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A JBS está sob suspeita de manipular o mercado, mas para a Bolsa está tudo bem

Ações da empresa e do Ibovespa operam normalmente, apesar da prisão dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

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Ao contrário do dia em que os donos da JBS fizeram delação premiada e acusaram o presidente Michel Temer, quando o mercado de ações teve duras quedas, a prisão do irmãos Batista até aqui tem passada despercebida na Bolsa de Valores.

É como se fosse um dia qualquer na bolsa. O índice iBovespa está flutuando na faixa de 0,03 % e as ações da JBS também oscila, em 0,7%.

Apesar disso, a operação da polícia Federal desta quarta-feira é duplamente dura para a JBS. O nome da operação é sugestivo: Tendão de Aquiles.

O primeiro motivo é a prisão de Joesley e Wesley Batista. Joesley já estava preso e enrolado com a possibilidade de perder os benefícios da delação premiada.

Wesley, contudo, era o principal braço empresarial da família que controla a JBS. E, até hoje, vinha passando incólume. Para piorar, a prisão dos irmãos é preventiva, sem data para liberação.

O segundo motivo de preocupação para a JBS é que a operação desta quarta-feira ataca o próprio mercado financeiro.

Ao contrário do fatídico dia da delação, que envolvia políticos, a JBS agora é acusada de manipular o mercado. Enquanto as ações derretiam com a revelação da delação, a JBS é suspeita de se antecipar a esse acontecimento para lucrar com isso.



Assim resumiu a PF:

"A investigação apura dois eventos: o primeiro é a realização de ordens de venda de ações de emissão da JBS S/A na bolsa de valores, entre 24 de abril e 17 de maio, por sua controladora, a empresa FB Participações S/A e a compra dessas ações, em mercado, por parte da empresa JBS S/A, manipulando o mercado e fazendo com que seus acionistas absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha. O segundo evento investigado é a intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS S/A em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17".

Há um outro fator importante. A suspeita não é só da PF. A corporação fez questão de pontuar que a operação acontece com a "intensa cooperação institucional com a Comissão de Valores Mobiliários", que regula o mercado financeiro.

A operação desta quarta-feira é mais um desdobramento da delação dos irmãos Batista.


Para quem não se lembra, Joesley Batista ganhou fama por gravar o presidente Michel Temer e, depois, mandar pagar R$ 500 para um ex-assessor do presidente. A PF filmou a entrega da mala de dinheiro.


A situação mudou quando a própria JBS entregou áudios de Joesley falando das tratativas o procurador Marcelo Miller, numa espécie de jogo duplo. Com isso, Joesley foi preso e corre o risco de perder o benefícios da delação.


Após a operação desta quarta-feira, a JBS soltou a seguinte nota.

"A JBS S.A. (“JBS” ou “Companhia” – B3: JBSS3; OTCQX: JBSAY), nos termos da Instrução CVM nº 358, de 3 de janeiro de 2002, conforme alterada, comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que na manhã de hoje, tomou conhecimento da detenção do seu Diretor Presidente, Wesley Batista, em cumprimento ao mandado expedido pela 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.

A Companhia ainda não teve acesso à integra dessa decisão e manterá seus acionistas e o mercado devidamente informados acerca de tal tema".

Veja também:

PF prende empresário do grupo JBS Wesley Batista

Filipe Coutinho é repórter do BuzzFeed News, em Brasília

Contact Filipe Coutinho at filipe.coutinho@buzzfeed.com.

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