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14 histórias de refugiados e imigrantes que agora vivem em São Paulo

"Você poderia ser fuzilado por dar a resposta errada; era basicamente uma questão de vida ou de morte e você não tinha o direito de errar."

publicado

O projeto Rostos da Migração, do missionário americano Greg Fischer, conta as histórias de imigrantes e refugiados em fotos e textos que revelam os dramas, as alegrias e os desafios de deixar seu país natal.

O próprio Greg chegou ao Brasil com a família há quase três anos. Trabalhando na Missão Paz, em São Paulo, que acolhe imigrantes, ele observou a intensificação da intolerância contra os estrangeiros nos últimos meses. Decidiu então criar o projeto.

"A maioria das pessoas lida com a questão dos imigrantes e dos refugiados como um problema social, mas nunca teve a oportunidade de interagir com um imigrante ou refugiado de forma pessoal, no um a um. Eu vivo isso todo dia e posso dizer que, apesar das diferenças, há muito pouco que nos separa como humanidade", contou ao BuzzFeed Brasil.

Abaixo estão 14 retratos de imigrantes, refugiados ou não, vivendo em São Paulo.

Nunca esquecerei aquele dia em agosto de 2012. O exército entrou no meu bairro e começou uma briga com os civis. Começou à noite, 1h ou 2h, e continuou até a manhã seguinte. Um monte de gente morreu lá fora, a maioria deles eram jovens. O exército usou todo tipo de armas - tanques pesados, armas pesadas, helicópteros - contra os civis. Havia indivíduos vestidos com uniforme militar que paravam os cidadãos nas ruas e perguntavam se eles apoiavam o exército ou se apoiavam os rebeldes. Você nunca sabia se a pessoa que perguntava era um membro do exército sírio ou um soldado do grupo rebelde. Você poderia ser fuzilado por dar a resposta errada; era basicamente uma questão de vida ou de morte e você não tinha o direito de errar.Depois isso, eu fugi.
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Quatro dias depois do terremoto, eu recebi um visto humanitário para ir aos Estados Unidos. Depois do terremoto o Governo Americano ofereceu vários vistos emergenciais. Eu tinha esse pedaço de papel que eles grampearam em meu passaporte. Eu devia levá-lo ao aeroporto de Porto Príncipe. Quando eu cheguei lá, encontrei os militares, que gritaram "Volte! Volte!" Minha sobrinha estava comigo - ela tinha menos de 8 anos de idade - e o funcionário na embaixada disse que eu estava qualificado a ir para os EUA, mas os militares não me permitiram.
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Houve um tempo em que eu morava na rua por escolha, pois a vida não fazia sentido para mim. Eu era sem-teto, mas não sem um carro. Então eu vivi em meu carro por três anos. Eu estava refletindo sobre a vida e por que eu deveria viver. Não quero aceitar a razão do capitalismo como meu objetivo de vida. A criação de riqueza no Mundo Ocidental é "o objetivo". Essa é a coisa que você tem que buscar. O valor de uma pessoa é baseada em sua habilidade de criar riquezas. Quando eu estava morando na rua eu perdi amizades, mas havia alguns amigos que falavam comigo às vezes. Mas eu vi a mudança neles, e eu percebi que neste mundo se eu não sou alguma coisa, eu sou nada. Apenas 4,6% da população da Austrália ganha um salário de 100.000 mil dólares ou mais. Eu aceitei o desafio de ganhar 100.000 dólares e eu realizei esse objetivo em 07 meses. Depois disso, eu vi a mudança. Todas as pessoas que me desprezavam me aceitam como igual agora.
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Eu envio dinheiro de volta para meus pais. Eles não são meus pais biológicos, mas eles são como meus orientadores. Eu perdi meus pais há alguns anos; eles morreram em um acidente. Eu era criança. Meus pais de hoje me cuidaram como orientadores, então eu os vejo como pais. Eu tento cuidar deles porque eles cuidaram de mim. Eles me trouxeram a este estágio da vida. Nos últimos meses eu estive desempregado e foi extremamente difícil para eles. Pensaram que talvez eu os tivesse abandonado, que eu estava bem, que eu tinha uma grande vida e eles não me importavam mais. É difícil convencê-los de que eu não esqueci deles
Ela é minha noiva! Nos conhecemos aqui em São Paulo. Nós nos apresentamos, gostamos de outro, e então precisávamos estar juntos.[O fotógrafo pergunta como eles se entendem].-- Ele fala um pouco de Português e eu não falo inglês; ele não me ensinou.-- Eu quero aprender Português primeiro.-- Eu te ensinei bastante, mas você não me ensinou Inglês.
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Eu moro na favela; nossa paróquia fica dentro da favela. Trabalho no centro cultural onde a gente ensina pras crianças. Temos percussão, pintura, arte. Tentando dialogar com o tráfico. Oferecemos uma alternativa ao tráfico. Muitas crianças de traficantes estão nesse centro. Ali, conheço muitos traficantes que falam 'Padre, eu não quero que meu filho seja bandido.' Ao mesmo tempo, eu vejo muitas mães com filhos na prisão. Eu falei, 'não posso ser indiferente a essa realidade.' Então, eu vou à penitenciária ter contato com os presos -- fazer um ponte com suas famílias.
Minha filha de cinco anos não quer mais falar francês. Ela se recusa a falar. Só português.O fotógrafo pergunta:-- O que você gosta de ser mãe?-- Tudo!
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Gana é a melhor equipe; empataram com a Alemanha na Copa do Mundo no ano passado. E nós temos um nome legal – As Estrelas Negras.
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África não é um país, é um continente. E cada um dos 54 países tem sua realidade. Os outros africanos dos outros países, eu os considero como irmãos. Mas também, ao mesmo tempo que eu penso que são irmãos, temos as nossas diferenças. Há questões linguísticas, culturais, e uma questão de tribo. E apesar disso, pertencemos ao mesmo continente. Temos nossas diferenças por causa dessas barreiras - digamos - que os colonizadores colocaram. Eu sou filha desse continente. Temos algo em comum. Nossa riqueza. Somos um povo lutador; eu acho que essa esperança de ter um mundo melhor, uma África mais pacificada, é um sonho de todos os africanos.