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11 museus brasileiros que respiram por aparelhos

Incluindo até o Inhotim, administrado pela iniciativa privada.

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1. Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga - São Paulo (SP)

Em 2013 o museu teve de fechar as pressas para que uma tragédia semelhante à do Museu Nacional não acontecesse. O espaço de mais de 120 anos estava caindo aos pedaços, o forro do salão nobre, onde ficava o quadro Independência ou Morte (acima), estava prestes a desabar na cabeça dos visitantes. De acordo com o historiador Laurentino Gomes, vários ambientes estavam com pinturas rachadas e mofo. Quem administra o museu é da USP (Universidade de São Paulo), sob responsabilidade do governo estadual. O museu fica no Parque da Independência, de responsabilidade do governo municipal. Lá também estão a Casa do Grito, a Praça Cívica, o Monumento à Independência, o jardim e o riacho do Ipiranga. Os prédios e seus edifícios são tombados pelo governo federal, então todas as reformas necessitam de aprovação de todas as esferas do governo. Seis anos depois, as obras de revitalização do museu ainda não começaram, mas a promessa é de que a reinauguração aconteça em 2022. Fica a expectativa para saber se poderemos ou não comemorar os 200 anos da independência do Brasil.
Reprodução USP / Via mp.usp.br

Em 2013 o museu teve de fechar as pressas para que uma tragédia semelhante à do Museu Nacional não acontecesse. O espaço de mais de 120 anos estava caindo aos pedaços, o forro do salão nobre, onde ficava o quadro Independência ou Morte (acima), estava prestes a desabar na cabeça dos visitantes. De acordo com o historiador Laurentino Gomes, vários ambientes estavam com pinturas rachadas e mofo. Quem administra o museu é da USP (Universidade de São Paulo), sob responsabilidade do governo estadual. O museu fica no Parque da Independência, de responsabilidade do governo municipal. Lá também estão a Casa do Grito, a Praça Cívica, o Monumento à Independência, o jardim e o riacho do Ipiranga. Os prédios e seus edifícios são tombados pelo governo federal, então todas as reformas necessitam de aprovação de todas as esferas do governo. Seis anos depois, as obras de revitalização do museu ainda não começaram, mas a promessa é de que a reinauguração aconteça em 2022. Fica a expectativa para saber se poderemos ou não comemorar os 200 anos da independência do Brasil.

2. Arquivo Nacional - Rio de Janeiro (RJ)

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O Arquivo Nacional é SÓ o local onde estão alguns dos mais importantes documentos da história do Brasil do século XVI ao XXI, entre eles a Lei Áurea, as Constituições Brasileiras e oito mil obras raras da história do Brasil. Um lugar como este deveria ter bastante verba para poder manter todo esse material muito bem preservado para toda nossa história estar muito bem guardada, certo? Infelizmente, não é assim que as coisas funcionam. Em 2017 eram necessários R$ 22,2 milhões para manter tudo funcionando, mas houve um corte de verbas de 25% e o prédio passa por problemas como degradação química, infestação de insetos e roedores. De acordo com o El País, um laudo do Corpo de Bombeiros, todo o sistema de hidrantes de um dos blocos do prédio estava em estado avançado de deterioração. Ou seja, se pegar fogo, já era.

3. Museu Paraense Emílio Goeldi - Belém (PA)

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O museu é parte de uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações do Brasil em Belém. Com muita dificuldade para se manter funcionando, em 2017 ele quase fechou duas de suas três instituições, o Parque Zoobotânico e a Estação Científica Ferreira Penna. Em 2018 o Congresso Nacional garantiu o orçamento de R$ 15,5 milhões para 2018, mas ao que tudo indica em 2019 eles terão de lutar novamente pela verba anual da instituição.

4. Fundação Iberê Camargo - Porto Alegre (RS)

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Criada em 1995 para preservar a obra do artista Iberê Camargo, a partir de 2016 passou a abrir apenas dois dias por semana (sábados e domingos, só à tarde) por falta de verba. Em 2018, a instituição segue em busca de empresas dispostas a usar da Lei Rouanet para manter o espaço vivo e funcionando. Para se ter uma ideia, com ajuda da lei Rouanet empresas doaram R$ 8,7 milhões em 2014 e apenas R$ 2,2 milhões em 2016.

