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Em vídeo, delegado sugere que seu afastamento da Lava Jato foi político

Eduardo Mauat culpou diretor-geral da PF e disse que operação pode ser "finalizada". Delegados reagem. PF reiterou que mudança foi para "dar fôlego" à Lava Jato, mas não comentou vídeo.

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Em um vídeo divulgado na noite desta quarta (6), o delegado Eduardo Mauat culpou o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, pelo seu afastamento da Lava Jato e sugeriu que a operação pode ter o mesmo destino de investigações no passado, isto é, ser "finalizada".

Os principais trechos:

"A Lava Jato não é uma operação que pertence a alguns burocratas, que podem oxigenar ou deixar de oxigenar as pessoas que eles bem entenderem"

"Meu afastamento foi determinado pelo diretor-geral. Meu planejamento era continuar lá até agosto"

"Enquanto o doutor Leandro for diretor-geral eu não vou retornar à operação Lava Jato".

"A Lava Jato pode ser mais uma operação, ela passar, como várias outras tiveram, como operações da Polícia Federal foram finalizadas. Mas espero que a Lava Jato deixe esse legado [que continue]".

Aqui a íntegra:

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O vídeo de Mauat foi publicado pelo Nas Ruas, um dos movimentos que fizeram campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff.

O movimento Nas Ruas foi criado em 2011, ganhou força nos protestos de 2013 com a bandeira anticorrupção até engrossar a pregação do afastamento de Dilma, no ano passado.

Carla Zambelli, líder do grupo, disse que o vídeo não foi filmado especificamente para o Nas Ruas, mas que o movimento teve acesso a ele.

O delegado Mauat não foi localizado pela reportagem.

O vídeo provocou impacto dentro da Polícia Federal. A Associação Nacional dos Delegados da PF criticou o comando da instituição e a polícia.

Em nota divulgada nesta quinta, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), afirmou: "Ao invés de substituir delegados responsáveis pelo sucesso da operação, o comando da PF e o Ministério da Justiça deveriam trabalhar para aumentar o efetivo da Lava Jato. Isso, sim, ajudaria a 'dar fôlego' e a descartar de vez ameaças de desmanche do grupo responsável pela operação."

O Ministério da Justiça informou que apenas a Polícia Federal iria se manifestar sobre o assunto. Sem citar o vídeo de Mauat, a PF negou que a Lava Jato tenha passado por um "desmanche".

Segundo nota da instituição, "essas mudanças são opções estratégicas da coordenação, com apoio irrestrito da equipe de investigação, Administração Regional e Direção Geral da Polícia Federal, visando oxigenar o grupo, dando a ele um novo fôlego para que os trabalhos continuem cada vez mais a se superar".

No dia 21 de junho, o BuzzFeed Brasil revelou uma visita fora da agenda do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao juiz da Lava Jato, Sergio Moro, aos procuradores e à PF em Curitiba. Daiello acompanhou o ministro. Veja aqui.

O último ato do delegado Mauat nas investigações da Lava Jato foi pedir mais prazo para investigar as denúncias contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja mais:

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Fora da agenda, ministro da Justiça se encontra com Moro



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