back to top

Caso Fifa: procuradores pedem decisão rápida sobre ex-cartola do Flamengo suspeito de propina

Temendo prescrição, investigadores pediram urgência em decisão sobre documentos apreendidos com ex-presidente do clube

publicado

O Ministério Público Federal pediu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) urgência no julgamento de um recurso que pede a liberação da cooperação da Justiça brasileira com as autoridades americanas que investigam o esquema de propinas na Fifa.

Sede do quartel-general da Fifa em Zurique: dirigentes estão no foco de um escândalo multimilionário de pagamentos de propina nas Américas.
Ruben Sprich / Reuters

Sede do quartel-general da Fifa em Zurique: dirigentes estão no foco de um escândalo multimilionário de pagamentos de propina nas Américas.

O caso envolve o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite, dono da empresa Klefer. Leite é apontado pela investigação do FBI como suspeito de ter pago propina a dirigentes da CBF. A suspeita sobre Leite veio à tona durante a investigação dos Estados Unidos.

Kleber Leite, ex-cartola do Flamengo e suspeito de pagar propinas a dirigentes da CBF, obteve duas vitórias na Justiça Federal contra a colaboração brasileira com o FBI.
Twitter: @kleberleite

Kleber Leite, ex-cartola do Flamengo e suspeito de pagar propinas a dirigentes da CBF, obteve duas vitórias na Justiça Federal contra a colaboração brasileira com o FBI.

Autorizadas pela Justiça Federal, as buscas no escritório da Klefer ocorreram apenas cinco horas depois que o então presidente da CBF, José Maria Marin, e mais oito dirigentes da Fifa foram detidos, em maio de 2015, por autoridades suíças num hotel de Zurique.

Em julho do ano passado, pouco depois da eclosão do escândalo, comediante inglês fez chover dinheiro no presidente da Fifa Sepp Blatter. Hoje, ele está banido do futebol.
Arnd Wiegmann / Reuters

Em julho do ano passado, pouco depois da eclosão do escândalo, comediante inglês fez chover dinheiro no presidente da Fifa Sepp Blatter. Hoje, ele está banido do futebol.

O desdobramento da investigação com foco na Klefer no Brasil ocorrer graças a um pedido de colaboração dos americanos ao Ministério Público Federal e, em seguida, a autorização judicial. Além das buscas à Klefer em maio, o ex-cartola teve bens bloqueados pela Justiça em junho do ano passado.

Meses mais tarde, Leite obteve decisões na Justiça Federal do Rio proibindo que o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) do Ministério da Justiça envie os documentos da investigação feita no Brasil aos americanos e também o desbloqueio de bens. Os procuradores tentam virar o jogo no STJ. O caso, que corre em segredo de Justiça, chegou ao STJ em 4 de março. Os autos estão no gabinete do ministro Jorge Mussi, relator da matéria.

Na última sexta, o Ministério Público Federal ingressou com um pedido de urgência na votação do recurso por temor de que os crimes atribuídos a Kleber Leite prescrevam (ultrapassem o prazo previsto pela lei para serem processados).

Caso começou a tramitar no STJ em março: investigadores vêem risco de prescrição
Reprodução STJ

Caso começou a tramitar no STJ em março: investigadores vêem risco de prescrição

A investigação americana produziu evidências de que Leite possa ter cometido estelionato contra a CBF e lavagem de dinheiro no Brasil durante a década passada. No Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, não existe o crime de corrupção privada.

O que diz a defesa de Kleber Leite

O criminalista Raphael Mattos, que defende Kleber Leite, disse ao BuzzFeed Brasil que seu cliente foi vítima de uma violação jurídica porque o pedido de buscas na Klefer não foi autorizado por um juiz americano nem tramitou pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Esta "queima de etapas", segundo ele, fará o STJ manter as decisões favoráveis ao seu cliente já concedidas pela Justiça Federal do Rio e pelo Tribunal Regional Federal. Kleber Leite não comentou o mérito das suspeitas de que sua empresa tenha pago propina a outros cartolas da CBF.