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A história desta mulher sobre seu "aborto tardio" está se tornando viral

"Nenhuma mulher deveria ter que esperar autorização do Estado na decisão mais dolorosa que terá que fazer", disse Alyson Draper. No último debate, Donald Trump disse que dificultaria o aborto legal.

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Recentemente, Draper postou sobre sua experiência de ter um "aborto tardio" em um status do Facebook.

Facebook: alyson.draper / Via Facebook: alyson.draper

Desde então, ele foi compartilhado mais de 110 mil vezes.

Ela disse que decidiu contar sua história após os comentários de Donald Trump, candidato republicano à Presidência dos EUA, sobre "abortos tardios".

Win Mcnamee / Getty Images / Via gettyimages.com

Durante um debate na última quarta-feira (19), Trump disse que era "pró-vida" e que nomearia pessoas que pensam como ele para a Suprema Corte dos EUA para garantir que a questão do aborto seja decidida a nível federal.

Trump criticou os "abortos tardios", um termo que muita gente usa para descrever abortos que ocorrem depois do primeiro trimestre. Ele afirmou que os procedimentos "rasgam o bebê do útero" até um dia antes do nascimento. "Você não pode tirar e rasgar o bebê do útero no nono mês", disse.

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Quando Draper tinha 40 anos, ela ficou grávida de gêmeos por meio de uma fertilização in vitro. "Essa foi a gravidez mais desejada e planejada que já houve", disse ao BuzzFeed Health.

A gravidez ocorreu apenas 15 meses depois de Draper ter tido outra gravidez que resultou em um feto morto.

"Meu marido e eu já tínhamos seis filhos de nosso primeiro casamento, mas desesperadamente queríamos um filho juntos, então esses gêmeos eram muito amados e desejados", disse.

Após 22 semanas de gravidez, Draper descobriu que um de seus gêmeos havia morrido e o outro tinha um caso grave de espinha bífida que resultaria em morte pouco depois do nascimento.

Espinha bífida é uma doença que afeta o desenvolvimento da medula espinhal e do cérebro do bebê.

"O caso era tão grave que todo o cérebro do bebê estava empurrado para baixo e a espinha estava exposta", disse.

"Queríamos fazer qualquer coisa para salvar nosso bebê, mas os médicos nos disseram que não havia esperança e concluíram que a gravidez seria um risco para minha própria saúde."

Draper disse que ela e seu marido foram em uma série de médicos para ver se era possível corrigir a espinha bífida dentro do útero ou fazer algo para salvar a vida do bebê.

"Eu queria tanto esse bebê que eu arriscaria minha vida se houvesse uma chance de ele viver."

Em Utah, o aborto só é legalizado se o feto não for viável (apto a viver fora do útero), exceto sob certas circunstâncias.

Win Mcnamee / Getty Images / Via gettyimages.com

Essas circunstâncias incluem casos em que o aborto é necessário para salvar a vida da mãe, prevenir "danos irreparáveis" para o corpo ou se dois médicos concordarem (por escrito) que o feto possui "um defeito que é diagnosticável uniformemente e uniformemente letal".

Uma vez que a saúde de Draper estava em risco e seu bebê não tinha chance de sobreviver depois do nascimento, os médicos decidiram fazer um aborto por meio de uma cesária — que ela descreveu como "o pior momento de sua vida".

Draper e seu marido tomaram a decisão após conversarem com o médico e sob a orientação de seu bispo mormon. Todos a lembraram que ela tinha seis filhos em casa que precisavam dela.

Contudo, antes que o procedimento pudesse ser feito, ele também tinha que ser aprovador pelo comitê de ética do hospital. "Eles decidiram que o procedimento seria feito para salvar minha vida (uma vez que o bebê não tinha chances de sobreviver) e não por conveniência, o que o tornava legal em Utah", disse Draper. Ela também falou que eles escolheram o procedimento que seria o mais gentil e humano possível.

"O que Trump descreveu ontem a noite foi uma cesária mal feita", disse Jennifer Gunter, obstreta-ginecologista, ao Buzzfeed Health. "Nenhum médico faz abortos após nove meses de gestação, isso é ridículo".

De acordo com o CDC (Centro de Controle de Doenças dos EUA), apenas 1,3% dos abortos nos Estados Unidos ocorre quando a mulher tem 21 semanas ou mais de gestação. E a maioria deles ocorre antes das 24 semanas.

"Como esse caso mostra, toda situação é única e há muitas variáveis para se levar em conta. Remover opções legais que existem hoje pode levar a sérias complicações e circunstâncias infelizes", disse Gunter.

Draper disse que ela espera que sua história mostre porque "apenas os pais do bebê e um médico devem tomar a decisão" de fazer um aborto, não o Estado.

Alyson Draper / Via facebook.com

"Eu enfrentei o estresse pós-traumático por muito tempo e me recuperei, mas, quando ouvi Trump dizer essas coisas horríveis, toda a mágoa e dor voltaram com força."

"Compartilhei minha história porque quero que as pessoas entendam que os abortos tardios não são o que Trump descreveu e que as mulheres podem acabar nessa situação mesmo quando querem desesperadamente um bebê."

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