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14 relatos de pessoas que sofreram com mães tóxicas

Mãe NÃO é tudo igual.

publicado

Pedimos aos leitores do grupo do BuzzFeed Brasil no Facebook para compartilhar histórias de como é conviver com uma mãe tóxica. Aqui estão algumas delas.

1. "Minha mãe me chantageou, mentiu e vive empurrando as responsabilidades dela para mim e minha irmã".

"Minha mãe é bem manipuladora. No histórico dela tem: chantagem (ela me chantageou pra que eu acobertasse as mentiras dela, ameaçando contar sobre a perda da minha virgindade pra minha vó e tia); mentira (entre outras coisas, ela espalhou pros vizinhos que eu e minha irmã do meio tínhamos batido nela, sendo que eu apanhei, com um pedaço de uma espécie de bambu, e minha irmã tentou segurar ela); descaso com minha irmã caçula, que tem asma e vivia tossindo e ela nem aí, e muitas brigas por ela não aceitar agir como mãe, empurrando responsabilidades dela pra mim e minhas irmãs".Y.D., 19 anos, Natal, RN
Anna_isaeva / Getty Images

"Minha mãe é bem manipuladora. No histórico dela tem: chantagem (ela me chantageou pra que eu acobertasse as mentiras dela, ameaçando contar sobre a perda da minha virgindade pra minha vó e tia); mentira (entre outras coisas, ela espalhou pros vizinhos que eu e minha irmã do meio tínhamos batido nela, sendo que eu apanhei, com um pedaço de uma espécie de bambu, e minha irmã tentou segurar ela); descaso com minha irmã caçula, que tem asma e vivia tossindo e ela nem aí, e muitas brigas por ela não aceitar agir como mãe, empurrando responsabilidades dela pra mim e minhas irmãs".

Y.D., 19 anos, Natal, RN

2. "Eu não entrava em casa para não ter que encontrar minha mãe. Acabava fazendo xixi nas calças e ela me batia".

"Minha mãe me batia quando eu era criança. Eu sempre fui calma, só brincava na rua e acabava fazendo xixi nas calças. Aí ela me batia. Acho que ela era muito nervosa e estressada com a maternidade e a casa pra limpar, e o fato de não trabalhar não ajudava. Acho que na real eu não entrava em casa para ir no banheiro pra não encontrar com ela. Desenvolvi depressão, ansiedade, sempre fui retraída, bicho do mato. Fora os medos que ela colocou em mim. "Cuidado com isso, cuidado com aquilo, cuidado na piscina, cuidado no mar". Não sei nadar até hoje e tenho medo do mar por conta disso. Como a gente veio pra cá, que é uma cidade maior que a que ela cresceu, ela colocou todos os medos e inseguranças dela em mim. Cresci insegura. E mesmo hoje em dia a insegurança me atrapalha".B.S., 26 anos, preferiu não identificar a cidade
Graphicwithart / Getty Images

"Minha mãe me batia quando eu era criança. Eu sempre fui calma, só brincava na rua e acabava fazendo xixi nas calças. Aí ela me batia. Acho que ela era muito nervosa e estressada com a maternidade e a casa pra limpar, e o fato de não trabalhar não ajudava. Acho que na real eu não entrava em casa para ir no banheiro pra não encontrar com ela.

Desenvolvi depressão, ansiedade, sempre fui retraída, bicho do mato. Fora os medos que ela colocou em mim. "Cuidado com isso, cuidado com aquilo, cuidado na piscina, cuidado no mar". Não sei nadar até hoje e tenho medo do mar por conta disso.

Como a gente veio pra cá, que é uma cidade maior que a que ela cresceu, ela colocou todos os medos e inseguranças dela em mim. Cresci insegura. E mesmo hoje em dia a insegurança me atrapalha".

B.S., 26 anos, preferiu não identificar a cidade

3. "Não entrava na minha cabeça como uma mãe podia sentir inveja da própria filha".

"Minha mãe tem um certo complexo de Peter Pan. Ela se casou muito nova, eles moravam em uma cidade minúscula e eram pobres; enfim, o ''venci na vida'' deles era casar pra não ficar mal falada. Os anos se passaram, nos mudamos de cidade, nossa situação melhorou um pouco, e quando cresci e me mudei, senti que ela invejava a vida que eu tinha de morar sozinha (me mudei pra fazer faculdade), ir em festas e tal, coisas que ela queria fazer quando tinha minha idade, mas não fez porque tinha dois filhos.Quando eu percebi isso, fiquei muito mal. Não entrava na minha cabeça como uma mãe podia sentir inveja da própria filha. Depois de muito bater a cabeça na parede, aceitei. Esse ano ela inventou de pedir transferência e ir morar sozinha; não durou seis meses, porque se sentia muito sozinha, não tinha com quem conversar e se queixava de inúmeras coisas das quais sempre reclamei, mas ela dizia que isso parecia coisa de gente fresca e ficava falando que eu devia agradecer as oportunidades e não reclamar.Hoje ainda ouço muitos comentários dela sobre o quanto ela queria ter as mesmas oportunidades que tenho, mas é raro eu me abalar. Comecei a usar a tática de incentivar ela a correr atrás. Ela se casou com 17, hoje em dia tem 45, eu digo que ela pode fazer o que quiser, que o mundo ainda é pouco pra tudo que eu quero, e que ela pode querer também, porque ja é madura, já criou os filhos e não deve mais se preocupar com essas coisas de mãe".I.P., 22 anos, Ribeirão Preto, SP
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"Minha mãe tem um certo complexo de Peter Pan. Ela se casou muito nova, eles moravam em uma cidade minúscula e eram pobres; enfim, o ''venci na vida'' deles era casar pra não ficar mal falada. Os anos se passaram, nos mudamos de cidade, nossa situação melhorou um pouco, e quando cresci e me mudei, senti que ela invejava a vida que eu tinha de morar sozinha (me mudei pra fazer faculdade), ir em festas e tal, coisas que ela queria fazer quando tinha minha idade, mas não fez porque tinha dois filhos.

Quando eu percebi isso, fiquei muito mal. Não entrava na minha cabeça como uma mãe podia sentir inveja da própria filha. Depois de muito bater a cabeça na parede, aceitei. Esse ano ela inventou de pedir transferência e ir morar sozinha; não durou seis meses, porque se sentia muito sozinha, não tinha com quem conversar e se queixava de inúmeras coisas das quais sempre reclamei, mas ela dizia que isso parecia coisa de gente fresca e ficava falando que eu devia agradecer as oportunidades e não reclamar.

Hoje ainda ouço muitos comentários dela sobre o quanto ela queria ter as mesmas oportunidades que tenho, mas é raro eu me abalar. Comecei a usar a tática de incentivar ela a correr atrás. Ela se casou com 17, hoje em dia tem 45, eu digo que ela pode fazer o que quiser, que o mundo ainda é pouco pra tudo que eu quero, e que ela pode querer também, porque ja é madura, já criou os filhos e não deve mais se preocupar com essas coisas de mãe".

