PF diz que Banco Central pode ter facilitado prejuízo de R$ 232 mi para Caixa

Na operação Conclave, PF classifica de “suicida” negócio entre Caixa e banco de Sílvio Santos, autorizado pelo Banco Central.

Relatório da Polícia Federal e do Ministério Público levanta a suspeita de que o Banco Central já tinha indícios de fraudes quando autorizou preliminarmente que a Caixa Econômica comprasse o banco Panamericano, à época controlado pelo grupo Silvio Santos.

José Cruz/Agência Brasil

No total, a PF afirma que, no mínimo, o prejuízo para a Caixa foi de R$ 739 milhões. Isso porque, depois de comprar o banco por esse valor, descobriu-se um rombo bilionário na contabilidade da instituição.

No relatório, a PF classifica a operação financeira de suicida. E levanta a suspeita de que o Banco Central pode ter ajudado a viabilizá-la. Primeiro, porque autorizou “preliminarmente” o negócio, a “toque de caixa”, nas palavras dos investigadores. Além disso, a PF diz que há indícios de que técnicos do Banco Central já desconfiavam das fraudes quando essa autorização ocorreu.

A cronologia, segundo investigadores, é a seguinte. Em maio de 2010, técnicos do Banco Central começaram a desconfiar das inconsistências contábeis. Em junho, é comunicada a autorização preliminar e, em julho, a Caixa paga R$ 232 milhões.

Assim a PF resumiu o caso:

“Fácil constatar que ao Banco Central cabia a apreciação e autorização, em caráter definitivo, da transação firmada entre o banco Panamericano e a CAIXAPAR, após devida avaliação dos riscos do negócio. Com efeito, o Banco Central jamais deveria ter autorizado o negócio a “toque de caixa”, em caráter preliminar, o que revela uma urgência incomum e uma estratégia que poderia ser suicida para a CAIXAPAR, o que, de fato, acabou ocorrendo. Tanto assim é verdade que, somente em setembro de 2010, após a autorização preliminar, o Banco Central oficialmente teria identificado indícios de inconsistências na contabilidade do Panamericano. Dessa forma, os problemas na contabilidade do banco Panamericano, supostamente “invisíveis” ao Banco Central em um primeiro momento, permitiram que fosse autorizada uma negociação totalmente desastrosa”.

A PF, contudo, diz que ainda não é possível afirmar categoricamente se ocorreu falhas no Banco Central, embora considere “precária” a autorização dada. No relatório, os investigadores enumeram nove pontos a serem apurados em relação ao Banco Central. Entre eles, “qual teria sido a razão para beneficiar indevidamente
o Grupo Silvio Santos”

Antigo dono do Panamericano, o apresentador Silvio Santos é citado no relatório lateralmente. Os investigadores relembraram o episódio já conhecido da reunião entre o apresentador e o então presidente Lula, em 2010. De início, era um encontro para falar de doações ao Teleton. Mas, depois, descobriu-se que era para tratar dos problemas financeiros do negócio.

Atualização, 20 de abril, às 16h24.

Em nota divulgada nesta quinta (20), o Banco Central disse que os critóerios adotados pelo órgão durante a análise da compra do Panamericano pela Caixa “foram técnicos, hígidos, abrangentes, regulares” e seguiram as normas internas.

O BC afirmou, ainda, que a autorização ao negócio dada em julho de 2010 foi “definitiva”.

Leia a íntegra neste link.

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PF investiga compra de banco Panamericano pela Caixa



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Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília
 
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