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Posted on 29 de jan de 2018

11 pessoas contam como começaram a se exercitar longe da academia

Rugby, longboard e circo são apenas algumas das opções.

1. "O rugby, por ser ainda pequeno no Brasil, me deu a oportunidade de estar com um grupo que estava começando assim como eu."

2. "Como muitas mulheres, eu parei de praticar esportes coletivos depois da escola. Mas, quando me mudei para São Paulo, procurei um lugar onde pudesse jogar basquete."

Reprodução/Instagram / Via instagram.com

Eu nunca fui muito boa, mas sempre fui apaixonada por basquete. Na verdade, eu nunca me destaquei em esportes coletivos, talvez por ser mais nova que as outras meninas da turma, talvez por ter sido muito magra. Jamais saberei. O fato é que, como muitas mulheres, eu parei de praticar esportes coletivos quando saí da escola.

Quando me mudei para São Paulo, finalmente procurei um lugar onde pudesse jogar basquete. Afinal, tem tudo em São Paulo. Então, em 2016, depois de uma palestra do Olga Esporte Clube, foi montado um time de basquete que jogava na quadra de uma de nós. No começo não tinha treinadora: a que sabia mais, ensinava para que sabia menos. Nesse prédio, jogaram bitucas de cigarro, pedaços de cimento e nos xingaram por estarmos jogando. Até que fomos proibidas de usar a quadra.

Demoramos alguns meses, conseguimos uma quadra em outro prédio e decidimos que precisaríamos de uma técnica para jogar melhor. A quadra deste prédio começou a ser reformada e, mais uma vez, ficamos sem quadra. Um tempo depois, uma companheira de time nos disse que havia uma quadrinha maravilhosa na praça Rotary, que estava sempre vazia. Fomos lá muito felizes, mas na semana seguinte, a quadra estava cheia de homens, que diziam que sempre jogavam ali.

Conseguimos negociar um horário com eles, mas negociações foram ficando cada vez mais tensas. E, como mulheres, fomos ficando mais acuadas. Até que decidimos fazer um evento e convidar outras mulheres a ocuparem a quadra com a gente. Afinal, o espaço era público. Por que eles precisavam ficar quatro horas lá e a gente sem hora nenhuma?

Foi aí que uma das jogadoras do time enviou um e-mail para a Magic Paula e ela respondeu: estarei lá. Então, numa segunda-feira, 10 de julho de 2017, conseguimos ter mais de 100 mulheres na quadra. Eu tive a honra de jogar contra a Magic Paula e, desde então, nos tornamos o coletivo Magic Minas. Nós conseguimos duas quadras, demos palestras, temos mais de 100 meninas no grupo de What'sApp, conseguimos visibilidade, apoio de grandes marcas. Mas ainda lutamos com a baixa ocupação das quadras em alguns dias da semana.

Desde então, as segundas-feiras ganharam outro caráter. Mesmo ainda não sendo muito boa jogadora, eu tenho um lugar pra exercitar meu corpo, receber apoio de outras mulheres, conhecer novas pessoas e ser uma mulher negra ocupando um espaço público que disseram que eu não poderia ocupar. - Joana Mendes, 32 anos

3. "Eu queria fazer uma atividade mais lúdica e encontrei o circo."

4. "A solução estava bem na minha cara: eu sempre gostei de dançar e não via isso como um esporte."

5. "O melhor, e que ninguém me falou, é que o pilates me faz esquecer de absolutamente todos os meus problemas."

6. "Já tinha passado pela cabeça fazer aula de pole, mas sabe como é, a gente se autossabota."

7. "Fiz uma aula experimental de ioga, outra de pilates e aí veio a vontade de revolucionar e tentar uma luta."

Instagram: @lucksback

Eu terminei 2016 querendo alguma atividade física pra 2017. Qualquer coisa, menos musculação, que é chato demais. Antes de decidir, resolvi fazer uns testes. Fiz uma aula experimental de ioga, outra de pilates e aí veio a vontade de revolucionar e tentar uma luta. Então procurei um lugar perto de mim que tivesse boxe e marquei.

Tava com um pouco de medo, pois academias de luta não são exatamente parte do mundo gay que eu amo e frequento, então levei uma amiga lutadora pra dar coragem. Chegamos lá no horário errado e acabamos numa aula de muay thai, que (não sei porque) me parecia ainda mais agressivo. Pra piorar, era a última aula do ano e foi praticamente só sparring - uma parte prática que é lutinha, mesmo.

Foi uma hora de medo e coração na boca. Mas medo geralmente é um bom indicador do que a gente quer, né? Voltei no início do ano e comecei a fazer muay thai e boxe, juntos. Conheci gente foda, conheci gente fofa, perdi um monte de preconceito. Qualquer lugar é lugar pra gay. - Luca Bacchiocchi, 29 anos

8. "Eu tinha medo de me machucar, mas graças a um amigo que insistiu muito eu entrei pra um time amador de vôlei."

9. "Pra mim, é muito gratificante ver o avanço, na técnica de goleiro e no preparo físico."

Reprodução/Facebook

Eu não sou fã de academia e descobri o CTGB (Centro de Treinamento Gandhi Bidart) por acaso no Facebook. Lá descobri um treinamento para goleiros que curti bastante. Entrei em contato e fiz o meu primeiro treino em agosto do ano passado. Desde então, não parei.

O treino específico é uma atividade que me agrada, já que eu sou goleiro de pelada. No início, eu ficava bem cansado durante o treino. Mas o meu condicionamento físico hoje é bem melhor. Ainda preciso melhorar minha alimentação, mas perdi em torno de 5kg.

Como não é muito comum aqui no Rio, muitas pessoas estranham uma escola específica de goleiros. Pra mim, é muito gratificante ver o avanço, na técnica de goleiro e no preparo físico. Isso motiva muito. Se eu estivesse dentro de uma academia, com certeza o resultado da atividade física seria mais lento. - Sidney dos Santos, 35 anos

10. "Como eu fiz dança quando era mais nova, decidi dar uma chance pro jazz agora na fase adulta."

11. "O que mais gosto sobre o longboard é que além de ser um excelente exercício físico, é também um desafio constante de superação."

Instagram: @isabellacrm

Tentei diversas vezes fazer academia, mas nunca consegui fazer por mais que alguns meses. Além de achar o exercício chato e repetitivo, nunca me identifiquei com a cultura do “corpo perfeito” que existe na maioria das academias; pelo contrário, eu fazia apenas para ter um bom condicionamento físico e saúde.

Um dia vi um vídeo da Longboard Girls Crew que mudou completamente a minha vida: eram várias mulheres andando de longboard juntas a altíssimas velocidades e fazendo manobras incríveis enquanto faziam uma road trip pela Europa. Elas falavam sobre aceitação do corpo, quebra de estereótipos e empoderamento feminino e fiquei completamente apaixonada. Comecei a andar de long sozinha e depois comecei a fazer aulas no Parque Ibirapuera com uma professora incrível pra aprender as manobras de longboard dancing, uma modalidade que envolve manobras que lembram uma dança.

O que mais gosto sobre o longboard é que além de ser um excelente exercício físico e de equilíbrio, é também um desafio constante de superação - você vai cair e vai ter medo de tentar novas manobras, mas quando consegue, é a melhor sensação do mundo. - Isabella Motta, 27 anos

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