I.P., 22 anos, Ribeirão Preto, SP

4. "Quando alguém questionava minha mãe sobre quantos filhos tinha, ela dizia 'tenho quatro, e essa peguei pra criar, porque tava comendo até pedra na rua'".

"Sei lá se isso era tóxico. Mas enfim... minha mãe biológica tentou me abortar de todo jeito, não conseguiu, me deu pra adoção. A família que me adotou era colona (nota da redatora: "colono" é a denominação dada às pessoas de área rural no sul do País), tinham seus quatro filhos biológicos. Cresci ouvindo minha mãe adotiva dizer que eu seria igual minha mãe biológica. Que seria um nada. Uma coitada. Tudo isso porque eu questionava o porque dela não me dar carinho como ela dava pros outros, legítimos dela. Me envergonhava na frente dos outros, dizia que eu era suja. Quando alguém questionava ela sobre quantos filhos tinha, ela dizia "tenho quatro, e essa peguei pra criar, porque tava comendo até pedra na rua".Apanhava igual um cachorro. Desde os 8 trabalhava na roça, sem nunca ouvir uma palavra de elogio, uma gratificação. Com 15 anos saí de casa, pensei que pior do que estava não poderia ficar. Eu ficava doente, ia pro hospital sozinha. Voltava sozinha. Passei fome, porque pagava aluguel e meu salário era baixo. Não tinha experiência em quase nada por ser da roça. Com 17 anos comecei a costurar, é a minha paixão até hoje. Nunca me procuravam pra saber como eu estava. Só depois que me casei demonstraram interesse em mim, talvez pelo fato de perceberem que eu não ia acabar como minha mãe biológica. Hoje em dia raramente nos vemos. Meu pai era um homem bom, nunca me bateu, mas também não me defendia. Mas eu o amo muito, porque a ideia de me adotar partiu dele. E tenho muita gratidão por isso, porque se não fosse ele, hoje eu não estaria nem viva. Mas é isso. Foi bom desabafar. Desculpem o textão".K.B., 24 anos, Turvo, SC
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"Sei lá se isso era tóxico. Mas enfim... minha mãe biológica tentou me abortar de todo jeito, não conseguiu, me deu pra adoção. A família que me adotou era colona (nota da redatora: "colono" é a denominação dada às pessoas de área rural no sul do País), tinham seus quatro filhos biológicos.

Cresci ouvindo minha mãe adotiva dizer que eu seria igual minha mãe biológica. Que seria um nada. Uma coitada. Tudo isso porque eu questionava o porque dela não me dar carinho como ela dava pros outros, legítimos dela. Me envergonhava na frente dos outros, dizia que eu era suja. Quando alguém questionava ela sobre quantos filhos tinha, ela dizia "tenho quatro, e essa peguei pra criar, porque tava comendo até pedra na rua".

Apanhava igual um cachorro. Desde os 8 trabalhava na roça, sem nunca ouvir uma palavra de elogio, uma gratificação. Com 15 anos saí de casa, pensei que pior do que estava não poderia ficar. Eu ficava doente, ia pro hospital sozinha. Voltava sozinha. Passei fome, porque pagava aluguel e meu salário era baixo. Não tinha experiência em quase nada por ser da roça. Com 17 anos comecei a costurar, é a minha paixão até hoje. Nunca me procuravam pra saber como eu estava. Só depois que me casei demonstraram interesse em mim, talvez pelo fato de perceberem que eu não ia acabar como minha mãe biológica.

Hoje em dia raramente nos vemos. Meu pai era um homem bom, nunca me bateu, mas também não me defendia. Mas eu o amo muito, porque a ideia de me adotar partiu dele. E tenho muita gratidão por isso, porque se não fosse ele, hoje eu não estaria nem viva. Mas é isso. Foi bom desabafar. Desculpem o textão".

K.B., 24 anos, Turvo, SC

5. "Uma vez ela falou que queria apertar o meu pescoço até eu parar de respirar".

"Não sei nem por onde começar. No meu caso, a figura é minha avó. Minha mãe engravidou com 18 anos, minha avó queria mandá-la pra aquelas casas de mães solteiras que existiam na época. Meu avô não deixou, minha mae saiu de casa eu nem lembro quando e minha avó não deixou ela me levar. Então, pra mim a minha avó era minha mãe.A vida inteira tive que ouvir como ela era boa por me criar, porque minha mãe não me quis e me abandonou. Não lembro de nenhuma demonstração de carinho sem que fosse para mostrar pra alguém. Eu não podia cometer um erro que eu era vagabunda igual minha mãe. Mas eu tenho que ser grata, segundo ela. Ela me colocou pra fora diversas vezes, eu recorri a minhas amigas e a um dos meus tios. Ela é violenta e já falou, sem eu fazer nada, que queria apertar o meu pescoço até eu parar de respirar. Uma vez fiquei trancada no quarto chorando e ela tentando arrombar a minha porta com uma chave inglesa falando que ia arrebentar a minha cabeça. Ela não se importa com ninguém a não ser ela mesma e dinheiro pra torrar, porque antes jogava e agora gasta mais do que a aposentadoria dela em joias e os filhos que banquem porque “temos obrigação”. Se não derem dinheiro a ela, ela faz a louca e faz escândalos na porta da nossa casa, como se estivéssemos deixando ela passar necessidade. Não importa se estamos trabalhando, se estamos doentes; quando ela liga temos que fazer imediatamente o que ela quer. Contei só algumas das minhas experiências. Mas todas as filhas mulheres já passaram por isso, com os filhos homens ela agia diferente, mas agora tá começando com eles também. Ela vive falando pra minha mãe que preferia que ela não tivesse nascido, que queria que ela morresse. Agora decidi me libertar, mas tá difícil. Quando contrariamos ela, por ela ter feito uma angioplastia 15 anos atrás, ela finge ataques cardíacos. Já fez sete cateterismos sem necessidade. Poderia ficar anos aqui relatando o filme de terror que é esse relacionamento, mas me faz mal". F., 31, Londrina, PR
Olarty / Getty Images

"Não sei nem por onde começar. No meu caso, a figura é minha avó. Minha mãe engravidou com 18 anos, minha avó queria mandá-la pra aquelas casas de mães solteiras que existiam na época. Meu avô não deixou, minha mae saiu de casa eu nem lembro quando e minha avó não deixou ela me levar. Então, pra mim a minha avó era minha mãe.

A vida inteira tive que ouvir como ela era boa por me criar, porque minha mãe não me quis e me abandonou. Não lembro de nenhuma demonstração de carinho sem que fosse para mostrar pra alguém. Eu não podia cometer um erro que eu era vagabunda igual minha mãe. Mas eu tenho que ser grata, segundo ela.

