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Ex-líder do governo Dilma tinha lista de funcionários da Petrobras "que odiavam Lula"

Agora preso, Cândido Vaccarezza recebeu de um funcionário da Petrobras uma lista de 13 gerentes que supostamente seriam contrários ao PT e, por isso, deveriam perder os cargos.

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Laycer Tomaz/ Câmara dos Deputados / Via fotospublicas.com

Preso pela Lava Jato nesta sexta-feira (18), o ex-líder do governo Dilma e Lula na Câmara, Cândido Vaccarezza recebia e acompanhava diversas demandas sobre a Petrobras, de acordo com e-mails caputurados pela Polícia Federal.

Uma das mensagens chamou a atenção da PF pela sugestão de perseguir e demitir funcionários da estatal que não estivessem alinhados com o PT.

Era dezembro de 2010 e o autor do e-mail era Amauri Maciel, funcionário da Petrobras. Na mensagem, ele pede a Vaccarezza providências contra gerentes que, segundo ele, "odiavam Lula".

Reprodução


"Fizemos um levantamento de pessoas que ocupam cargos Gerenciais dentro da Petrobras, e segue abaixo algumas das pessoas que trabalharam na campanha do Serra. É inadmissível ter pessoas em cargos gerencias dentro da Petrobras que trabalharam forte para que o Serra tivesse ganho as eleições. Nosso papel é defender a Petrobras e esse governo, assim como o novo Governo", diz a mensagem.

O e-mail ainda acompanhava um anexo com os nomes, cargos, fotos e matrículas de 13 gerentes. Havia, ainda, um breve comentário sobre a pessoa.

"Gerente de empreendimentos. Odeia sindicatos e partidos de esquerda. Tem ódio mortal ao Lula".

No relatório, a PF não aponta a resposta de Vaccarezza. Para os investigadores, o caso merece "repulsa".

"Deve ser repetido que ainda causa repulsa o fato de que funcionários de menor escalão da estatal tivessem conhecimento da influência política que agremiações políticas e seus representante tinham na empresa, sendo ainda mais grave que o fato de AMAURI MACIEL ter solicitado ao então Deputado Federal CÂNDIDO ELPÍDIO DE SOUZA VACCAREZZA a destituição de diversos funcionários da PETROBRAS em cargos diretivos pelos singelos e injustificados argumentos de que não “gostavam” ou tinham “ódio mortal” do PARTIDO DOS TRABALHADORES, de sindicatos e de seus principais representantes", diz a PF.

Atualmente, Vaccarezza é rachado com o PT e filiou-se ao PTdoB. O BuzzFeed não conseguiu contato com sua defesa. A reportagem enviou e-mail para Amauri Maciel, mas não obteve resposta. O texto será atualizado assim que houver a posição dos citados.

Em nota publicada pelo jornal Estado de S.Paulo, o advogado de Vaccarezza, Marcellus Ferreira Pinto, negou as acusações da PF.

“A defesa de Cândido Vaccarezza, por meio do advogado Marcellus Ferreira Pinto, esclarece, em nota, que: Cândido Vaccarezza nunca intermediou qualquer tipo de negociação entre empresas privadas e a Petrobrás. A prisão foi decretada com base em delações contraditórias, algumas já retificadas pelos próprios delatores. A busca e apreensão excedeu os limites da decisão judicial, confiscando valores declarados no imposto de renda e objetos pertencentes a terceiros sem vínculo com a investigação. A defesa se manifestará nos autos e espera que a prisão seja revogada e as demais ilegalidades corrigidas”.

Veja também:

Lava Jato prende ex-líder do governo Dilma na Câmara


Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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