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Caso Fifa: procuradores pedem decisão rápida sobre ex-cartola do Flamengo suspeito de propina

Temendo prescrição, investigadores pediram urgência em decisão sobre documentos apreendidos com ex-presidente do clube

publicado

O Ministério Público Federal pediu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) urgência no julgamento de um recurso que pede a liberação da cooperação da Justiça brasileira com as autoridades americanas que investigam o esquema de propinas na Fifa.

O caso envolve o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite, dono da empresa Klefer. Leite é apontado pela investigação do FBI como suspeito de ter pago propina a dirigentes da CBF. A suspeita sobre Leite veio à tona durante a investigação dos Estados Unidos.

Autorizadas pela Justiça Federal, as buscas no escritório da Klefer ocorreram apenas cinco horas depois que o então presidente da CBF, José Maria Marin, e mais oito dirigentes da Fifa foram detidos, em maio de 2015, por autoridades suíças num hotel de Zurique.

Arnd Wiegmann / Reuters

Em julho do ano passado, pouco depois da eclosão do escândalo, comediante inglês fez chover dinheiro no presidente da Fifa Sepp Blatter. Hoje, ele está banido do futebol.

O desdobramento da investigação com foco na Klefer no Brasil ocorrer graças a um pedido de colaboração dos americanos ao Ministério Público Federal e, em seguida, a autorização judicial. Além das buscas à Klefer em maio, o ex-cartola teve bens bloqueados pela Justiça em junho do ano passado.

Meses mais tarde, Leite obteve decisões na Justiça Federal do Rio proibindo que o DRCI (Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional) do Ministério da Justiça envie os documentos da investigação feita no Brasil aos americanos e também o desbloqueio de bens. Os procuradores tentam virar o jogo no STJ. O caso, que corre em segredo de Justiça, chegou ao STJ em 4 de março. Os autos estão no gabinete do ministro Jorge Mussi, relator da matéria.

Na última sexta, o Ministério Público Federal ingressou com um pedido de urgência na votação do recurso por temor de que os crimes atribuídos a Kleber Leite prescrevam (ultrapassem o prazo previsto pela lei para serem processados).

A investigação americana produziu evidências de que Leite possa ter cometido estelionato contra a CBF e lavagem de dinheiro no Brasil durante a década passada. No Brasil, diferentemente dos Estados Unidos, não existe o crime de corrupção privada.

O que diz a defesa de Kleber Leite

O criminalista Raphael Mattos, que defende Kleber Leite, disse ao BuzzFeed Brasil que seu cliente foi vítima de uma violação jurídica porque o pedido de buscas na Klefer não foi autorizado por um juiz americano nem tramitou pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Esta "queima de etapas", segundo ele, fará o STJ manter as decisões favoráveis ao seu cliente já concedidas pela Justiça Federal do Rio e pelo Tribunal Regional Federal. Kleber Leite não comentou o mérito das suspeitas de que sua empresa tenha pago propina a outros cartolas da CBF.

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