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Isto é o que acontece com seu cérebro quando você medita

Spoiler: Ele literalmente muda. LITERALMENTE.

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Meditação não é um tema novo. Mas, ainda há muito sobre a prática de treinar a mente que permanece desconhecido para a maioria das pessoas, incluindo o efeito que pode ter sobre o cérebro.

Headspace / Via youtube.com

Enquanto muitas pessoas ainda associam a meditação com a arte de "pensar em nada", na verdade é o oposto, de acordo com o Dr. Craig Hassed, palestrante sênior na Monash Medical Faculty.

"Todas as práticas de meditação envolvem o treinamento da atenção, mas também o treinamento da atitude de aceitação e não reatividade, bem como atenção com a respiração e o corpo", Hassed diz ao BuzzFeed Life.

Então, ao invés de pensar em nada, a prática real da meditação diz respeito a reconhecer adequadamente todos os nossos pensamentos, treinar nosso cérebro para sair de sua definição padrão de deixar a vida passar.

E se você praticar a meditação regularmente, os pesquisadores acreditam que ela pode ter efeitos maravilhosos em seu cérebro. Aqui está o que pode acontecer:

Primeiro, você deve entender: seu cérebro pode mudar e crescer ao longo de sua vida.

CBS / Via weheartit.com

Isso é chamado de neuroplasticidade, e é uma palavra relativamente nova no campo da neurociência.

"A maneira como os cientistas costumavam pensar sobre o cérebro, até recentemente, era que o cérebro fazia suas conexões no desenvolvimento inicial e na primeira infância e, depois disso, a única coisa que acontecia era a perda de células à medida que envelhecemos", diz Hassed.

Mas pesquisas recentes identificaram falhas nessa teoria. Os neurocientistas já sabem que você, na verdade, pode ensinar novos truques a um cérebro velho.

"Hoje sabemos que nossos cérebros estão mudando o tempo todo. A maioria das mudanças ocorrem no nível microanatômico e são de curtíssima duração — por isso é mais difícil medi-las — mas algumas mudanças ocorrem até mesmo no nível macroanatômico e podem ser capturadas por tecnologias de imagem modernas, como ressonância magnética," Eileen Luders, Ph.D, professor assistente na UCLA School of Medicine Department of Neurology, diz ao BuzzFeed Life.

Algumas pesquisas mostram que a meditação está associada a uma alteração na quantidade de matéria cinzenta no cérebro, o que é algo muito importante.

Partizan Films / Via giphy.com

Mas, o que é mesmo matéria cinzenta — e por que é tão impressionante que ela possa mudar?

"Quando as pessoas falam sobre matéria cinzenta, elas estão falando sobre células — as células do cérebro que se conectam umas com as outras", diz Hassed. "Quando uma pessoa aprende uma habilidade especial — como a meditação — ela está exercitando essas áreas de matéria cinzenta, cujo trabalho é formar essa habilidade." Como você percebe o ganho muscular após o exercício físico, a pesquisa mostra que a meditação pode estimular o crescimento de novas células cerebrais — o que significa mais matéria cinzenta mensurável ​​em certas áreas do cérebro.

Além da diferença reportada na massa cinzenta entre meditadores e pessoas que não praticam, a meditação também tem sido associada a uma desaceleração da perda natural de massa cinzenta, o que ocorre com o envelhecimento. "Em nosso mais recente estudo, ampliamos nosso foco de investigação olhando para o potencial impacto do envelhecimento no cérebro, especificamente o impacto do envelhecimento sobre a matéria cinzenta do cérebro. Mais uma vez, nossa análise revelou uma diferença marcante entre meditadores e grupos controles: os cérebros dos meditadores parecem ser muito menos afetados pelo declínio normal natural da massa cinzenta relacionado à idade", diz Luders.

O que isso significa: as pessoas que meditam regularmente podem retardar o processo de envelhecimento do seu cérebro. Boa, meditação!

A meditação também tem sido associada à alterações no hipocampo, a parte do cérebro responsável pela formação de memórias e percepção espacial.

