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O luxuoso imóvel em Portugal do empresário acusado de pagar propina a Cunha

Idalécio Oliveira vendeu à Petrobras um campo na África de onde estatal não extraiu uma gota de petróleo. Segundo acusação, negócio saiu após propina de US$ 10 milhões.

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Acusado de pagar propina ao deputado Eduardo Cunha na Suíça, o empresário português Idalécio de Oliveira ainda está longe de ser alcançado pela Lava Jato.

Com negócios espalhados pela África, Idalécio é o dono desta luxuosa quinta a uma hora de carro da cidade do Porto, no norte do país.

A Quinta do Fontelo é um complexo hoteleiro de alto padrão, encravado nas montanhas da região de Viseu.

No mês passado, a Procuradoria-Geral da República pediu às autoridades portuguesas ajuda para localizá-lo.

Os advogados do empresário no Brasil informaram ao juiz Sergio Moro que, embora ele tenha residência no Congo, Idalécio Oliveira estaria na Quinta do Fontelo em julho à espera de ser citado na ação penal que corre na Justiça Federal do Paraná.

O BuzzFeed Brasil entrou em contato com a Quinta do Fontelo, mas funcionários do local não confirmaram se o empresário está mesmo vivendo lá.

A propriedade está em nome da empresa Unumnatura Gestão e Exploração Hoteleira, que tem como sócios familiares de Idalécio em Portugal, mas há indicativos de que ele seja o verdadeiro dono do imóvel. A família é proprietária da área há mais de 20 anos.

O terreno mede o equivalente a 10 campos de futebol numa área bucólica. A propriedade tem um haras privado.

No Brasil, Idalécio está sendo acusado de corrupção ativa em um negócio que teria rendido uma propina de 1,3 milhão de francos suíços (R$ 4,4 milhões, pelo câmbio de hoje) ao deputado Eduardo Cunha.

O negócio envolve este campo de petróleo, o bloco número 4.


Dono da CBH (Compagnie Beninoise Des Hydrocarbures), ele vendeu 50% do bloco 4 no mar do Benin (África Ocidental) à Petrobras em 2011, por US$ 34,5 milhões (US$ 138 milhões).

A Petrobras não achou petróleo no campo.

De acordo com a acusação, Idalécio pagou propina ao então diretor internacional da Petrobras Jorge Zelada, indicado ao cargo pelo PMDB, e ao lobista João Agusto Rezende Henriques.

O ex-diretor da área internacional Zelada é acusado de defender a compra do bloco pela Petrobras "movido pela propina e negligenciado os problemas com a operação".

Já o lobista João Augusto Rezende Henriques é apontado como intermediador do recebimento da propinas pagas por Idalécio.

Logo depois da Petrobras comprar o campo no Benin, uma empresa de Idalécio, a Lusitania Petroleum, depositou US$ 10 milhões na conta da Acona International, uma offshore do lobista.

Eduardo Cunha teria recebido parte da propina por sustentar politicamente Jorge Zelada. Esta acusação é objeto da ação penal que corre no Supremo Tribunal Federal.

A Acona realizou quatro transferências para a conta Orion SP, atribuída a Eduardo Cunha, no banco Julius Bär, na Suíça.

Este é o extrato de um dos pagamentos feitos pelo lobista:

Conforme os registros do banco entregues para a investigação aberta pelo Ministério Público da Suíça no ano passado, o passaporte de Eduardo Cunha foi utilizado para abrir a conta Orion SP.

E a assinatura do próprio deputado.


Uma parte do dinheiro da propina, segundo a acusação, acabou na conta Kopek, em nome da mulher do deputado, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz. Ela está respondendo processo junto com Idalécio, João Henriques e Zelada na Justiça do Paraná.

O QUE DIZEM OS ACUSADOS:

  • O BuzzFeed Brasil entrou em contato, mas não conseguiu obteve retorno dos advogados Técio Lins e Silva e Letícia Jost Lins e Silva, que coordenam a defesa de Idalécio Oliveira.
  • O deputado Eduardo Cunha tem negado sistematicamente ser o dono de contas no exterior e o recebimento de recursos ilícitos oriundos de propina na Petrobras.
  • Em defesa prévia apresentada nesta segunda, os advogados de Cláudia Cruz afirmam que a conta Kopek não recebeu qualquer recurso oriundo da conta Orion SP.
  • Os advogados da jornalista afirmam que a ação penal tem nulidades provocadas por supostas irregularidades nos procedimentos de cooperação internacional entre Brasil e Suíça.
  • A defesa de Jorge Zelada também nega que o ex-diretor tenha facilitado a aquisição do campo no Benin em troca de propina.
  • O BuzzFeed Brasil não conseguiu falar com o advogado do lobista João Henriques.

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