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Como a Veja desencadeou um debate feminista em meio à crise

Bela, recatada e o quê?

publicado

A edição extraordinária da Veja sobre o impeachment trouxe um perfil de Marcela Temer. Intitulado "Bela, recatada e do lar", ele descreve a personalidade da mulher de Michel Temer como se fosse uma revista dos anos 50.

Reprodução

"Marcela é uma vice-primeira-dama do lar. Seus dias consistem em levar e trazer Michelzinho da escola, cuidar da casa, em São Paulo, e um pouco dela mesma também (nas últimas três semanas, foi duas vezes à dermatologista tratar da pele)", diz um trecho do texto.

A reação das redes sociais foi imediata: as pessoas começaram a criticar a Veja.

"Marcela Temer: bela, recatada e 'do lar'" a Veja ñ é nem uma revista mais ela é aqle seu primo 'da zuera' q fica falando coisa pra provocar

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Várias destas fotos estão elencadas num Tumblr que também ganhou o nome de "Bela, recatada e do lar".

belarecatadaedolar.tumblr.com

A descrição do Tumblr é: "Tudo bem ser bela, recatada e do lar. Tudo bem ser o completo oposto disso. Porque ao contrário do que a Veja gostaria de impor, as mulheres vão ser o que elas bem entenderem!"

Também compararam a ideia de "feminino" transmitida no perfil de Marcela e a ideia (inaceitável) do "feminino" destacada em uma capa recente de outra publicação semanal.

facebook.com

E relembraram outros momentos das mulheres na história, em contraponto ao título que já se tornara infame.

#vejamachista Mulheres anarquistas lutando na Revolução Espanhola de 1936. Do lar.

Do Lar, do Bar, do Lab... De onde elas quiserem! #BelaRecatadaEdoLar

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Surgiu um questionamento: "os críticos do perfil feminino exaltado pela revista não estão, afinal, dizendo a uma mulher como viver?".

Eu não to manjando do meme, mas se as mulheres podem ser o que quiserem, porque cês tão reclamando do "bela, recatada e do lar"?

Mas algumas pessoas esclareceram que a crítica não é sobre as escolhas de vida da retratada (que nem aparece falando na matéria), e sim sobre as características dela serem vendidas pela revista como "ideais".

O problema não é ser bela, recatada ou do lar, mas que essas sejam as únicas características valorizadas nas mulheres.

Sobre a mina ser bela, recatada e "do lar": bom pra ela, acho. Isso não me ofende em nenhum nível. A forma que tratam isso como IDEAL, sim.

Para ficar mais claro, defenderam que mulheres que escolhem uma vida tradicional tampouco representam qualquer problema.

O protesto #belarecadataedolar não é contra mulheres que escolhem uma vida tradicional. É contra a ideia de que só essas mulheres têm valor

Enquanto isso, os homens começaram a participar do meme.

E também foram criticados por isso: algumas mulheres acham que este é um movimento em que somente elas devem ser as protagonistas.

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Além de tudo isto, não é a primeira vez da Veja nesse campo, nem da repórter Juliana Linhares, que assina o perfil. A nota “Vamos Perguntar a Elas?”, publicada logo após o Oscar de 2015, chama de “mimadas” as atrizes que pediram igualdade salarial.

Reprodução/Clarissa Passos

"Elas usam roupas deslumbrantes com decotes equinociais, posam para capas de revistas, ganham centenas de milhares de dólares em comerciais de produtos de beleza e, muitas, vários milhões para fazer filmes ancorados em seu talento — e beleza —, mas sobem nos Louboutins quando ouvem a pergunta clássica do tapete vermelho: "De onde é o seu vestido?". Atrizes, ah, atrizes, tão belas, tão inteligentes — imaginem o QI necessário para superar a implacável concorrência — e tão mimadas que agora exigem falar só de assuntos sérios, como fez PATRÍCIA ARQUETTE ao ganhar o Oscar de melhor atriz coadjuvante por Boyhood e sacar de um par de óculos e um discurso engajado: um brado pela paridade salarial entre homens e mulheres em Hollywood. Então vamos perguntar a Patrícia, que, pobrezinha, tem uma fortuna de apenas 24 milhões de dólares: sabe a diferença entre salário e remuneração?", começa o texto.

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