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Vítimas da violência do regime de Maduro posaram para mostrar o que está acontecendo na Venezuela

Segundo dados oficiais, 1.934 pessoas ficaram feridas e 124 foram mortas desde que os protestos contra o regime de Nicolás Maduro começaram, há quatro meses.

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Desde que a Venezuela foi tragada por uma espiral de violência por causa da repressão aos protestos contra o regime de Nicolás Maduro, ao menos 1.934 pessoas ficaram feridas e 124 foram mortas.

A onda de manifestações foi detonada pela decisão do regime de Nicolás Maduro de instalar uma assembleia constituinte que esvaziou os poderes do Congresso (de maioria conquistada no voto pela oposição).

O brasileiro Ueslei Marcelino, da agência Reuters, fotografou algumas das vítimas desta violência. As imagens foram distribuídas para veículos de comunicação de todo o mundo.

Segundo a Reuters, os feridos também encontram dificuldades para conseguir acesso a medicamentos e tratamentos por conta das dificuldades econômicas do país. A moeda local entrou em queda livre, tornando as importações virtualmente impossíveis.

Abaixo, os rostos e os dramas das vítimas:

Yolyter Rodríguez, 56, dona de casa e mãe de três filhos, posa em sua casa em Caracas. No dia 23 de abril, ela foi atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo, que causou fraturas nos ossos da face e danos cerebrais.

"Eu protestava contra a fome, por liberdade e por várias outras razões (...) Eu tento enxergar as coisas de um jeito positivo, apesar da minha aparência e de saber que eu nunca mais serei a mesma. Eu fico triste e com raiva disso, mas eu continuo indo às ruas para protestar, apesar da minha condição física. Nós não podemos desistir", disse em depoimento à agência.

O estudante Oscar Antonio Navarrete, 18, está em uma cama de hospital desde que foi ferido por uma bomba de gás em 18 de maio. Ele perdeu a consciência e seu coração chegou a parar de bater. Foi socorrido, sem consciência.

Ele não pode andar, tem lapsos de memória, tem um edema cerebral e carrega severas sequelas motoras. O edema se deve ao acúmulo de líquidos no cérebro. "Valeu a pena porque nenhum deles vai ser esquecido. O mundo precisa ver isso e eu tenho fé que as coisas vão mudar", disse a mãe dele à agência.

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"Valeu a pena? Sim. Como aqueles que morreram, o que aconteceu comigo foi um sacrifício que inspirou muitas pessoas a lutar", disse o estudante Jofre Rodríguez, 18 anos, à agência Reuters.

Ele levou um tiro durante o protesto do dia 26 de junho, e agora passa por tratamento. A mandíbula de Jofre ficou destruída e a bala que o atingiu ficou alojada em uma vértebra. "Fico triste de ver meu país assim. Com o [Hugo] Chávez, tínhamos uma ditadura comandada por um líder político; com Maduro, temos um desastre político."

Manuel Melo, de 21 anos, participava de um protesto em Caracas, onde mora, no dia 22 de maio, quando foi atingido por um dos canhões d'água usado pela polícia para dispersar manifestantes. Ele teve hemorragia interna e, em decorrência disso, passou por uma cirurgia que retirou um de seus rins.

"Eu estou protestando porque coisas simples custam muito dinheiro, o salário mínimo é ruim, o país está ruim", ele afirmou à agência de notícias. "Eu protesto contra a insegurança, contra a falta de medicamentos. Eu tenho milhões de motivos."

Atropelada por um blindado da polícia durante o protesto do dia 18 de junho, em Caracas, Najhud Colina, de 23 anos, afirma ter sofrido ainda mais após a colisão. Ela relata que policiais bateram nela com seus escudos e a puxaram pelo cabelo, antes de prendê-la pelo simples fato de protestar.

"Eu estou protestando pelo direito de viver em uma Venezuela livre", ela disse à Reuters. "Eu protesto pelo amor ao meu país, pelo direito de ficar aqui e não ter que ir embora porque não há nada para comer."

O professor de inglês David Osorio, 21 anos, vai às ruas de Caracas protestar contra Nicolás Maduro desde 2014. "Nos últimos meses, eu participei ativamente de todas as marchas, porque as coisas pioraram muito e eu sou contra as políticas desse governo."

No dia 7 de julho, uma bomba de gás lacrimogêneo atirada pelos policiais atingiu sua cabeça em cheio, provocando um traumatismo craniano que o deixou cego do olho direito. Desde então, David passou a usar um olho de vidro. Ele ainda não conseguiu tratamento especializado.

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Graciliano Rocha é Editor de Notícias do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email graciliano.rocha@buzzfeed.com.

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Alexandre Aragão é Repórter do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email alexandre.aragao@buzzfeed.com

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