Ela me colocou pra fora diversas vezes, eu recorri a minhas amigas e a um dos meus tios. Ela é violenta e já falou, sem eu fazer nada, que queria apertar o meu pescoço até eu parar de respirar. Uma vez fiquei trancada no quarto chorando e ela tentando arrombar a minha porta com uma chave inglesa falando que ia arrebentar a minha cabeça.

Ela não se importa com ninguém a não ser ela mesma e dinheiro pra torrar, porque antes jogava e agora gasta mais do que a aposentadoria dela em joias e os filhos que banquem porque “temos obrigação”. Se não derem dinheiro a ela, ela faz a louca e faz escândalos na porta da nossa casa, como se estivéssemos deixando ela passar necessidade.

Não importa se estamos trabalhando, se estamos doentes; quando ela liga temos que fazer imediatamente o que ela quer. Contei só algumas das minhas experiências. Mas todas as filhas mulheres já passaram por isso, com os filhos homens ela agia diferente, mas agora tá começando com eles também.

Ela vive falando pra minha mãe que preferia que ela não tivesse nascido, que queria que ela morresse. Agora decidi me libertar, mas tá difícil. Quando contrariamos ela, por ela ter feito uma angioplastia 15 anos atrás, ela finge ataques cardíacos. Já fez sete cateterismos sem necessidade. Poderia ficar anos aqui relatando o filme de terror que é esse relacionamento, mas me faz mal".

F., 31, Londrina, PR

6. "Meu padrasto me expulsou de casa porque não lavei a louça antes de sair. Na raiva, ele chutou um balde e acertou a cabeça da minha irmã. Tivemos que correr pro hospital e ele me fez pagar a conta".

Eu cresci ouvindo da minha mãe "eles são seus irmãos mais novos, são sua obrigação". Sempre fiz tudo em casa, arrumava eles pra escola, levava e buscava, estudava de manhã, limpava a casa de tarde e trabalhava de madrugada. Minha mãe pegava o dinheiro que eu ganhava dizendo que eu tinha que ajudar já que meu pai não pagava pensão. Ela também adora me chamar de criança irresponsável, falando que eu não tenho voz dentro da casa dela e tenho que fazer o que ela mandar. Meu padrasto já me expulsou de casa porque eu não lavei a louça antes de sair pra trabalhar (sendo que eu tenho um irmão só dois anos mais novo que eu que poderia ter feito isso), na raiva ele chutou um balde na cabeça da minha irmã caçula e tiveram que correr com ela pro hospital. Eu que tive que pagar a conta depois. Se por qualquer motivo eu deixasse de fazer alguma coisa numa casa que tinha mais três pessoas pra ajudar, meu padrasto tirava meu celular, internet, ameaçava queimar meus livros, não me deixava sair". Mulher, 19 anos, preferiu não revelar a cidade
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Eu cresci ouvindo da minha mãe "eles são seus irmãos mais novos, são sua obrigação". Sempre fiz tudo em casa, arrumava eles pra escola, levava e buscava, estudava de manhã, limpava a casa de tarde e trabalhava de madrugada.

Minha mãe pegava o dinheiro que eu ganhava dizendo que eu tinha que ajudar já que meu pai não pagava pensão. Ela também adora me chamar de criança irresponsável, falando que eu não tenho voz dentro da casa dela e tenho que fazer o que ela mandar.

Meu padrasto já me expulsou de casa porque eu não lavei a louça antes de sair pra trabalhar (sendo que eu tenho um irmão só dois anos mais novo que eu que poderia ter feito isso), na raiva ele chutou um balde na cabeça da minha irmã caçula e tiveram que correr com ela pro hospital. Eu que tive que pagar a conta depois.

Se por qualquer motivo eu deixasse de fazer alguma coisa numa casa que tinha mais três pessoas pra ajudar, meu padrasto tirava meu celular, internet, ameaçava queimar meus livros, não me deixava sair".

Mulher, 19 anos, preferiu não revelar a cidade

7. "Um dia me esqueci de por os ossos do frango do almoço no lixo, ela me pegou pelos cabelos, esfregou minha cara no prato sujo e me deu uma surra. Tenho medo de um dia ser mãe e não conseguir tratar meus filhos com amor e carinho".

"Minha mãe sempre foi extremamente grossa comigo, salvo alguns "surtos" de bondade dela, que eram raros. Desde criança me espancava por tudo. Não arrumei a cama? Surra. Não botei o copo na pia? Surra. Uma vez lembro que tínhamos almoçado frango, aí eu comi e me esqueci de por os ossos no lixo, ela me pegou pelos cabelos, esfregou minha cara no prato sujo e me deu uma bela surra que fiquei cheia de hematomas por dias. Fui crescendo e não entendia porque eu sentia raiva dela; poxa, mãe é perfeita, mãe é sagrado e essas coisas que as pessoas nos dizem... Quando ela descobriu que eu arrumei um namoradinho e perdi a virgindade (muito precoce), em vez de me aconselhar ela me xingou demais, me chamou de prostituta, minha vida virou um inferno. Todos os dias ela me xingava por conta disso.Quando tinha uns 16 anos comecei a namorar com meu atual namorado, ela o odiava, odiava me ver feliz, eu passava o final de semana com ele e quando aparecia em casa era uma guerra, ela fazia escândalos dizendo que estava "me entregando fácil demais". Já cansei de ser expulsa de casa, cansei de apanhar na cara – ela fazia questão que eu desse meu rosto para ela bater... Dá um livro se contar tudo o que já passei por conta da minha mãe.Na questão financeira nunca me faltou nada, mas o emocional é muito deficiente. Não sei abraçar meus pais, não sei me abrir, trato algumas pessoas com ignorância porque fui criada assim. Não sei outro modo, tenho medo de um dia ser mãe e não conseguir tratar meus filhos com amor e carinho". :(I.D., 21 anos, São Paulo, SP
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"Minha mãe sempre foi extremamente grossa comigo, salvo alguns "surtos" de bondade dela, que eram raros. Desde criança me espancava por tudo. Não arrumei a cama? Surra. Não botei o copo na pia? Surra. Uma vez lembro que tínhamos almoçado frango, aí eu comi e me esqueci de por os ossos no lixo, ela me pegou pelos cabelos, esfregou minha cara no prato sujo e me deu uma bela surra que fiquei cheia de hematomas por dias.

Fui crescendo e não entendia porque eu sentia raiva dela; poxa, mãe é perfeita, mãe é sagrado e essas coisas que as pessoas nos dizem... Quando ela descobriu que eu arrumei um namoradinho e perdi a virgindade (muito precoce), em vez de me aconselhar ela me xingou demais, me chamou de prostituta, minha vida virou um inferno. Todos os dias ela me xingava por conta disso.

