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Desculpe, mas vinho tinto não é bom para você

Novas diretrizes sobre álcool dizem que não há "nenhuma justificativa para recomendar a bebida por razões de saúde".

publicado
Minerva Studio / Getty Images

Beber vinho tinto regularmente é ruim para a saúde, de acordo com novas diretrizes oficiais.

O vinho tinto tem sido aclamado por seus supostos benefícios para a saúde, incluindo prevenção do câncer e doenças cardíacas e até na queima de gordura.

Mas na primeira atualização de diretrizes sobre álcool no Reino Unido em 20 anos, especialistas estão advertindo claramente que nenhum nível de consumo regular é isento de riscos. Em 1995, a diretriz disse que beber pequenas quantidades de álcool, especialmente vinho tinto, poderia reduzir doenças do coração para homens com mais de 40 anos e mulheres pós-menopáusicas.

No entanto, as novas disposições, divulgadas na sexta-feira pela diretora médica Sally Davies, afirmam que "a evidência que sustenta efeitos protetores agora é mais fraca do que era na época do relatório de 1995". Ela diz:

Levando isso em conta, junto com todos os riscos agudos e crônicos conhecidos para a saúde por conta do consumo de bebida mesmo em níveis baixos, confirma-se a conclusão do grupo de que não há justificativa para a recomendação de beber por motivos de saúde, nem para começar a beber por razões de saúde.

O relatório concluiu que qualquer benefício do álcool na saúde do coração só é relevante para mulheres com pelo menos 55 anos.

De um modo geral, as novas diretrizes não são boas notícias para aqueles que gostam de beber. Aqui está o que elas dizem:

* Não beba mais de 14 unidades por semana — tanto homens quanto mulheres. Anteriormente, homens foram aconselhados a não beber mais de 21 unidades.

* Passe vários dias sem beber em uma semana.

* Se você estiver grávida ou planejando uma gravidez, não beba de jeito nenhum. A diretriz anterior sugeria que era seguro beber até quatro unidades por semana.

* Não exagere na bebida — você vai "aumentar o risco de morte por doenças crônicas e acidentes e lesões".

* Se quiser limitar os riscos para a saúde em relação a uma única sessão de bebida, você deve beber mais devagar, alternar as bebidas com água, evitar "lugares e atividades de risco" — e consumir menos álcool.

* O risco de desenvolver câncer aumenta com qualquer quantidade consumida regularmente.

Uma unidade é equivalente a aproximadamente metade de um copo de 175 ml de vinho ou 250 ml de cerveja.

Department of Health

Naveed Sattar, professor de medicina metabólica da Universidade de Glasgow, disse que muitas pessoas haviam sido "seduzidas a beber mais do que deveriam, na crença de que o álcool as protegia de doenças do coração".

Ele acrescentou: "Esta 'proteção' aparente agora é uma questão em aberto e, com a outra evidência demonstrando que até mesmo pequenas quantidades aumentam outros riscos para a saúde, incluindo, mas não limitando, ao ganho de peso e câncer. Está claro que quanto menos álcool bebido, melhor."

John Holmes, pesquisador sênior da Universidade de Sheffield, disse que os chamados benefícios do álcool para a saúde podem ter sido "substancialmente superestimados".

Ele disse que qualquer dessas vantagens era "pequena, associada com níveis muito baixos de consumo de álcool, e que mesmo que fossem verdadeiras, provavelmente só beneficiariam grupos específicos da população".

A instituição de caridade Alcohol Research disse que as novas diretrizes assumiram uma "visão conservadora" dos possíveis benefícios da bebida.

James Nicholls, diretor de pesquisa e desenvolvimento de políticas, disse: "Esta questão ainda não está esclarecida na pesquisa e não há muitos detalhes sobre como se chegou à alegação de que beber moderadamente reduz apenas o risco de doenças cardíacas entre mulheres com mais de 55 anos.

"No entanto, as diretrizes refletem o fato de que qualquer efeito protetor pode ser cancelado por beber demais — até mesmo em uma única ocasião — e que os possíveis efeitos protetores entre os mais velhos precisam ser balanceados em relação à nova evidência sobre os riscos de câncer, que está distribuído mais amplamente em toda a população."

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