19 histórias de bastidores que revelam como é ser mulher no jornalismo esportivo

    A jornalista Mayra Siqueira contou numa thread no Twitter sobre o machismo que enfrenta na profissão.

    A Mayra Siqueira, jornalista com passagens pela CBN, Sportv e Globo Esporte, criou uma thread no Twitter revelando como é ser mulher no jornalismo esportivo. Reunimos algumas das histórias aqui.

    É difícil ser mulher no mundo esportivo? A resposta é SIM!

    2) A resposta é: óbvio. A gente segue o baile, não perde o rebolado e aprende nas porradas que tem que ser no mínimo igual aos melhores homens da area em competência pra falarem pouco mal de você.

    Principalmente pelas comparações entre mulheres.

    3) Você sendo foda ou não, vão querer fazer comparações de "entre as mulheres repórteres esportivas, fulana é das melhores". Quantos homens entram em categorias comparativas de... "homens"?

    E as demonstrações claras de machismo.

    4) O Leão já me olhou de cima abaixo numa entrevista e respondeu à pergunta , com desdém: "NÓS, que estamos há muito tempo no futebol, sabemos disso". Apesar de machistaço, comigo ele nunca passou disso

    Todo. Santo. Dia.

    5) Já ouvi 2 vezes em coletivas ao vivaço do Muricy "você sabe muito de futebol, né?" (insira tom irônico). Na primeira, fiquei arrasada. Na segunda, virei notícia e fui defendida nos programas. Ele nunca se abalou e, anos depois, fizemos programas de TV juntos na mesma bancada

    Fora o constante medo do assédio.

    6) Já fiquei numa saia justíssima por um dirigente que entendeu troca de informação como "algo mais" e lançou olhares lascivos. Dei sorte (?) de ele ter parado no olhar, mas me deu um bruta nojo que não esqueço até hoje

    E o quanto isso dificulta seu trabalho.

    7) Nunca fui capaz de ter relação minimamente próxima de amizade com jogador de futebol ou dirigente. Meu medo de ser mal interpretada venceu minha preocupação em manter uma boa fonte de informação. Sempre.

    Mas há o que comemorar: as mulheres estão ganhando espaço.

    8) O meio de imprensa esportiva é uma merda pra mulheres, ainda. E ainda bem que tá se enchendo de ~feminista chata~. Vcs não fazem ideia do que é saber que cada mulher que chega é "carne nova" na visão dos jornalistas homens, que acham ok e normal ir pra cima feito urubu

    Só que isso também gera reações.

    9) Já vi muito homem questionando fonte de repórteres amigas (que eram ótimas e davam vários furos de reportagem). O ego masculino não se permite ser ferido por uma mulher na """"área deles""". Chato, chato, chato. Nisso, a mulher vira "vagabunda", pra ele se sentir melhor

    Porque os homens sempre vão proteger seus privilégios.

    12) Perco as contas de quantas vezes elaborei um argumento no programa de TV, falei, todo mundo fez cara de paisagem e, dois minutos depois, pegaram o que eu disse, trocaram as palavras e todos da bancada aplaudiram como ideia genial (na boca do coleguinha)

    O que gera comentário machista o tempo todo.

    13) Já rolou um "você é ótima repórter, não tem que querer ficar bancando a comentarista" do coleguinha homem, claro

    Fora outros tipos de preconceito, né?

    15) Já teve cara que eu respeitei muito no trabalho que veio dizer que "isso de mulher ficar com mulher é falta de homem, não faz nenhum sentido mesmo". O respeito meio que acabou. Toca o mantra mental de seguir o baile e segue em frente

    O que prova que as mulheres em profissões tradicionalmente masculinas têm que se esforça o dobro.

    16) O Dagoberto, no meu primeiro ano de repórter de campo, passou reto por mim ignorando minha pergunta. O Fernando Fernandes, da Band, parou ele na sequência e disse ao vivo "já que você não respondeu a pergunta da moça, eu vou repetir". ele repetiu, é o Dagoberto respondeu

    E acabam expostas a situações estressantes.

    17) Uma vez num programa de TV, no intervalo, o coleguinha disse que não gostava de mulheres comentando futebol. "Do que elas entendem?". Alguns riem, outros ficam sem graça. Ninguém defende, claro. Vc não quer treta, então levanta e vai pegar um cafezinho

    No caso da TV, o machismo rola ao vivo mesmo.

    19) Fiz um programa certa vez na TV que o apresentador não se dirigiu a mim por 80% do programa e só interagiu com o outro comentarista, homem. Quando me impus pra falar, eles me cortaram. Ficou tão feio que bombou nas redes sociais aquele dia.

    Até os ídolos das torcidas dão mancada.

    21) O Tite um dia me deu uma resposta levemente grosseira e que soou machista. Na resposta seguinte, interrompeu o que dizia a outro repórter pra pedir desculpas. "Poderia ser minha filha aqui".

    E muito cara experiente que provavelmente não quer ver mudança no esporte.

    23) O Cleber Machado, quando em finalmente ganhei um teco da sua confiança (levaram 2 anos e meio de Seleção pra isso), me disse que acha nada ver isso de mulher narrar, porque não é uma coisa que orne muito. Eu sorri e entendi que esse aí não vai mudar de ideia, e td bem 🤷🏻‍♀️

    As barreiras para o crescimento das mulheres estão em todos os lugares.

    26) Como qualquer profissão predominantemente masculina, parte da aproximação das fontes eram em eventos, baladas, coisas noturnas. E ser mulher, nessas horas, meio que é uma desvantagem óbvia. Amém, nunca foi minha praia, mesmo

    Mas a Mayra tem uma visão positiva, apesar de tudo: é falando que se provoca a mudança.

    e se ninguém nunca falar, não vão nunca perceber. A maioria vira o olho 🙄, acha q é recalque, chatice de mulher etc. Tá bom, a gente faz trabalho de formiguinha, rezando pra alguma mensagem chegar em algum deles. E você, homem que refletiu um pouco, faça algo: não seja omisso

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