Quando tinha uns 16 anos comecei a namorar com meu atual namorado, ela o odiava, odiava me ver feliz, eu passava o final de semana com ele e quando aparecia em casa era uma guerra, ela fazia escândalos dizendo que estava "me entregando fácil demais".

Já cansei de ser expulsa de casa, cansei de apanhar na cara – ela fazia questão que eu desse meu rosto para ela bater... Dá um livro se contar tudo o que já passei por conta da minha mãe.

Na questão financeira nunca me faltou nada, mas o emocional é muito deficiente. Não sei abraçar meus pais, não sei me abrir, trato algumas pessoas com ignorância porque fui criada assim. Não sei outro modo, tenho medo de um dia ser mãe e não conseguir tratar meus filhos com amor e carinho". :(

I.D., 21 anos, São Paulo, SP

8. "Minha mãe já chegou a dizer com todas as letras que eu sou a culpada por ter 'estragado' o corpo dela".

"Vou relatar alguns dos comportamentos abusivos da minha mãe de forma breve e resumida:- Quando tinha 11 anos, tive crush por um colega de sala e esse crush era correspondido. O colega me deu uma caixa de chocolates com um cartão e eu queria escrever uma cartinha para ele. Minha mãe me viu escrevendo a carta, leu, rasgou ela na minha frente e me chamou de piriguete.- Com 15 ela me deu um álbum para comemorar a idade e um celular, depois ficou meses jogando na minha cara que não estava comprando coisas pra ela porque estava pagando meu álbum. E o celular foi um inferno: ela confessou depois que comprou um modelo que ela queria e achou que não ia me agradar na intenção de ficar pra ela. Como não deu certo, ela começou a tomar o celular de mim para eu não usar à noite ou nos dias que não tinha aula.- Minha mãe tece comentários que dão a entender que ela tem inveja do meu corpo e que me culpa por não ter um corpo que a agrada. Ela já chegou a dizer com todas as letras que eu sou a culpada por ter "estragado" o corpo dela, além de querer que eu use roupas mais largas.- No começo do ano fui madrinha de casamento de um primo meu, eu iria usar no chá de panela um vestido que ela havia comprado recentemente para mim, mas nem a própria noiva ia de vestido, temendo ficar mais elegante do que deveria para a ocasião, resolvi usar uma calça jeans flare e um body, minha mãe fez um escândalo porque o body é de segunda mão (pertenceu a uma tia minha, mas está em ótimo estado de conservação até hoje), ela dizia que o body é um trapo, que todos saberiam que eu uso roupas usadas e que aquilo seria vergonhoso para ela. Como me recusei a tirar, ela colocou meu pai, que é super agressivo, no meio da treta, eles me proibiram de ir ao chá com eles e disseram que, caso meu namorado fosse me buscar, eles me dariam uma surra no meio da festa. Depois me proibiram de ver meu boy. Eu tinha 17 anos na época e isso tudo aconteceu na véspera do Dia das Mães".A.F., 18, Acreúna, GO
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"Vou relatar alguns dos comportamentos abusivos da minha mãe de forma breve e resumida:

- Quando tinha 11 anos, tive crush por um colega de sala e esse crush era correspondido. O colega me deu uma caixa de chocolates com um cartão e eu queria escrever uma cartinha para ele. Minha mãe me viu escrevendo a carta, leu, rasgou ela na minha frente e me chamou de piriguete.

- Com 15 ela me deu um álbum para comemorar a idade e um celular, depois ficou meses jogando na minha cara que não estava comprando coisas pra ela porque estava pagando meu álbum. E o celular foi um inferno: ela confessou depois que comprou um modelo que ela queria e achou que não ia me agradar na intenção de ficar pra ela. Como não deu certo, ela começou a tomar o celular de mim para eu não usar à noite ou nos dias que não tinha aula.

- Minha mãe tece comentários que dão a entender que ela tem inveja do meu corpo e que me culpa por não ter um corpo que a agrada. Ela já chegou a dizer com todas as letras que eu sou a culpada por ter "estragado" o corpo dela, além de querer que eu use roupas mais largas.

- No começo do ano fui madrinha de casamento de um primo meu, eu iria usar no chá de panela um vestido que ela havia comprado recentemente para mim, mas nem a própria noiva ia de vestido, temendo ficar mais elegante do que deveria para a ocasião, resolvi usar uma calça jeans flare e um body, minha mãe fez um escândalo porque o body é de segunda mão (pertenceu a uma tia minha, mas está em ótimo estado de conservação até hoje), ela dizia que o body é um trapo, que todos saberiam que eu uso roupas usadas e que aquilo seria vergonhoso para ela. Como me recusei a tirar, ela colocou meu pai, que é super agressivo, no meio da treta, eles me proibiram de ir ao chá com eles e disseram que, caso meu namorado fosse me buscar, eles me dariam uma surra no meio da festa. Depois me proibiram de ver meu boy. Eu tinha 17 anos na época e isso tudo aconteceu na véspera do Dia das Mães".

A.F., 18, Acreúna, GO

9. "Nunca fui suficientemente boa para nada. Não tive incentivo para estudar, para praticar um esporte ou desenvolver qualquer habilidade. Era tudo besteira para a minha mãe. Ela ria da minha cara!"

"Eu tenho 38 anos e faz menos de um mês que descobri que tudo o que passei foi consequência de ter uma mãe narcisista. Faço tratamento para depressão e ansiedade desde os 19 anos. Ano passado fiquei internada por dois meses em uma clínica psiquiátrica porque já não fazia mais sentido sobreviver.Tentativas de suicídio foram poucas, mas convivo com a ideia desde os 13 anos. Nunca fui suficientemente boa para nada. Não tive incentivo para estudar, para praticar nenhum esporte ou desenvolver qualquer habilidade que eu tivesse. Era tudo besteira para a minha mãe. Ela ria da minha cara! Quando não ria, dizia que não tinha dinheiro (para eu comprar um violão, por exemplo).Ganhei 80% de bolsa para fazer uma faculdade particular (curso de Publicidade na FAAP), e para isso eu seria monitora durante o outro período. Ela me falou: "Mas como você vai pagar os outros 20%?". Nós morávamos nos Jardins, um bairro de classe alta em São Paulo. Apanhei muito, fui chamada de vagabunda quando o marido da minha prima começou a me assediar (eu 19, ele 35) e tomei tapa na cara. Ouvi que "com a minha sobrinha, não" e que ela não me amava.Ela não lembra de nada disso, de acordo com ela.Hoje, sem formação acadêmica concluída, só ouço que ninguém dá valor a nada que ela fez, que ela abriu mão da própria vida pelos filhos e que é nossa culpa ter a vida que tem. Nós três, os filhos, mal nos falamos.Eu fui a que mais tive problemas de autoestima, sinto que não sou boa em nada.Ela distorce as histórias e fala de como é maltratada e da ingratidão com que tem que conviver. As pessoas acham que eu sou a pior pessoa do mundo com ela.Sempre tive medo de tudo. Meu tratamento psicológico se baseou no quanto eu precisava agradá-la e queria mostrar a ela que tenho qualidades. Hoje ela já não afeta tanto meu comportamento e minha sanidade. Estou me curando :)Mas daria um livro o que tive que passar".C.C., 38 anos, São Paulo, SP
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"Eu tenho 38 anos e faz menos de um mês que descobri que tudo o que passei foi consequência de ter uma mãe narcisista. Faço tratamento para depressão e ansiedade desde os 19 anos. Ano passado fiquei internada por dois meses em uma clínica psiquiátrica porque já não fazia mais sentido sobreviver.

