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Por que é um problema ser gay afeminado?

Opinião e gosto podem ser muito influenciados por preconceito, homofobia e até machismo.

publicado

Depois de receber algumas mensagens indicando que seu comentário soava preconceituoso, ele tuitou:

Twitter: @_ultraviolento

Entre ontem e a publicação deste post, o jovem realizou mais 29 tuítes defendendo seu posicionamento. Já na busca do Twitter é possível encontrar cerca de 600 mensagens relacionadas ao jovem, inclusive respostas dada por ele a outros usuários do Twitter.

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Este debate vem acontecendo há um tempo e em abril de 2014, o produtor cultural cearense Thomas Saunders levantou a bola com a campanha Sou/Curto Afeminado.

Facebook: 1489496857938694

"Digo a todos umas coisa, não tenho vergonha de quem sou e de quem sempre fui. Me assumi com 14 anos, enfrentei uma adolescência de recriminação, sofri abusos psicológicos e até físicos, já sofri abusos de homens que acham que tem o direito de invadir meu corpo, já sofri julgamentos entre outros gays que se acham mais 'másculos' e por isso estão 'livres' destas situações. E nunca passou pela minha cabeça mudar quem eu sou e deixar de ser livre, deixar de ser eu", afirmou Thomas na época.

Além dele, o Canal das Bee abordou o tema no vídeo "É gosto, não é preconceito", no qual os youtubers Mola e Debora afirmam que o "gosto é socialmente construído".

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Ou seja, a dupla afirma que gostar apenas de um tipo específico de pessoas pode não ser apenas gosto, mas sim a reprodução do que sempre te falaram que é bonito ou legal.

"Quando você diz que uma coisa é sua opinião você não blinda ela, você não torna ela seu argumento inviolável, a sua opinião pode estar errada", completa ele.

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Ou seja, em um primeiro momento é preciso entender que o gosto é algo que foi construído de acordo com os padrões que te cercaram a vida toda.

Depois disso é preciso entender que sua opinião é passível de erros e pode mudar.

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O preconceito contra os afeminados é real, afirma Pedro HMC, do canal "Põe da Roda", que é dedicado a vídeos de humor sobre a comunidade LGBT.

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Para ele a questão do preconceito contra afeminados se dá pelo machismo: "Acho que acontece por conta do machismo da sociedade em que vivemos, onde a mulher (embora tenha conquistado cada vez mais espaço e liberdade) ainda é vista como inferior ao homem", afirma Pedro em entrevista ao BuzzFeed Brasil.

"É como se a sociedade, e até o próprio meio gay, olhasse o afeminado com reprovação, afinal ele está negando a masculinidade, algo que o tornaria 'superior'", afirma.

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Pedro cita ainda os exemplos que homens ouvem durante toda a infância e vida adulta: "A gente cresce ouvindo termos como 'palavra de homem'. Quando mente 'você não é homem', se você não tem força te falam 'seja homem!", se chora 'é mulherzinha', se fala sem firmeza ou não tem a voz grave mandam 'falar como homem!'. É muito machismo desde que nascemos".

Para Luiz Henrique, mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ e ativista pelos direitos humanos, o preconceito contra os afeminados fica evidente em aplicativos voltados ao público gay:

revistaovies.com

"Na nossa cultura: gay viril > gay afeminado; e mais: gay viril é sinônimo de gay cuja orientação sexual passe despercebida em função da expressão de gênero muito próxima daquela esperada de homens héteros viris. Não custa lembrar, igualmente, que: hétero viril > gay viril > gay afeminado, hierarquia que reitera a heteronormatividade", afirma Luiz Henrique no texto Sobre gostos e afeminações.

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