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Um estudo de 2011 comparou os cérebros de pessoas que meditaram durante cerca de 40 minutos todo dia com o cérebro de pessoas demograficamente semelhantes que não meditaram nenhuma vez.

As tomografias cerebrais revelaram que havia algumas áreas do cérebro de quem medita com mais matéria cinzenta — e uma dessas áreas foi o hipocampo.

O mesmo estudo também comparou os cérebros de não praticantes de meditação com aqueles que tinham acabado de passar por um programa de meditação de oito semanas, encontrando os mesmos resultados.

Esta área do cérebro, responsável pela conversão de memórias de curto prazo em memórias de longo prazo, é muito importante — assim, substância cinzenta extra na área é algo animador.Aqui está um palpite sobre por que a meditação pode impactar o hipocampo dessa forma: "Quando não estamos prestando atenção, o centro de memória está offline, por isso não lembramos das coisas", diz Hassed. "Quando uma pessoa está contínua e regularmente prestando atenção ao que está acontecendo ao seu redor (leia-se: estar atento através da meditação) o hipocampo está sendo envolvido, então, a longo prazo, um centro de memória mais saudável é o resultado."
Via tedxtalks.ted.com

Esta área do cérebro, responsável pela conversão de memórias de curto prazo em memórias de longo prazo, é muito importante — assim, substância cinzenta extra na área é algo animador.

Aqui está um palpite sobre por que a meditação pode impactar o hipocampo dessa forma: "Quando não estamos prestando atenção, o centro de memória está offline, por isso não lembramos das coisas", diz Hassed. "Quando uma pessoa está contínua e regularmente prestando atenção ao que está acontecendo ao seu redor (leia-se: estar atento através da meditação) o hipocampo está sendo envolvido, então, a longo prazo, um centro de memória mais saudável é o resultado."

A meditação também está ligada ao crescimento celular do cérebro em seu córtex pré-frontal — a parte do cérebro responsável pela tomada de decisão e bom senso.

Via youtube.com

Logo atrás da testa, o córtex pré-frontal é responsável por tudo, desde decidir entre o certo e o errado, passando pela análise de situações, até o pensamento abstrato de uma pessoa. De acordo com Hassed, esta é outra área do cérebro que tem matéria cinzenta mais espessa entre aqueles que meditam regularmente.

Enquanto algumas partes do cérebro parecem crescer com a prática da meditação, as amígdalas de pessoas que meditam geralmente é menor do que a média. Mas isso é uma coisa boa.

Via youtube.com

"Se você estiver tentando fugir de um tigre ou um tubarão, sua amígdala vai disparar; ela aciona essa resposta de luta ou fuga. É o centro de estresse", diz o Dr. Hassed.

Obviamente é importante ter um centro de estresse funcionando, mas o problema surge quando a amígdala está disparando sem razão, que é o que acontece quando uma pessoa é cronicamente ansiosa e estressada — como muitas pessoas são. Como a meditação acalma a mente, por sua vez, pode acalmar a amígdala, reduzindo sua atividade.

Como outras áreas do cérebro parecem crescer com o aumento da atividade, a massa cinzenta na amígdala parece encolher quanto mais uma pessoa medita, permitindo à atenção plena e os pensamentos razoáveis fluírem livremente. Essa alteração também vai mais fundo do que a matéria cinzenta, até as células de DNA no cérebro, desligando genes de estresse que estão desnecessariamente presentes, diz Hassed.

A meditação pode literalmente mudar o cérebro. E só precisa de um pouco todo dia para fazer diferença.

"Uma pessoa pode começar a ver diferença significativa com a meditação com atenção plena praticando por cinco minutos algumas vezes por dia, mas se uma pessoa pratica mais, ela terá mais benefícios — é a mesma coisa que o exercício", diz Hassed.

Então, aí está: o cérebro humano é modificável, e pesquisas mostram que a meditação pode ser capaz de torná-lo maior E menor em aspectos importantes.

Pense nisso. Em seguida, medite.

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