Tentativas de suicídio foram poucas, mas convivo com a ideia desde os 13 anos.

Nunca fui suficientemente boa para nada. Não tive incentivo para estudar, para praticar nenhum esporte ou desenvolver qualquer habilidade que eu tivesse. Era tudo besteira para a minha mãe. Ela ria da minha cara! Quando não ria, dizia que não tinha dinheiro (para eu comprar um violão, por exemplo).

Ganhei 80% de bolsa para fazer uma faculdade particular (curso de Publicidade na FAAP), e para isso eu seria monitora durante o outro período. Ela me falou: "Mas como você vai pagar os outros 20%?". Nós morávamos nos Jardins, um bairro de classe alta em São Paulo.

Apanhei muito, fui chamada de vagabunda quando o marido da minha prima começou a me assediar (eu 19, ele 35) e tomei tapa na cara. Ouvi que "com a minha sobrinha, não" e que ela não me amava.

Ela não lembra de nada disso, de acordo com ela.

Hoje, sem formação acadêmica concluída, só ouço que ninguém dá valor a nada que ela fez, que ela abriu mão da própria vida pelos filhos e que é nossa culpa ter a vida que tem. Nós três, os filhos, mal nos falamos.

Eu fui a que mais tive problemas de autoestima, sinto que não sou boa em nada.

Ela distorce as histórias e fala de como é maltratada e da ingratidão com que tem que conviver. As pessoas acham que eu sou a pior pessoa do mundo com ela.

Sempre tive medo de tudo. Meu tratamento psicológico se baseou no quanto eu precisava agradá-la e queria mostrar a ela que tenho qualidades. Hoje ela já não afeta tanto meu comportamento e minha sanidade. Estou me curando :)

Mas daria um livro o que tive que passar".

C.C., 38 anos, São Paulo, SP

10. "Minha mãe vive arrumando maneiras de criticar meu peso e me por pra baixo com isso, dizendo que não tem 'gente gorda' do lado dela da família".

"Tenho 18 anos e sou de outra cidade. Minha mãe tem mania de falso apoio, tudo o que vou fazer ela manda indiretas do quanto aquilo seria ruim pra mim na visão dela, desde escolha de curso da faculdade a namorados. Ela mora fora e não sabe muito da realidade daqui, e discutimos muito por isso. Além disso, ela sempre arruma maneiras de criticar meu peso e me por pra baixo com isso, pois não tem “gente gorda” do lado dela da família".E.B., 18 anos, São Paulo, SP
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"Tenho 18 anos e sou de outra cidade. Minha mãe tem mania de falso apoio, tudo o que vou fazer ela manda indiretas do quanto aquilo seria ruim pra mim na visão dela, desde escolha de curso da faculdade a namorados.

Ela mora fora e não sabe muito da realidade daqui, e discutimos muito por isso. Além disso, ela sempre arruma maneiras de criticar meu peso e me por pra baixo com isso, pois não tem “gente gorda” do lado dela da família".

E.B., 18 anos, São Paulo, SP

11. "Uma vez uma tia precisou tirar ela de cima de mim porque ela me bateu tanto que eu não conseguia respirar direito".

"Minha relação com a minha mãe foi conturbada desde o início. Minha avó que me criou, então quando eu finalmente fui morar com ela, já com 11 anos, ela queria que eu fosse o que eu não sou. Me batia todos os dias. Por tirar notas baixas, eu sofria bullying até da professora. Por não lavar um copo, não colocar comida pro cachorro, por não jantar. Uma vez uma tia precisou tirar ela de cima de mim porque ela me bateu tanto que eu não conseguia respirar direito. Ela também fazia bullying com o meu estrabismo. Fiquei tão traumatizada que minha primeira cirurgia foi de correção visual. Me chamava de vesga, zarolha, perguntava se eu estava olhando o peixe ou o gato. Aos 15 anos me mandou embora de casa e eu fui morar com meu pai, mas aos 18, como a gente é condicionado pela sociedade a amar as mães independentemente do quão tóxicas elas sejam, acabei voltando para casa. Foi outro inferno. Comecei a namorar e ela dizia que não me aguentava mais (eu estava há menos de seis meses morando com ela), fez até um depoimento no meu Orkut perguntando quando eu ia casar com meu namorado (hoje marido). Cansei de verdade e comecei a procurar um lugar para sair de casa, mas no meio do caminho engravidei e acabei indo morar com o namorado. Depois disso me afastei dela por muitos anos, mas como ela é a rainha do drama usou meus irmãos para nos reaproximar há alguns meses. Fui visitá-la há alguns meses e ela me disse tanta coisa ruim que nem sei como lidar – como por exemplo que eu era fraca por ter depressão e ser suicida, que ela também tem depressão mas não se deixa abater como eu.Nos falamos mas mantenho distância porque sinto que existe muita inveja e isso me faz mal".P.L., 30 anos, São Paulo, SP
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"Minha relação com a minha mãe foi conturbada desde o início. Minha avó que me criou, então quando eu finalmente fui morar com ela, já com 11 anos, ela queria que eu fosse o que eu não sou. Me batia todos os dias. Por tirar notas baixas, eu sofria bullying até da professora. Por não lavar um copo, não colocar comida pro cachorro, por não jantar.

Uma vez uma tia precisou tirar ela de cima de mim porque ela me bateu tanto que eu não conseguia respirar direito.

Ela também fazia bullying com o meu estrabismo. Fiquei tão traumatizada que minha primeira cirurgia foi de correção visual. Me chamava de vesga, zarolha, perguntava se eu estava olhando o peixe ou o gato.

Aos 15 anos me mandou embora de casa e eu fui morar com meu pai, mas aos 18, como a gente é condicionado pela sociedade a amar as mães independentemente do quão tóxicas elas sejam, acabei voltando para casa.

Foi outro inferno. Comecei a namorar e ela dizia que não me aguentava mais (eu estava há menos de seis meses morando com ela), fez até um depoimento no meu Orkut perguntando quando eu ia casar com meu namorado (hoje marido). Cansei de verdade e comecei a procurar um lugar para sair de casa, mas no meio do caminho engravidei e acabei indo morar com o namorado.

