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Ex-diretor do FBI diz que Trump o demitiu por não interferir em investigação sobre a Rússia

"Eu fui demitido por causa da investigação sobre a Rússia... Para mudar a forma como a investigação sobre a Rússia estava sendo conduzida. Isto é muito grave", afirmou James Comey em audiência no Senado americano.

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O ex-diretor do FBI James Comey disse em depoimento ao Senado americano, nesta quinta (8), que foi demitido pelo presidente Donald Trump para que a investigação que apura ligações entre a campanha republicana de 2016 e a Rússia sofra interferência.

"Eu fui demitido por causa da investigação sobre a Rússia... Para mudar a forma como a investigação sobre a Rússia estava sendo conduzida. Isto é muito grave", disse Comey.

Comey foi demitido por Trump em 9 de maio. Dias depois, após circularem especulações sobre os motivos que causaram a decisão, o presidente disse que o ex-diretor estava fazendo um trabalho ruim à frente do FBI e chamou-o de "maluco" — "nutjob" foi a palavra exata que ele usou.

Uma semana após a demissão veio à tona, em reportagem publicada pelo New York Times, a informação de que Comey produziu ofícios secretos em que relatava encontros com Trump nos quais, segundo o ex-diretor, o presidente requisitou "lealdade completa" por parte dele.

Hoje, Comey disse ter produzido os documentos porque tinha receio que o presidente "mentisse" sobre os encontros privados que mantiveram. Ele também afirmou que o governo Trump "escolheu me difamar" ao comentar os motivos por que foi demitido — assista ao trecho abaixo, em inglês.

O ex-diretor também admitiu ter sido o responsável por vazar um dos ofícios que escreveu sobre Trump a jornalistas do New York Times. Ele pediu a um amigo — o professor de direito Daniel Richman, da Universidade Columbia, em Nova York — que repassasse o papel sem revelar a fonte original.

Comey também aproveitou o encontro para responder a um tuíte que Trump publicou três dias após demití-lo: "É bom que James Comey torça para que não existam 'fitas' das nossas conversas antes que ele comece a vazá-las à imprensa." Questionado sobre o tema, o ex-diretor instou o presidente a divulgar eventuais gravações.

James Comey better hope that there are no "tapes" of our conversations before he starts leaking to the press!

Em meio ao depoimento de Comey, a Casa Bramca realizou uma entrevista coletiva na qual a porta-voz Sarah Sanders declarou: "Eu posso dizer definitivamente que o presidente não é um mentiroso" — mas não respondeu se Trump possui um sistema de grampos para gravar suas conversas.

Comey também divulgou o depoimento escrito que ficará registrado nos anais do Senado dos Estados Unidos. Leia o documento abaixo.

Reprodução

Com reportagem de Emma Loop, Zoe Tillman e Lissandra Villa, em Washington; e Mary Ann Georgantopoulos e Talal Ansari, em Nova York. Adaptação de Alexandre Aragão.

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