5. Paço das Artes - São Paulo (SP)

Criado em 1969, a instituição trabalha com artes plásticas, visuais e multimídia e nunca teve uma sede definitiva para seu acervo. Ela já foi na Avenida Paulista, dividiu espaço com o MIS de São Paulo e estava na USP entre 1994 e 2016, em prédio do Instituto Butantan. Ela ocupava um espaço criado nos anos 70 para abrigar instituições artísticas, mas que nunca foi finalizado. Como foi totalmente abandonado pela universidade, atualmente é conhecido por "Esqueleto da USP". Em 2013 um estudante morreu em suas imediações. Atualmente, o Paço das Artes voltou ao MIS, num espaço de apenas 80 m², o que fez com que algumas de suas exposições acontecessem em outros lugares da cidade de São Paulo, como a Oficina Cultural Oswald de Andrade e no MAC-USP. De acordo com a Folha, entre o final de 2019 e o começo de 2020, a instituição deve ir para um casarão no bairro de Higienópolis, em São Paulo por pelo menos 20 anos. Ou seja, pode ser que depois precise mudar de endereço novamente.
Reprodução Jornal do Campus/ USP/ Laura Capelhuchnik / Via jornaldocampus.usp.br

Criado em 1969, a instituição trabalha com artes plásticas, visuais e multimídia e nunca teve uma sede definitiva para seu acervo. Ela já foi na Avenida Paulista, dividiu espaço com o MIS de São Paulo e estava na USP entre 1994 e 2016, em prédio do Instituto Butantan. Ela ocupava um espaço criado nos anos 70 para abrigar instituições artísticas, mas que nunca foi finalizado. Como foi totalmente abandonado pela universidade, atualmente é conhecido por "Esqueleto da USP". Em 2013 um estudante morreu em suas imediações. Atualmente, o Paço das Artes voltou ao MIS, num espaço de apenas 80 m², o que fez com que algumas de suas exposições acontecessem em outros lugares da cidade de São Paulo, como a Oficina Cultural Oswald de Andrade e no MAC-USP. De acordo com a Folha, entre o final de 2019 e o começo de 2020, a instituição deve ir para um casarão no bairro de Higienópolis, em São Paulo por pelo menos 20 anos. Ou seja, pode ser que depois precise mudar de endereço novamente.

6. Museu da Casa Brasileira - São Paulo (SP)

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Provando que na casa do ferreiro o espeto é de pau, o Museu da Casa Brasileira pode ser DESPEJADO. Isso porque a Fundação Padre Anchieta, dona do prédio do museu e administrada pelo governo do estado de São Paulo, não garante que vai continuar cedendo espaço para o local em 2021. Em 1971 as duas instituições firmaram um contrato de 50 anos para o prédio ser ocupado pelo museu. O museu tem obras como esculturas de Victor Brecheret e obras de Candido Portinari e Di Cavalcanti, apenas para dar alguns exemplos.

7. Museu Afro Brasil - São Paulo (SP)

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Com acervo de seis mil obras que preservam a cultura africana e afro-brasileira, o museu sempre teve notícias não muito animadoras. Em 2005, um ano após sua criação, quase fechou por falta de verba do governo federal. Em 2009 chegou a ficar uma semana inteira fechado, foi incorporado ao governo estadual. Em 2011 aconteceu uma crise entre seus diretores e conselheiros. Em 2015 aguardava verba do Ministério da Cultura para troca da esquadria de vidros do telhado e modernização da parte elétrica. De acordo com o diretor do museu, a reforma diminuiria o calor que estava deteriorando algumas obras, principalmente as de arte sacra, como relata esta matéria do Estadão. Não há nenhum registro ou notícia no sites do museu ou do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) sobre a realização da obra. Em 2017, Emanuel Araújo, diretor do museu foi acusado de assédio sexual.