Depois disso me afastei dela por muitos anos, mas como ela é a rainha do drama usou meus irmãos para nos reaproximar há alguns meses. Fui visitá-la há alguns meses e ela me disse tanta coisa ruim que nem sei como lidar – como por exemplo que eu era fraca por ter depressão e ser suicida, que ela também tem depressão mas não se deixa abater como eu.

Nos falamos mas mantenho distância porque sinto que existe muita inveja e isso me faz mal".

P.L., 30 anos, São Paulo, SP

12. "Minha avó dizia que se matava pela gente e que nossa mãe tinha nos abandonado – sendo que minha mãe foi trabalhar como babá e tinha de dormir no emprego".

"Eu tenho duas irmãs e sou a do meio. Quando criança tive que ir morar com a minha avó e logo que minhas irmãs foram também tudo virou um inferno. Ela dizia que se matava pela gente e que nossa mãe tinha nos abandonado – sendo que minha mãe foi trabalhar como babá e tinha de dormir no emprego.Minha irmã mais velha fazia xixi na cama já grandinha, com seus 8 ou 9 anos, e ela acordava minha irmã pra bater com fio de energia. Uma vez minha irmã dormiu sentada no vaso, lá no escuro, pra ver se não apanhava mais um dia. Eu era bem criança, devia ter uns 7 anos e chorei horrores pedindo a Deus que curasse minha irmã disso pra ela não apanhar mais.Minha avó batia na cara da minha tia, expulsava de casa e puxava os cabelos dizendo que ela era uma vadia por nada. O namorado da minha tia – atual marido – chegava lá pra ver a gente e minha avó baixava a TV no volume zero, dizendo que tava atrapalhando ela de dormir. Teve uma vez que ela bateu na minha tia grávida de cinco meses, lembro desse dia até hoje. Eu era pequena e minha tia ligou pro namorado vir buscar ela. Depois ela foi lá e me falou: "Sheyla, junta as coisas da titia e quando eu ligar você traz tudo na porta tá?". Eu devia ter uns 8 anos na época.Minha avó também fazia chantagem com minha mãe dizendo que a gente tava passando fome, que era pra ela mandar dinheiro. Mas ela pegava nosso dinheiro de comprar roupas e calçados e gastava com ela. Graças a Deus, na primeira oportunidade de estabilidade financeira minha mãe levou minhas duas irmãs pra morar com ela. Eu fui morar com minha tia porque amo ela demais. Minha mãe é a pessoa mais maravilhosa que existe, temos uma relação excelente e agora vim morar com ela faz cinco anos. PS: ela diz que não lembra de nada mas até hoje é uma pessoa ruim só que passando a imagem de vítima eterna".S.H., 22 anos, Salvador, BA
Dalinas / Getty Images

"Eu tenho duas irmãs e sou a do meio. Quando criança tive que ir morar com a minha avó e logo que minhas irmãs foram também tudo virou um inferno. Ela dizia que se matava pela gente e que nossa mãe tinha nos abandonado – sendo que minha mãe foi trabalhar como babá e tinha de dormir no emprego.

Minha irmã mais velha fazia xixi na cama já grandinha, com seus 8 ou 9 anos, e ela acordava minha irmã pra bater com fio de energia. Uma vez minha irmã dormiu sentada no vaso, lá no escuro, pra ver se não apanhava mais um dia. Eu era bem criança, devia ter uns 7 anos e chorei horrores pedindo a Deus que curasse minha irmã disso pra ela não apanhar mais.

Minha avó batia na cara da minha tia, expulsava de casa e puxava os cabelos dizendo que ela era uma vadia por nada. O namorado da minha tia – atual marido – chegava lá pra ver a gente e minha avó baixava a TV no volume zero, dizendo que tava atrapalhando ela de dormir.

Teve uma vez que ela bateu na minha tia grávida de cinco meses, lembro desse dia até hoje. Eu era pequena e minha tia ligou pro namorado vir buscar ela. Depois ela foi lá e me falou: "Sheyla, junta as coisas da titia e quando eu ligar você traz tudo na porta tá?". Eu devia ter uns 8 anos na época.

Minha avó também fazia chantagem com minha mãe dizendo que a gente tava passando fome, que era pra ela mandar dinheiro. Mas ela pegava nosso dinheiro de comprar roupas e calçados e gastava com ela.

Graças a Deus, na primeira oportunidade de estabilidade financeira minha mãe levou minhas duas irmãs pra morar com ela. Eu fui morar com minha tia porque amo ela demais. Minha mãe é a pessoa mais maravilhosa que existe, temos uma relação excelente e agora vim morar com ela faz cinco anos.

PS: ela diz que não lembra de nada mas até hoje é uma pessoa ruim só que passando a imagem de vítima eterna".

S.H., 22 anos, Salvador, BA

13. "Minha mãe me deixou para ser criada pela minha avó. No dia do meu aniversário de 7 anos, ela veio me buscar e me tirou da festinha que minha avó tinha feito para mim".

"Minha mãe – ou progenitora, como prefiro chamar – me deixou pra ser criada pela minha avó paterna (minha mãe de verdade), mas às vezes me buscava pra passar um tempo com ela. No meu aniversário de 7 anos, minha avó iria fazer uma festinha e justo neste dia a minha progenitora foi me pra me buscar. Bati o pé e chorei porque não queria ir, nisso ela xingou minha avó, me xingou e falou que ia colocar advogado atrás da minha avó pra nunca mais eu ver ela na vida. Esse dia passou e nunca mais tive notícias dela, até que a encontrei por coincidência no mercado e aceitei conversar com ela. Como estava perto do meu aniversário de 15 anos e eu tinha passado meu número pra ela, fiquei esperando ela me ligar. Ela não ligou, chorei horrores e decidi que nunca mais queria saber dela na minha vida.Hoje em dia a vejo e finjo que não vi, e às vezes saio correndo.Agora moro com minha madrasta e meu pai, não tenho certeza de que se qualifique em uma relação tóxica, mas acredito que me faça mal em alguns pontos, principalmente, na minha vida social e acadêmica. Minha madrasta já disse que ninguém me amava, que meus tios só fingiam gostar de mim, não gostava que meus amigos fossem muito em casa, tanto que muitos pararam de ir por causa dela. Agora que namoro, ela não deixa eu ir na casa do meu namorado, só posso vê-lo quando ela permite. Ela mesma fala "vou ver se vou deixar você ver o Renato* hoje". Mas para as outras pessoas, ela fala que sou o amor da vida dela, um anjo que Deus deu, filha de coração. Às vezes ela fala isso pra mim, mas ai de mim se não faço tudo o que ela quer. Ela me ameaça e se eu contrariar sofro consequências pesadas, principalmente do meu pai, que acaba comigo com palavras – ele também me disse que ninguém me ama, que minha progenitora me abandonou porque não gosta de mim e que meu namorado só gosta de mim porque sou bonita".I., 20 anos, Marília, SP; o nome do namorado foi trocado para impedir a identificação da leitora
Mary Jirovaya / Getty Images

"Minha mãe – ou progenitora, como prefiro chamar – me deixou pra ser criada pela minha avó paterna (minha mãe de verdade), mas às vezes me buscava pra passar um tempo com ela. No meu aniversário de 7 anos, minha avó iria fazer uma festinha e justo neste dia a minha progenitora foi me pra me buscar.

