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Bumlai e Delúbio terão de explicar para Moro o destino de R$ 12 mi

Em caso relacionado à morte de Celso Daniel, investigadores suspeitam que dinheiro pagou contas a mando de tesoureiro do PT.

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O juiz Sergio Moro mandou o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula, e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares ficarem, frente a frente, para explicar o destino de R$ 12 milhões de um empréstimo fraudulento. O caso é um dos desdobramentos da Lava Jato e envolve o grupo Schahin. O banco Schahin emprestou, em 2004, R$ 12 milhões para Bumlai.

Eles participarão de acareação no próximo dia 27, na Justiça Federal, em Curitiba.

O empréstimo nunca foi pago pelo pecuarista. Mas a operação foi liquidada, em 2009, após a empreiteira do grupo Schahin ganhar um contrato de US$ 1,6 bilhão para operar um navio-sonda para a Petrobras.

Dos R$ 12 milhões, a quebra de sigilo mostrou que R$ 6 milhões acabaram numa conta da Viação Santo André, do empresário Ronan Maria Pinto, dono do jornal Diário do ABC.

Marcos Valério, operador do mensalão, já disse em depoimento à Polícia Federal que o dinheiro chegou ao empresário Ronan Maria Pinto como uma espécie de compra pelo silêncio dele no caso da morte do prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT, 2002). Marcos Valério também é réu neste processo.

Ronan Maria Pinto e o PT negam a versão.

Bumlai, que foi preso em fevereiro, diz que os recursos tiveram como destino real o Partido dos Trabalhadores.

"Há, por outro lado, depoimentos relevantes, como o do próprio José Carlos Marques Bumlai que declarou que serviu apenas de interposta pessoa para o empréstimo em benefício do Partido dos Trabalhadores, o que encontra, em cognição sumária, corroboração pela quitação fraudulenta do mútuo mediante atribuição ao Grupo Schahin de contrato junto à Petrobrás", escreveu o juiz Sergio Moro, no despacho datado de ontem,

Condenado a 6 anos e 8 meses de prisão no julgamento do mensalão e denunciado (acusado formalmente) na Lava Jato, o ex-tesoureiro Delúbio Soares foi quem pediu ao juiz a acareação com Bumlai. Ele nega participação no caso.

Alvo de condução coercitiva durante a fase Carbono 14 da Lava Jato, Delúbio foi denunciado em maio deste ano por acusação de lavagem de dinheiro.

A defesa do petista questiona a competência do juiz Sergio Moro para julgar a ação penal.

Além disso, os advogados de Delúbio alegam que está sendo cerceada. Um dos argumentos é que o ex-tesoureiro está sendo processado por lavagem de dinheiro, mas não está sendo acusado do crime antecedente - isto é, da corrupção que teria gerado o dinheiro supostamente lavado.

Moro rejeitou esta alegação para excluí-lo do processo.