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Depois de 2 anos de instrução, TSE adia julgamento de Dilma e Temer

Guido Mantega e João Santana serão ouvidos, tais depoimentos e novo prazo para advogados deve deixar julgamento para maio. Relator critica: "Não podemos ouvir Adão e Eva e possivelmente a serpente."

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Depois de mais de dois anos de processo, os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiram nesta terça-feira (4) ouvir novas testemunhas e ampliar o prazo para os advogados de Dilma Rousseff e Michel Temer se defenderem das acusações de caixa-dois na campanha presidencial de 2014.

Com isso, o caso só deve retornar ao plenário do TSE em maio, quando dois novos ministros fizerem parte da composição da corte. Eles são indicados por Temer.

Entre as novas oitivas estão do ex-ministro Guido Mantega e dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

Ouvir Guido foi uma sugestão do próprio relator, Herman Benjamin, já o casal Santana foi proposto pelo Ministério Público Eleitoral.

Entre os debates, também, foram sugeridos outros nomes para serem ouvidos, como os de presidentes de partidos citados pela Odebrecht no processo, mas Herman negou a possibilidade e fez críticas dizendo que o processo poderia nunca acabar.

Disse o relator:

"Não podemos tornar este processo um universo sem fim. Não podemos ouvir Adão e Eva e possivelmente a serpente. Não somos noviços e nem os brasileiros são tolos. Nós sabemos o que está diante de nós. Vamos avaliar os fatos como estão postos (...) "Quem nós vamos ouvir? Os doleiros? Os motoqueiros? Por que não o porteiro do prédio ou o garçom do inferninho onde o dinheiro foi entregue? É uma questão de critério".

Devido às novas oitivas, um prazo maior será concedido para que as defesas apresentem seus argumentos finais.

Advogados de Dilma Rousseff haviam pedido mais cinco dias, que acabaram sendo concedidos em meio aos debates.

Agora, a dinâmica será a seguinte:

Nos próximos dias Herman ouvirá Guido e o casal Santana. Os advogados poderão apresentar contra-provas sobre os depoimentos.

Encerrada esta etapa, será aberto um prazo de cinco dias para que as defesas se manifestem.

Somente após tais fases o processo estará novamente pronto para o plenário e poderá ser pautado. O que deve acontecer em meados de maio.

DEBATES ACALORADOS

Apesar de o julgamento ainda sequer ter entrado na discussão de culpa propriamente dita de Dilma e Michel Temer, alguns momentos acalorados foram registrados.

Como os advogados haviam tido dois dias para fazer suas alegações finais, Herman queria dar mais 3 para que, ao todo, tivessem cinco.

Os demais ministros entenderam que na verdade estava-se cancelando o prazo anterior e se concedendo um prazo novo de 5 dias.

Henrique Neves, por exemplo, perguntou qual seria o problema de dar "dois dias a mais, ou dois dias a menos". Herman Benjamin rebateu: "É o simbolismo. Não é um dia ou dois dias a mais, mas a ninguém deve se prazo a mais do que estabelecido em lei", disse o relator.

Gilmar Mendes, presidente do TSE, foi mais duro contra o relator.

"Ainda que se queira dourar a pílula, a questão é que o senhor violou a jurisprudência".

Antes do julgamento, policiais levaram uma cachorra para farejar explosivos. O plenário foi esvaziado. Depois da ronda, nada de bomba.

Nem de julgamento.

Cachorro chega ao plenário do TSE para farejar explosivos

Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

Severino Motta é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

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