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Procurador suspeito de atuar em favor da JBS acertou R$ 1 milhão para deixar escritório

Marcelo Miller disse que se desgastou após ser citado por Michel Temer. A OAB suspendeu o registro do ex-procurador.

publicado

O ex-procurador Marcelo Miller, suspeito de fazer jugo duplo para facilitar a delação da JBS, disse em depoimento que acertou o recebimento de R$ 1 milhão para sair do escritório contratado pela empresa dos irmãos Batista.

No depoimento prestado na semana passada, o ex-procurador disse que está desempregado e que combinou o valor de R$ 1 milhão a ser pago em 18 meses, como forma de compensar sua saída do escritório Trench Rossi Watanabe.

Miller é o centro da polêmica que causou a reviravolta na delação de Joesley Batista. Isso porque, após ser citado numa gravação do próprio empresário, a Procuradoria-Geral da República colocou sua atuação sob suspeita e que Joesley havia escondido isso dos investigadores.

Para a PGR, há indícios de que ele atuava em favor da empresa quando ainda ocupava o cargo. Miller nega e disse que nunca tratou da delação com ninguém do Ministério Público.

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) suspendeu o registro de Miller.

Ele afirmou que tratou sobre a possibilidade de contratação com Francisco de Assis, diretor jurídico da JBS, em fevereiro de 2017, quando ainda ocupava cargo no Ministério Público.

"Conheceu Dr Francisco na primeira quinzena de fevereiro, cm reunião no escritório da Dra Fernanda Tórtima; que nessa reunião o depoente se apresentou como procurador da República que estava decidido a deixar o MPF; Que o Dr Francisco mencionou que estava procurando por um profissional que exercesse a função de Diretor geral de Complaice, que nessa ocasião não foi esclarecida a razão para se ocupar essa diretoria: que o depoente nessa ocasião mencionou a iminente contratação pelo escritório Trach e Watanabe, razão pela qual entendeu que não haveria ambiente para aprofundar sobre a possível contratação".

Miller diz ainda que só ficou sabendo da gravação de Temer em abril, quando já tinha deixado o Ministério Público. No depoimento, Miller disse que a crise desgastou sua atuação no escritório Trench Rossi Watanabe, sobretudo após sua atuação ser questionada pelo presidente Michel Temer.

"Que inicialmente a repercussão do assunto envolvendo a participação do depoente na leniência não gerou o desligamento do escritório: que somente com as declarações do Presidente Michel Temer e a exploração desses fatos pela imprensa, assim como a publicação de sua remuneração pela imprensa, o escritório concluiu pela necessidade de saída do depoente; que depois que saiu do escritório não teve mais nenhum conhecimento sobre eventuais contratos firmados", disse.

Em sua defesa, ele disse que hoje está desempregado e nunca atuou de forma irregular em favor da JBS.

"Que jamais aceitou promessa de vantagem devida ou indevida da J&F; que hoje está desempregado; que o distrato contempla o pagamento de um milhão seiscentos e dez reais durante 18 meses, que contempla todos os haveres do depoente; que este dinheiro é poupado e se sustenta com o salário da esposa", disse.


Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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