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Ministro fazia campanha quando vazou informação da Lava Jato

Alexandre de Moraes fazia corpo-a-corpo com eleitores de Ribeirão Preto, a terra de Antonio Palocci, preso nesta segunda. Episódio dá munição a quem acusa governo Temer de tentar controlar a Lava Jato.

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O ministro Alexandre de Moraes (Justiça) fazia campanha para o tucano Duarte Nogueira, em Ribeirão Preto, quando no momento em que vazou a informação de que uma nova fase da Operação Lava Jato aconteceria nesta semana.

“Tanto que falam, falam, pra você ver, quinta teve uma (fase), sexta teve outra, esta semana vai ter mais”, disse o ministro, quando abordado por ativistas de um grupo chamado Movimento Brasil Limpo.

A revelação foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo.

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Depois, completou rindo: “Vocês vão ver. Quando vocês virem esta semana, vão lembrar de mim”.

Aqui a íntegra do vídeo:

Nesta segunda, a fase Omertà, da Lava Jato foi deflagrada levou à prisão preventiva o ex-ministro Antonio Palocci, cuja base eleitoral é exatamente em Ribeirão Preto.

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Ele é suspeito de estar no centro de um esquema que resultou no pagamento de R$ 128 milhões em propinas pela Odebrecht.

Palocci foi preso sob acusação de corrupção passiva. A investigação da Polícia Federal apresenta o ex-homem forte da economia no primeiro mandato de Lula (2003-2006) e chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff em 2011 como uma espécie de lobista dos interesses da Odebrecht no governo federal.

Segundo a PF, Palocci canalizou propinas pagas pela Odebrecht em troca de beneficiar a empreiteira no governo em três grandes negócios:

  1. A compra de navios-sonda pela Petrobras para explorar o pré-sal.
  2. Na negociação da Medida Provisória 460, de 2009, que ajudaria a empresa a obter benefícios fiscais. O Supremo Tribunal Federal, contudo, reconheceu que os benefícios estavam extintos.
  3. A obtenção de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para tocar obras em Angola.

Juiz Sergio Moro determina bloqueio de R$ 128 mi (valor estimado da propina) de Palocci e outros investigados na fa… https://t.co/QP9udvcYr0

Além disso, Palocci é citado em mensagens que apontam que a Odebrecht adquiriu, por R$ 12 milhões, um terreno para a construção de uma sede para o Instituto Lula. A entidade não está abrigada no local.

As minutas da compra do terreno foram encontradas no sítio usado por Lula e sua família em Atibaia (SP), que é foco de uma investigação paralela que é feita pela Lava Jato.

Mas o vazamento de uma informação sigilosa da Lava Jato pelo próprio ministro da Justiça durante um ato de campanha eleitoral suscitou críticas, dentro e fora do governo.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o presidente Michel Temer ficou irritado com o ministro porque a antecipação da operação dá munição a quem acusa o governo de tentar interferir na Lava Jato.

Leia mais aqui.

Congressistas da oposição atacaram o ministro por ter vazado a informação confidencial.

Min da Justiça sabe agora com antecedência as operações da PF na Lava Jato? Pode isso? Cadê a autonomia da PF? Só funcionou com Dilma e Lula

Deputados querem explicações do ministro da Justiça sobre antecipação de informações da Lava-Jato https://t.co/Zn4oUdrXKf


Graciliano Rocha é Editor de Notícias do BuzzFeed e trabalha em São Paulo. Entre em contato com ele pelo email graciliano.rocha@buzzfeed.com.

Contact Graciliano Rocha at graciliano.rocha@buzzfeed.com.

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