Bati o pé e chorei porque não queria ir, nisso ela xingou minha avó, me xingou e falou que ia colocar advogado atrás da minha avó pra nunca mais eu ver ela na vida. Esse dia passou e nunca mais tive notícias dela, até que a encontrei por coincidência no mercado e aceitei conversar com ela. Como estava perto do meu aniversário de 15 anos e eu tinha passado meu número pra ela, fiquei esperando ela me ligar. Ela não ligou, chorei horrores e decidi que nunca mais queria saber dela na minha vida.

Hoje em dia a vejo e finjo que não vi, e às vezes saio correndo.

Agora moro com minha madrasta e meu pai, não tenho certeza de que se qualifique em uma relação tóxica, mas acredito que me faça mal em alguns pontos, principalmente, na minha vida social e acadêmica.

Minha madrasta já disse que ninguém me amava, que meus tios só fingiam gostar de mim, não gostava que meus amigos fossem muito em casa, tanto que muitos pararam de ir por causa dela. Agora que namoro, ela não deixa eu ir na casa do meu namorado, só posso vê-lo quando ela permite. Ela mesma fala "vou ver se vou deixar você ver o Renato* hoje".

Mas para as outras pessoas, ela fala que sou o amor da vida dela, um anjo que Deus deu, filha de coração. Às vezes ela fala isso pra mim, mas ai de mim se não faço tudo o que ela quer. Ela me ameaça e se eu contrariar sofro consequências pesadas, principalmente do meu pai, que acaba comigo com palavras – ele também me disse que ninguém me ama, que minha progenitora me abandonou porque não gosta de mim e que meu namorado só gosta de mim porque sou bonita".

I., 20 anos, Marília, SP; o nome do namorado foi trocado para impedir a identificação da leitora

14. "Algo precioso quebra dentro de pessoas que descobrem que sua mãe (ou talvez pai) seja o real motivo dos problemas. Em mim quebrou, mas isso foi libertador também".

"Meu pai saiu fora quando eu tinha 8 anos, já demonstrava não ser de confiança desde que minha mãe casou com ele em 1983, o que fez com que ela quisesse se separar ainda nos anos 80. Mas ela engravidou pela segunda vez, e quem estava a caminho era eu. Quando eu nasci, era beeem diferente fisicamente da minha irmã, o que fez com que meu pai desconfiasse que eu não era filha dele e enchesse o saco da minha mãe sobre quem seria o meu pai, além de me ignorar e rejeitar até uns três anos.Em 1996 as coisas ficaram piores: minha mãe enfim pediu o divórcio e meu pai deu uma pirada – brigas, tortura mental, perseguição e etc. Meu pai roubou muita coisa da minha mãe, não ajudou nas contas de duas filhas, se desvinculou total da gente. Minha mãe sempre foi elogiada por ser "guerreira", mas o que ninguém da minha família sabe é que ela tomou um capote feio e nunca se recuperou. E ela nunca assumiria.Na minha adolescência, fiquei parecida com meu pai. Jeito de andar e falar, talvez os traços e... as mentiras. Adolescente mente, rouba, cabula aula, mas ainda tá na fase de erros. Além disso, comecei a gostar de rap, grafite e rua – o que fez a minha mãe (que sempre foi desinformada) achar que eu não tinha mais jeito. Toda mãe acha isso do filho, mas no meu caso as consequências foram bem crueis.Por não ser tão boa aluna, gostar de música de "maloqueiro", beber e fumar, fui condenada ao limbo da inexistência da minha casa. Logo, ela começou a criar regras impossíveis de eu cumprir, exemplo: não poder cozinhar/esquentar comida a qualquer hora. Como eu trabalhava em outra cidade e chegava tarde, não conseguia comer. Ataques histéricos e sem motivos por erros simples. Ataques descabidos em relação a mim e tudo o que eu fazia. "Nunca terei orgulho de você" e "eu te odeio" se tornaram comuns. Mesmo crescendo e fazendo "tudo certo" ou tentando, ela ainda pisoteava em mim e no que eu fazia. Nem preciso dizer que a ansiedade me acompanhou desde muito nova, já que, por não poder FALAR NADA em casa que seria julgada, comecei cedo a tomar minhas próprias decisões e quebrar a cara fortemente. Faz parte, eu sei. Mas a questão é que ela poderia me orientar em diversas coisas e não o fez, e pior, eu achava que nunca iria pra frente já que eu era um monstro.Por não desconfiar da minha mãe, não pude perceber que ela era minha maior carrasca, todo o meu desenvolvimento foi afetado por uma ansiedade fora do comum, um ódio e ignorância que me trouxeram problemas em todas as minhas relações desde a adolescência e na vida adulta.Eu conto tudo isso porque só com 30 anos e depois de ficar anoréxica, depressiva e bipolar (um quadro que despertaria a empatia de qualquer um, mas não despertou a dela), ainda tive que aguentar ataques físicos em um momento que precisava de cuidados simples – um chão, comida e um teto. Ela me expulsou de casa quando eu estava pesando 49kg e sem motivos, ela não teve empatia por uma pessoa que saiu de dentro dela. Algo precioso quebra dentro de pessoas que descobrem que sua mãe (ou talvez pai) seja o real motivo dos problemas. Em mim quebrou, mas isso foi libertador também.Tirei todas as culpas das minhas costas depois de ver que ela que me causava problemas. Sim, eu erro muito, mas não sou um monstro manipulador porque pedi para os amigos irem em bar x ao invés de y, nem uma porca monstruosa só porque meu tênis tem chulé. Os ataques são gigantes perto dos reais motivos, me falaram que o que vem de uma mãe pode levantar ou derrubar um filho e é verdade. A minha mãe não só me derrubou a vida inteira como fez questão de pisotear em cima da filha que pedia ajuda.O que eu sei sobre ela, já que ela mesma não assume nada, é que ela não queria a segunda gravidez de jeito nenhum, estava buscando a liberdade para se divorciar, fazendo aulas de direção e etc. ao descobrir que estava grávida, ficou bem triste, mas não sei se pensou em aborto. Hoje, eu sou uma das tantas mulheres que lutam para que grávidas tenham o direito de decidir sobre o próprio corpo e que quer estudar e conquistar tudo sozinha – acredito que sou como ela foi ou gostaria de ter sido, mas ela não vê, já que a cegueira dela criada por um ódio fora do comum não a deixa ver.O que eu quero dizer às pessoas que se identificarem comigo que mãe e pai não têm vale-cagada eterno, nem nada de divino ou sagrado quando eles te impedem de evoluir porque você não "parece" com o que eles consideram correto. Tá liberado se afastar desses familiares e não postar a foto bonita da família no Facebook, mas ter a leveza de se realizar. Talvez você se sinta muito tristes porque parece que todo mundo tem mãe, menos você. E é tipo isso mesmo. Aceita, depois entende – psicológos e psiquiatras estão ai para dar uma força. E lembra que não tem problema ficar triste, tristeza a gente rebate. Pode chorar, pode se sentir mal, mas depois levanta. Porque mesmo que sua mãe ache que você não deva estar aqui por algum motivo, você já está aqui e com certeza tava ocupado demais sendo do bem e fazendo boas coisas.J.S.L., 30 anos, São Paulo, SP
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"Meu pai saiu fora quando eu tinha 8 anos, já demonstrava não ser de confiança desde que minha mãe casou com ele em 1983, o que fez com que ela quisesse se separar ainda nos anos 80. Mas ela engravidou pela segunda vez, e quem estava a caminho era eu.

