavelmente devemos evitar isso no futuro).

AK: Não tive problemas em ficar olhando o Isaac durante tanto tempo, já que ele é um gatinho, mas acabei ficando nervosa e insegura em olharem para mim – e olharem de verdade – por tanto tempo.

Krystie Yandoli e Chris W. - primeiro encontro às cegas:

KY: Responder a essas perguntas não foi difícil porque me considero uma pessoa bem honesta e aberta (além disso, falo demais mesmo). E fazer as perguntas também não foi difícil, já que entrevisto pessoas o tempo todo e me sinto confortável com conversas que envolvem reflexões mais profundas. Mas sentar ali com outra pessoa para um potencial interesse amoroso foi bizarro – me abrir para essa possibilidade foi algo novo e que eu deveria ter feito há muito tempo.

CW: Acho que, por natureza, eu já me mostro disposto a revelar quase tudo sobre mim mesmo em quase todas as situações, por isso a intimidade e a privacidade não foram um problema. Talvez a parte mais difícil, então, tenha sido não desviar nossa atenção para que pudéssemos responder às perguntas em um período de tempo razoável, já que ambos estávamos muito interessados em partir para as perguntas secundárias que surgiam. A coisa toda levou, tipo, cinco horas!

KY: Nos últimos anos, eu não estava aberta à ideia de amor ou relacionamento amoroso, então foi legal ter esse lembrete do trabalho que é necessário para a criação de um relacionamento sólido. Depois que saí com Chris, fiquei mais "acessível", marquei encontros, dei meu número de telefone e tive diversas interações amorosas bem-sucedidas. Isso não foi algo totalmente intencional, mas acho que me abri subconscientemente à ideia de ficar mais à vontade com os caras e saber que, se eu quiser algo, devo correr atrás.

CW: A maior lição foi sobre o escopo e os tópicos das perguntas. Basicamente, elas acessam formas de conexão mais profundas ao tentar evitar questões sobre o que você "faz" e focar em quem você "é". Claro, conhecer os gostos e interesses de alguém é importante, mas focar a história pessoal e como a outra pessoa se sente sobre sinais emocionais específicos ou o que ela espera ou deseja para sua vida futura – esses tipos de perguntas – revelam mais informações e nuances sobre a personalidade.

Curioso(a)? Aqui estão as perguntas para que você mesmo(a) possa testá-las, em inglês. Também confira as traduções para o português feitas pela "Folha" ou o "El País".

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Este post foi traduzido do inglês.

Love and Relationships Editor

Contact Julia Pugachevsky at julia.pugachevsky@buzzfeed.com.

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