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Eduardo Cunha diz que ministro de Temer mentiu em juízo sobre relação com empreiteira

O ex-deputado diz que testemunhou um encontro entre Moreira Franco e Léo Pinheiro, da OAS, para tratar de doações em 2010.

publicado
Ueslei Marcelino / Reuters

O ex-deputado Eduardo Cunha acusou o ministro Moreira Franco (secretaria-geral da Presidência) de mentir em depoimento na Justiça sobre suas relações com uma empreiteira da Lava Jato.

Cunha prestou depoimento nesta segunda-feira (6) em audiência na ação penal que julgar o esquema de desvios na Caixa.

Cunha diz que testemunhou um almoço entre Moreira Franco e Léo Pinheiro, da empreiteira OAS.

“Moreira Franco mente dizendo que só conheceu Léo Pinheiro em 2013. Eu testemunhei um almoço em 2010. Não pode dizer que só conheceu em 2013 quando era ministro da Aviação Civil. Ele mentiu e eu sou testemunha da mentira”, disse.

Cunha, sem dar detalhes, deu a entender que a conversa teve como assunto a Caixa Econômica, uma vez que Moreira Franco era vice-presidente da Caixa e André de Sousa, dirigente do comitê do FGTS, também participou do almoço.

De acordo com Cunha, ele ouviu de Léo Pinheiro que dessa conversa saiu um acerto para doar dinheiro ao PMDB.

“Por uma coincidência, cheguei na residência oficial da Câmara, no fim do almoço. Encontrei Léo Pinheiro e ele disse que asquiesceu com uma doação ao PMDB”.

A relação de Moreira Franco é especialmente importante para Michel Temer. Moreira é um dos ministros mais próximos de Temer e membro do grupo que desde o governo Lula fazia parte da articulação de Temer com o governo.

Um dos episódios de Léo Pinheiro atinge diretamente Temer, como o Buzzfeed News revelou.

Uma troca de mensagens entre Cunha e o empreiteiro mostra inconformismo com a doação de R$ 5 milhões para Temer em 2014.

Questionado sobre o depoimento de Cunha, o ministro disse que "é notória a divergência política entre eu e o ex-deputado, portanto, não me surpreende qualquer juízo de valor".

PERGUNTAS

No depoimento, Cunha se recusou a responder às perguntas da defesa do operador Lúcio Funaro, que fez delação premiada.

As perguntas traziam uma série de recados. Uma delas, por exemplo, questionava por que a American Express cancelou ou cartão de crédito de Eduardo Cunha, dando a entender que alguém deixou de pagar as faturas.

Outra pergunta tratava da compra de diamantes de uma empresa em Israel.

Houve ainda uma citação de uma reunião em 2012, entre Funaro (que já era delator no mensalão, Cunha, Joesley Batista (da JBS) e Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda.

"O senhor teve uma reunião com Henrique Meirelles, Lúcio Funaro, Marcos Magalhães Pinto e Joesley Batista na sede da J&F em 2012 para falar do fundo de compensação de variações salariais?", questionou o advogado Bruno Espiñera.

Cunha não respondeu nenhuma pergunta.

Veja também:

Eduardo Cunha ataca delator do PMDB e defende Temer

R$ 5 milhões da OAS foram para conta de campanha de Temer, não do PMDB


Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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