Quando eu nasci, era beeem diferente fisicamente da minha irmã, o que fez com que meu pai desconfiasse que eu não era filha dele e enchesse o saco da minha mãe sobre quem seria o meu pai, além de me ignorar e rejeitar até uns três anos.

Em 1996 as coisas ficaram piores: minha mãe enfim pediu o divórcio e meu pai deu uma pirada – brigas, tortura mental, perseguição e etc. Meu pai roubou muita coisa da minha mãe, não ajudou nas contas de duas filhas, se desvinculou total da gente. Minha mãe sempre foi elogiada por ser "guerreira", mas o que ninguém da minha família sabe é que ela tomou um capote feio e nunca se recuperou. E ela nunca assumiria.

Na minha adolescência, fiquei parecida com meu pai. Jeito de andar e falar, talvez os traços e... as mentiras. Adolescente mente, rouba, cabula aula, mas ainda tá na fase de erros. Além disso, comecei a gostar de rap, grafite e rua – o que fez a minha mãe (que sempre foi desinformada) achar que eu não tinha mais jeito. Toda mãe acha isso do filho, mas no meu caso as consequências foram bem crueis.

Por não ser tão boa aluna, gostar de música de "maloqueiro", beber e fumar, fui condenada ao limbo da inexistência da minha casa. Logo, ela começou a criar regras impossíveis de eu cumprir, exemplo: não poder cozinhar/esquentar comida a qualquer hora. Como eu trabalhava em outra cidade e chegava tarde, não conseguia comer. Ataques histéricos e sem motivos por erros simples. Ataques descabidos em relação a mim e tudo o que eu fazia. "Nunca terei orgulho de você" e "eu te odeio" se tornaram comuns.

Mesmo crescendo e fazendo "tudo certo" ou tentando, ela ainda pisoteava em mim e no que eu fazia. Nem preciso dizer que a ansiedade me acompanhou desde muito nova, já que, por não poder FALAR NADA em casa que seria julgada, comecei cedo a tomar minhas próprias decisões e quebrar a cara fortemente. Faz parte, eu sei. Mas a questão é que ela poderia me orientar em diversas coisas e não o fez, e pior, eu achava que nunca iria pra frente já que eu era um monstro.

Por não desconfiar da minha mãe, não pude perceber que ela era minha maior carrasca, todo o meu desenvolvimento foi afetado por uma ansiedade fora do comum, um ódio e ignorância que me trouxeram problemas em todas as minhas relações desde a adolescência e na vida adulta.

Eu conto tudo isso porque só com 30 anos e depois de ficar anoréxica, depressiva e bipolar (um quadro que despertaria a empatia de qualquer um, mas não despertou a dela), ainda tive que aguentar ataques físicos em um momento que precisava de cuidados simples – um chão, comida e um teto.

Ela me expulsou de casa quando eu estava pesando 49kg e sem motivos, ela não teve empatia por uma pessoa que saiu de dentro dela. Algo precioso quebra dentro de pessoas que descobrem que sua mãe (ou talvez pai) seja o real motivo dos problemas. Em mim quebrou, mas isso foi libertador também.

Tirei todas as culpas das minhas costas depois de ver que ela que me causava problemas. Sim, eu erro muito, mas não sou um monstro manipulador porque pedi para os amigos irem em bar x ao invés de y, nem uma porca monstruosa só porque meu tênis tem chulé. Os ataques são gigantes perto dos reais motivos, me falaram que o que vem de uma mãe pode levantar ou derrubar um filho e é verdade. A minha mãe não só me derrubou a vida inteira como fez questão de pisotear em cima da filha que pedia ajuda.

O que eu sei sobre ela, já que ela mesma não assume nada, é que ela não queria a segunda gravidez de jeito nenhum, estava buscando a liberdade para se divorciar, fazendo aulas de direção e etc. ao descobrir que estava grávida, ficou bem triste, mas não sei se pensou em aborto. Hoje, eu sou uma das tantas mulheres que lutam para que grávidas tenham o direito de decidir sobre o próprio corpo e que quer estudar e conquistar tudo sozinha – acredito que sou como ela foi ou gostaria de ter sido, mas ela não vê, já que a cegueira dela criada por um ódio fora do comum não a deixa ver.

O que eu quero dizer às pessoas que se identificarem comigo que mãe e pai não têm vale-cagada eterno, nem nada de divino ou sagrado quando eles te impedem de evoluir porque você não "parece" com o que eles consideram correto. Tá liberado se afastar desses familiares e não postar a foto bonita da família no Facebook, mas ter a leveza de se realizar. Talvez você se sinta muito tristes porque parece que todo mundo tem mãe, menos você. E é tipo isso mesmo. Aceita, depois entende – psicológos e psiquiatras estão ai para dar uma força. E lembra que não tem problema ficar triste, tristeza a gente rebate. Pode chorar, pode se sentir mal, mas depois levanta. Porque mesmo que sua mãe ache que você não deva estar aqui por algum motivo, você já está aqui e com certeza tava ocupado demais sendo do bem e fazendo boas coisas.

J.S.L., 30 anos, São Paulo, SP

Michele Engelke, terapeuta cognitiva e autora de dois livros sobre filhas de mães narcisistas, aponta o alto nível de cobrança e a educação perfeccionista como traços comuns a mães tóxicas.

A mistificação do papel da maternidade e a obrigatoriedade social de ser mãe certamente formam um terreno fértil para esse tipo de relacionamento. "Pais não são criaturas superiores, especiais. Eles apenas têm experiência cognitiva mais elaborada que a criança", diz.

Mas existem muitos fatores a serem analisados em uma relação e o ideal é procurar ajuda profissional caso você sinta que está em uma relação assim.

Obrigada a todas as leitoras que compartilharam suas histórias.

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