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Conheça o "oficial de Justiça" encarregado de despejar Dilma se o impeachment passar

Senador de Tocantins vota contra Dilma, mas diz que não sentirá prazer em ser mensageiro do afastamento: "ninguém gosta de cumprir ordem de despejo".

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Se o senador Vicentinho Alves (PR-TO) bater à porta de Dilma Rousseff na manhã desta quinta (12), ele vai entregar uma mensagem cujo conteúdo a petista tentou a todo custo evitar: a notificação de seu afastamento por 180 dias em virtude da continuidade do processo de impeachment.

Em seguida, após obter a assinatura de Dilma na notificação, Vicentinho vai até o Palácio do Jaburu para encontrar Michel Temer e notificá-lo sobre a nova condição de presidente da República em exercício.

"Vou agir igual a qualquer oficial de Justiça, cumprindo uma ordem judicial. Vou intimá-la respeitosa e discretamente ainda na parte da manhã, se o impeachment for aprovado no Senado", disse o senador ao BuzzFeed Brasil.

Mesmo sendo voto a favor do impeachment, Vicentinho diz que vai cumprir o papel sem nenhum prazer pessoal.

"Um oficial de Justiça não gosta de entregar a ninguém uma ordem de despejo, mas Deus reserva a cada um a sua missão", comparou o senador, que é católico praticante.

Vicentinho diz que nunca foi recebido por Dilma no Palácio do Planalto, mas afirma que o governo sempre o atendeu em sua base eleitoral com investimentos. A despeito disso, vota pelo impeachment por uma razão prática: "Quem não tem apoio de um terço da Câmara dos deputados, não consegue governar".

O filho do senador, o deputado Vicentinho Júnior (PR-TO), votou contra o impeachment alegando orientação partidária. Logo depois da votação, o Vicentinho pai esteve com Temer e disse que a orientação de seu partido mudara e que votaria pelo impeachment.