9 formas de prevenir que crianças tenham problemas com imagem corporal

Ações valem tanto quanto mil palavras quando o assunto é a autoimagem das crianças.

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Na Semana de Bem Com o Seu Corpo, o BuzzFeed Brasil conversou com as especialistas Beatriz Morbach Portella, psicóloga da equipe Primeiro Movimento, e com Luciana Venturini Gutierres, psicóloga e supervisora no Hospital do Servidor Público Estadual, sobre como ajudar crianças a terem uma boa imagem corporal e prevenir que elas desenvolvam problemas de autoimagem.

1. Tenha a consciência de que a questão da imagem corporal deve ser pensada desde sempre, já que ela começa a ser construída assim que nascemos.

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A imagem corporal – ou a forma de enxergar e sentir o próprio corpo – começa a ser construída no momento em que nascemos e é influenciada por vários fatores. "Essa imagem é constituída desde o início da vida pelo olhar da mãe, do pai e pela história familiar e, por fim, pela cultura", explica Beatriz.

2. Entenda que as ações dos adultos valem tanto quanto mil palavras quando o assunto é a imagem corporal das crianças.

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Sabe aquele papo de que as crianças captam tudo? "A comunicação não se dá apenas pela linguagem, mas também por gestos, expressões e atitudes com relação à criança", diz Luciana. "As crianças estão muito atentas aos que os pais enunciam, aceitam, rejeitam, a como agem com os outros e com eles. Isso pode contribuir para a construção de ideais difíceis da criança atingir."

3. É ok se preocupar com o sobrepeso do seu filho, mas também aproveite para questionar seus conceitos de magreza.

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"Precisamos ter cautela com relação ao peso das crianças. Por que vivemos na ditadura da magreza e existem crianças mais gordinhas e muito de bem consigo mesmas", diz Beatriz. Por isso, analise como a criança está se sentindo. "Se não for um sobrepeso patológico e se ela estiver bem, tanto socialmente como emocionalmente, brincando e interagindo com seus amigos, não há problemas."

4. Nunca é demais reforçar para as crianças que cada um é de um jeito e que estas diferenças tornam o mundo mais legal.

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"Acho importante passar a noção de que as pessoas são diferentes entre si, por dentro e por fora e isso não nos torna melhores ou piores que ninguém. Que é possível e bem divertido convivermos com pessoas diferentes", diz Beatriz. "A tarefa humana de lidar com as diferenças é uma das mais difíceis, não é um desafio fácil, mas vale insistir."

5. Seja uma pessoa que incentiva a criança a expressar suas emoções.

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Quando a criança fala, ela começa a pensar mais sobre o assunto e a refletir mais, "dando novos significados para determinadas ideias que ela pode associar à sua imagem", explica Luciana. Com crianças muito pequenas, a especialista sugere tentar entender a criança através de brincadeiras. "Isso vai ajudando a família ou os adultos que convivem com a criança a entender o que se passa com ela e refletir sobre a possibilidade de o meio familiar e social estarem contribuindo, de alguma forma, para que ela construa aquelas preocupações relacionadas a sua imagem", diz.

6. Converse com a criança se ela está falando coisas que a colocam para baixo.

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Falar mal de si mesmo nunca é legal. "Pergunte porque ela fala assim de si mesma, o que está acontecendo. Uma boa conversa, amorosa, um olhar atento e afetuoso pode ajudar muito", diz Beatriz.

7. Se a criança está sofrendo bullying na escola, vale a pena levar a questão para os educadores.

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"Dificilmente o problema é só de uma criança", diz Beatriz. Por isso, em uma escola bem preparada e cuidadosa, levar a questão para os educadores pode ajudá-los a trabalhar em sala a questão da diferença entre as crianças. "É preciso se ocupar dessa temática nas escolas, nos espaços sociais e familiares", ressalta Luciana.

8. Perceba que frases como "Esse vestido te deixa mais gordinha", "Você comeu todo o chocolate, vai ficar gordo e feio" e "Você fica só no videogame, vai ficar gordo" não ajudam em nada.

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Porque elas não ajudam mesmo. "Estas frases não são construtivas nem educativas e podem interferir a longo prazo na imagem que a criança tem de si mesma", diz Beatriz. Uma criança não deve comer o todo chocolate porque não é saudável, não por que ela vai ficar feia. "O adulto pode e deve dar um parâmetro de adequação. Não por que a criança esteja feia, gorda ou ridícula. Mas por que não pode! Simples assim", diz a especialista.

9. Pense mais sobre sua imagem corporal e sua relação com seu corpo.

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Se você não consegue nem perceber suas encanações com seu corpo, é ainda mais fácil repassá-las para crianças. "Essa preocupação o faz olhar para a criança a partir da sua subjetividade, desconsiderando que ele pode ter outras possibilidades, lidar de outra forma com seu corpo", diz Luciana. Pense mais sobre a sua relação com seu corpo e procure ajuda profissional se você notar que está com dificuldades em se aceitar.

A Semana De Bem Com o Seu Corpo é voltada para explorar e celebrar nossas complicadas relações com nossos corpos. Você pode ler os posts da Semana De Bem Com o Seu Corpo aqui.