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O que acontece quando um gay que não curte futebol vai ao estádio

Um daqueles momentos em que você percebe que a vida é um grande e maravilhoso clichê.

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Quando você trabalha no BuzzFeed logo aprende que é preciso superar algumas barreiras. No meu caso, depois de fazer receitas da Bela Gil e encarar uma aula de crossfit, chegou a hora de encarar o temido FUTEBOL.

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

Sou um gay sem medo dos estereótipos e nascido em uma família pra lá de heterossexual. Meus pais, tios, tias, primos e primas são grandes entusiastas do futebol. A família se divide em times e a união completa só se dá a cada quatro anos durante a Copa do Mundo.

No meu caso, desde cedo percebi que jogava pra outro time e sempre tive um pouco de preguiça do esporte. Quando pequeno, tentei jogar no time da escola e vez ou outra acompanhava meu pai em jogos pequenos. Há pelo menos 15 anos não pisava em um estádio.

Para reviver esse momento fui então a um jogo do Palmeiras com o Raphael Evangelista, torcedor fanático do Verdão.

A treta já começou na hora de me vestir. Eu basicamente não tenho NENHUMA roupa esportiva. Então como um bom homossexual que gosta de moda resolvi trabalhar com a paleta de cor. Tendo em vista que gosto de ir a fundo nas experiências, acabei pegando uma camisa do time emprestada e passei a noite toda pingando de calor e sufocado com aquela gola. Como tanta gente usa não tenho ideia.

Chegando no estádio do Pacaembu, tudo muito bom, tudo muito bem. Até que percebi que NÃO DÁ PRA ENXERGAR NADA!

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

Na hora dei uma olhada para a galera e vi um senhorzinho com um fone de ouvido. Aí lembrei que as pessoas no estádio acompanham no rádio para entender o que se passa em campo. AGORA VOCÊ me responde POR QUE DIABOS as pessoas pagam para ir em um lugar e não entender o que está acontecendo?

Bom, já que eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo e não enxergava nada, apelei então para a cerveja. Que é sem álcool. QUE DUREZA, MEUS IRMÃOS!

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

Ok ok, até eu, super alienado do mundo dos esportes, sei que a proibição se deu por conta de todas as brigas que davam nos estádios. Uma pena, afinal uma cervejinha é sempre um estimulo para quem tá indo para o estádio mais para acompanhar alguém do que pelo jogo.

Foi então que me restou a observação da torcida e quanta alegria senti. Particularmente me encantei com esse senhor vestindo o verdadeiro cropped masculino.

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

Infelizmente fui informado pela irmã do Raphael, a Mariana, que não é comum flertar no estádio, o que foi bastante difícil tendo em vista que o que não falta é boy magya por lá.

O horror mesmo veio na hora do xixi. Eu achei que ia me deparar com um mictório, algo que odeio, mas foi pior: as cabines tinham VASOS SANITÁRIOS DE TEMPOS MEDIEVAIS.

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

Sério, se eu tivesse um piriri eu teria morrido. DOIS MIL E DEZESSEIS e no meio de São Paulo AINDA TEMOS LAVABOS COMO ESSE. Fiquei muito chocado.

Agora, de longe uma das coisas mais divertidas e nostálgicas foi a parte dos palavrões.

Iran Giusti / Juliana Kataoka / BuzzFeed Brasil

Confesso que tenho uma boca super suja e, quando pequeno, me lembro da alegria de poder xingar sem ser recriminado. Quando dois garotinhos de uns 8 anos gritavam palavrões com atraso em relação ao resto do estágio eu caía na gargalhada.

Imaginei que ia detestar essa parte, porque geralmente os xingamentos são sexistas e homofóbicos, mas para minha surpresa rolaram mais palavrões genéricos, como "vai, caralho!" e "passa essa porra logo", e menos "filha da puta" ou "viado".

Como eu dei sorte, o Palmeiras ganhou o jogo marcando 3 gols. Eu na verdade só fiquei sabendo porque as pessoas pulavam muito.

Iran Giusti / BuzzFeed Brasil

E é uma energia bem legal, mas ainda não consigo entender todo o prazer de ver essa bola entrando.

Uma das coisas mais loucas do mundo foi a visibilidade. A partir do momento em que vesti uma camisa de time, aparentemente me tornei um ser humano automaticamente amigável para homens heterossexuais estranhos.

Saindo do escritório e passando pela rua Augusta para comer, alguns homens acenaram para mim. No restaurante, o segurança puxou assunto e perguntou se eu estava indo para o estádio e durante toda a noite homens falavam comigo sem medo. Foi uma experiência muito estranha, tendo em vista que não é incomum homens desconhecidos gritarem pra mim coisas como "viadinho" ou "bicha" e me olharem como se eu fosse um alienígena.

Por outro lado o vestir a camisa foi muito importante para a experiência de ir ao estádio. Torcer, aplaudir e até xingar foi ótimo para extravasar. E, sinceramente, com boas companhias todo rolê vale a pena, e dá até para aproveitar o intervalo para falar sobre o que quiser. Eu, por exemplo, debati produtos de limpeza com a Deise, a noiva do Raphael (como visto na segunda foto acima).

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