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Firmas em paraísos fiscais ocultam quem são os donos de imóveis que valem R$ 8,6 bi em SP, diz estudo

Levantamento da Transparência Internacional cruzou dados do IPTU com a Junta Comercial e descobriu um mercado silencioso de imóveis registrados em nome empresas offshore.

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Regiões nobres da cidade de São Paulo, como Avenida Paulista, Faria Lima e Jardins, abrigam um seleto grupo de empresas offshore que somam R$ 8,6 bilhões em 3.452 imóveis, cujos donos são companhias estrangeiras que omitem os seus reais proprietários.

A conclusão é de um estudo da Transparência Internacional, que cruzou os dados dos imóveis a partir das cobranças do IPTU e, depois, mapeou os donos na Junta Comercial.

Offshores são empresas registradas em paraísos fiscais, geralmente sem funcionários ou atividade econômica, que gerenciam patrimônio de modo a omitir os reais donos, por meio de diretores que representam as companhias.

Ao cruzar os dados, a equipe comandada pelo pesquisador brasileiro Fabiano Angélico descobriu uma pequena indústria multibilionária de imóveis de offshores em São Paulo.

Os números são robustos:

  • 3.452 imóveis em São Paulo

  • 236 offshores

  • R$ 8,6 bilhões

  • 53 milhões de metros quadrados (7.400 campos de futebol)

Esses imóveis ficam nas seguintes regiões de São Paulo: Avenidas Paulista, Faria Lima, Chucri Zaidan, Engenheiro Luiz Carlos Berrini, além dos Jardins, Vila Olímpia e Vila Nova Conceição.

Ter offshores não é crime e, como ficam em paraísos fiscais, costumam ser uma maneira de economizar em impostos. Mas há diversos estudos e casos que mostram que, na prática, esse tipo de empresa é utilizada como maneira de lavar dinheiro, usar laranjas e esconder patrimônio.

“Sua principal vantagem é o sigilo que protege o nome do beneficiário final do escrutínio público: não é necessário registrar o nome do beneficiário final por trás da empresa. Essa é a razão central pela qual essas empresas acabam sendo utilizadas para esconder ganhos advindos de atos ilícitos”, diz a Transparência Internacional.

Na Lava Jato, por exemplo, a 32a fase teve como foco a firma panamenha Mossack Fonseca, que havia registrado 44 offshores suspeitas. Não por acaso, o nome da operação foi "Caça Fantasmas".

Para a Transparência Internacional, é preciso um pacto internacional para coibir o uso indevido das offshores.

Diz a entidade:

“A Transparência Internacional defende um cadastro de empresas aberto e publicamente disponível em todos os países que listam o beneficiário final das empresas. Isso ajudaria a acabar com o uso indevido de empresas secretas pelos corruptos”.

O estudo mapeou, ainda, a sede das offshores. Ilhas Virgens Britânicas, Uruguai, Estados Unidos (Delaware), Panamá e Suíça representaram 87% das 236 empresas.

Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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