8. Museu de Arte Moderna (MAM) - Rio de Janeiro (RJ)

Com 70 anos de história, a direção diz que precisa de uma verba de entre R$ 6,5 milhões e R$ 7 milhões anuais para manter o museu, mas em 2017 conseguiu apenas R$ 3,8 milhões em 2017. Para resolver os problemas da crise, a direção do museu resolveu tomar medidas drásticas e vender o quadro N.º 16, de Jackson Pollock, parte do acervo do museu. A estimativa é conseguir R$ 80 milhões para um fundo com objetivo de salvar as contas da instituição.
Yasuyoshi Chiba / AFP / Getty Images

Com 70 anos de história, a direção diz que precisa de uma verba de entre R$ 6,5 milhões e R$ 7 milhões anuais para manter o museu, mas em 2017 conseguiu apenas R$ 3,8 milhões em 2017. Para resolver os problemas da crise, a direção do museu resolveu tomar medidas drásticas e vender o quadro N.º 16, de Jackson Pollock, parte do acervo do museu. A estimativa é conseguir R$ 80 milhões para um fundo com objetivo de salvar as contas da instituição.

9. Museu da Imagem e do Som (MIS) - Rio de Janeiro (RJ)

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Criado em 1965, foi o primeiro museu dedicado ao audiovisual no Brasil e em 2010 ganhou o projeto de uma sede nova na praia de Copacabana. O que era para ser uma grande ideia, virou um baita elefante branco. Ele deveria ser inaugurada em 2014 por causa da Copa do Mundo, mas até hoje não teve sua obra concluída. De acordo com reportagem da BBC Brasil, o governo do estado do Rio de Janeiro diz que a obra vai estar pronta em 2020. Houve rescisão de contrato com a empreiteira responsável pela obra e o governo tem dificuldade para fazer nova licitação para a obra por causa do estado ter decretado "calamidade financeira" em 2016. O acervo do MIS do RJ tem mais de 300 mil documentos entre discos, partituras, fotos, textos, vídeos, incluindo 18 mil discos da Rádio Nacional.

10. Inhotim - Brumadinho (MG)

Nem mesmo a iniciativa privada consegue manter de forma saudável e sem problemas um museu no Brasil. Um dos maiores museus de arte a céu aberto, Inhotim foi inaugurado em 2007, tem 23 galerias de arte, 23 obras de grande escala a céu aberto, além de coleção de botânica com mais de quatro mil plantas. Porém, seu dono, o empresário Bernardo Paz, e sua irmã foram condenados a prisão por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em 2017. Além disso, ele estava devendo quase R$ 500 milhões para o estado de Minas Gerais e repassou 20 obras do acervo para o governo em troca de um perdão de quase R$ 400 milhões na dívida, assim o estado de Minas Gerais passa a fazer parte de Inhotim para mantê-lo funcionando. Essa situação grave também causou demissões e crise na rede hoteleira da cidade mineira de Brumadinho.
Nelson Almeida / AFP / Getty Images

Nem mesmo a iniciativa privada consegue manter de forma saudável e sem problemas um museu no Brasil. Um dos maiores museus de arte a céu aberto, Inhotim foi inaugurado em 2007, tem 23 galerias de arte, 23 obras de grande escala a céu aberto, além de coleção de botânica com mais de quatro mil plantas. Porém, seu dono, o empresário Bernardo Paz, e sua irmã foram condenados a prisão por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal em 2017. Além disso, ele estava devendo quase R$ 500 milhões para o estado de Minas Gerais e repassou 20 obras do acervo para o governo em troca de um perdão de quase R$ 400 milhões na dívida, assim o estado de Minas Gerais passa a fazer parte de Inhotim para mantê-lo funcionando. Essa situação grave também causou demissões e crise na rede hoteleira da cidade mineira de Brumadinho.

11. Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil - Rio de Janeiro (RJ)

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Se os museus acima respiram por aparelhos, este tem falência múltipla dos órgãos. O museu foi inaugurado em 1985 e foi fechado em 23 de dezembro 2017 depois de diversas tentativas para mantê-lo funcionando. Atualmente há uma placa de "vende-se" em frente ao prédio na Rua Cosme Velho, na Zona Sul do Rio de Janeiro. De acordo com esta reportagem da revista Época o acervo de mais de seis mil obras continua no prédio e sua manutenção se resume a limpeza de pó, controle de traças e cupins e uso de desumidificador de ar. Artistas de todo o mundo, sem saber que o local está fechado, ainda doam suas obras para o museu. Este não é o único museu brasileiro nesta situação, de acordo com dados de 2017 do Ipea, há 76 museus fechados no Brasil.

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